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Construir uma autoestrada de dois sentidos entre Portugal e o Luxemburgo
Economia 7 min. 10.05.2022
Visita a Portugal

Construir uma autoestrada de dois sentidos entre Portugal e o Luxemburgo

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Construir uma autoestrada de dois sentidos entre Portugal e o Luxemburgo

Foto: Lusa
Economia 7 min. 10.05.2022
Visita a Portugal

Construir uma autoestrada de dois sentidos entre Portugal e o Luxemburgo

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
O que é que Portugal pode aprender com o Luxemburgo? O que é que Portugal pode ensinar ao Grão-Ducado? Uma autoestrada que se quer de dois sentidos e que deverá começar a ser construída na visita de Estado do Grão-Duque a Portugal, a 11 e 12 de maio.

"Estamos a tentar construir uma autoestrada entre os dois países, não só em termos de investimento, mas em termos de capitais, de investimento tecnológico, de parcerias de conhecimento entre ensino e indústria". Estas são as expectativas de Pedro Faria para a visita de Estado do Grão-Duque a Portugal de Pedro Faria. O Chief Operating Officer da Spacety é um dos muitos empresários portugueses a operar no Luxemburgo que vai estar em Portugal. 

E porque muito promete acontecer durante estes dois dias "dormir vai ser uma perda de tempo" ironiza o engenheiro que trabalha nas áreas do espaço e dos dados. Até porque o Luxemburgo é um dos países mais fortes nesta área. "O Luxemburgo já está a afirmar-se como uma grande potência" no que toca à exploração espacial. 

A agência espacial luxemburguesa conta atualmente com 70 empresas ligadas ao espaço. "O Luxemburgo quer afirmar-se, têm os meios financeiros para o fazer e os meios humanos estão a vir porque existe uma grande dificuldade a nível mundial de conseguir atrair e reter recursos humanos. O setor do espaço é capaz de obter, fornecer informações e dados, de forma rápida e acessível. Cada satélite completa uma volta à terra em 90 minutos, que é uma rapidez diabólica", salienta entusiasmado Pedro Faria. 

O empresário vai ser com certeza um dos espectadores mais atentos do seminário setorial dedicado ao Espaço que vai decorrer no Fórum Económico Portugal – Luxemburgo que decorrerá na manhã do segundo dia da visita de Estado do Grão-Duque e da Grã-Duquesa a Portugal, 12 de maio.

Portugal tem de começar a olhar para o Luxemburgo com outros olhos. O Luxemburgo pode ser "uma terra de oportunidades" para os portugueses, salienta João Carreira, responsável pela Indigo no Luxemburgo. Há dois anos que decidiu abrir uma filial do negócio de que é sócio no Grão-Ducado e as coisas não podiam estar a correr melhor. "Fui muito bem acolhido pela comunidade portuguesa, surgem parcerias e potenciais novos clientes muito rapidamente. A nível de negócios é um país muito mais dinâmico", salienta. E depois "a comunidade portuguesa aqui é muito forte, muito acolhedora e estão sempre disponíveis para ajudar e para criar oportunidades", sublinha João Carreira que veio para o Luxemburgo depois de se casar com uma lusodescendente.

"Um novo patamar nas relações económicas"

Nas relações entre os dois países nada ficará igual depois desta visita. É essa a convicção de António Gamito, embaixador de Portugal no Luxemburgo e que tem vindo a preparar esta visita há quase três. A ideia nasceu de uma proposta do Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa. Uma visita que foi adiada duas vezes devido à pandemia. Mas, em 2022, à terceira foi de vez. 

O principal objetivo é "alavancar a relação económica bilateral, em benefício dos dois países, dando a conhecer as ferramentas e ativos que temos no Portugal moderno, em áreas como o turismo, as tecnologias de saúde, o digital, as startups, o audiovisual, os serviços financeiros, a auto-mobilidade, as cidades inteligentes e a construção sustentável", sublinha António Gamito. Marcelo Rebelo de Sousa esteve no o Luxemburgo em 2017. Por sua vez, a última visita de Estado do Grão-Duque a Portugal foi em 2010.


"Queremos colocar noutro patamar as relações económicas entre Portugal e o Luxemburgo"
António Gamito, embaixador de Portugal no Luxemburgo, diz que a dimensão económica e empresarial da visita do Grão-Duque Henri, a 11 e 12 de maio, é muito importante. A entrevista ao Contacto.

Um reforço das relações políticas também é importante, até porque na comitiva da visita vão ainda quatro ministros luxemburgueses: Jean Asselborn, ministro dos Negócios Estrangeiros; Corinne Cahen, ministra da Família e Integração, Franz Fayot, ministro da Economia, e Yuriko Backes, ministra das Finanças. E todos vão ter encontros com os seus homólogos portugueses.

A responsável pela pasta da Finanças luxemburguesas que vai reunir-se com Fernando Medina, ministro das Finanças português. "O centro financeiro luxemburguês pode oferecer aos gestores de ativos e bancos portugueses uma plataforma ideal para aceder a investidores de toda a Europa e do mundo", explica a ministra das Finanças luxemburguesa em entrevista ao Contacto. Porque "no domínio dos serviços financeiros, os nossos países são complementares", acrescenta. 


"Portugal pode aceder a investidores de todo o mundo através do Luxemburgo"
A ministra da Finanças luxemburguesa, Yuriko Backes, revela em declarações ao Contacto que a visita de Estado do Grão-Duque Henri a Portugal, esta semana, quer aproximar os serviços financeiros dos dois países.

O Luxemburgo já é o 10° país do mundo no ranking dos que mais investem em Portugal. Mas as relações comerciais entre os dois países são consideradas "frágeis", tendo em conta as estreitas relações políticas, pessoais e culturais. Portugal é apenas o 20° país que mais exporta para o Luxemburgo, sendo o 24° parceiro comercial do Grão-Ducado. Os principais bens importados são o vinho, produtos alimentares, produtos de origem animal e pedra. 

Numa saudação à vasta comunidade portuguesa de quase cem mil pessoas que habita no Luxemburgo a ministra das Finanças salienta que ela "é parte integrante do tecido social e cultural do nosso país e contribui para o sucesso económico" do país. Tal com também sublinha o Grão-Duque Henri ao Contacto: "Sem a comunidade portuguesa, o Luxemburgo não seria o que é hoje".

Mas há ainda muito por fazer no que toca à comunidade emigrante. A nova política luxemburguesa "Vivermos Juntos", veio dar lugar à antiga política de integração. Porque "não queremos dizer" que os emigrantes "chegam a um sítio e têm que se integrar", explica Corinne Cahen, ministra da Família e da Integração. O novo lema tem assim em conta as especificidades de cada indivíduo, sublinha a governante. Para isso pretende discutir com o seu homólogo português formas de apoiar a comunidade portuguesa emigrada no Luxemburgo. "É muito importante ver como podemos ajudar a vida dos portugueses no Luxemburgo", revela em entrevista ao Contacto.


Um terço dos portugueses sente-se vítima de racismo no Luxemburgo
Um em cada três portugueses diz que já foi vítima de racismo ou de discriminação na procura de uma habitação, no emprego ou na sala de aula. São indicadores alarmantes que constam do primeiro estudo nacional feito no Luxemburgo sobre racismo e discriminação.

Até porque um em cada três portugueses diz sentir-se discriminado no acesso ao mercado de trabalho, habitação e emprego, de acordo com um recente inquérito sobre racismo no Grão-Ducado Aumentar a participação política dos estrangeiros, nomeadamente dos portugueses, é uma das outras ambições da  visita. Para que cada vez mais portugueses votem nas eleições comunais.

Uma visita ao passado com olhos no futuro

As relações diplomáticas entre os dois países celebram este ano 131 anos e agora é a hora de olhar para o futuro. A história comum entre Portugal e o Luxemburgo encontra as suas origens no casamento, em 1893, entre o príncipe Guillaume Alexandre de Nassau e a princesa Maria Ana de Bragança, filha do rei D. Miguel. Dessa união nasceram seis filhos, dos quais a segunda veio a tornar-se a Grã-Duquesa Charlotte. Charlotte regressou em 1940 a Portugal, depois da invasão nazi do Luxemburgo. Passaria então algumas semanas em Cascais. 

Anos mais tarde, na década de sessenta, começa a chegar ao Luxemburgo a primeira vaga de trabalhadores portugueses que viriam a tornar-se a maior comunidade estrangeira no país.

Uma visita com agenda carregada

A visita de Estado começa esta quarta-feira, 11 de maio, com a cerimónia de acolhimento oficial com honras militares frente ao Mosteiro do Jerónimos. Em seguida o casal Grão-Ducal irá depositar uma coroa de flores no túmulo do escritor Camões. Segue-se um encontro com o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, e depois haverá declarações dos dois chefes de Estado. 

Depois de um almoço privado com o chefe de Estado português, o Grão-Duque e a Grã-Duquesa serão recebidos pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas. Seguem depois todos para uma visita à parte histórica da capital lisboeta que será feita no emblemático elétrico 28.

À noite o casal Grão-Ducal participa num jantar de gala, oferecido por Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio da Ajuda.

O segundo dia, quinta-feira, dia 12 de maio, começa com uma visita à Fundação Champalimaud. Segue-se o Fórum Económico Portugal Luxemburgo, organizado pelo ministério da Economia, Câmara de Comércio do Luxemburgo e pela Agência para o Investimento e Comércio Exterior de Portugal (AICEP). 

António Costa, primeiro-ministro português vai receber o casal Grão-Ducal que depois de um almoço com o chefe do executivo português seguirá para Cascais. Aí farão uma visita guiada à exposição "Portugal-Luxemburgo, país de esperança em tempo de desespero". Depois é tempo de visitar a Casa de Santa Maria de Cascais, que acolheu a família Grão-Ducal, nomeadamente a Grã-Duquesa Charlotte, depois da invasão alemã do Luxemburgo em junho de 1940.


Universidade Nova atribui doutoramento 'honoris causa' a Grão-Duque Henri
Distinção vai ser atribuída a propósito da visita oficial do chefe de Estado luxemburguês a Portugal, a 11 e 12 de maio.

Na tarde de quinta-feira, o Grão-Duque desloca-se à Universidade Nova de Lisboa (UNL) onde receberá o doutoramento honoris causa pela instituição.

Depois de terminada a visita os contactos não podem parar. Segue-se "um grande trabalho de casa de seguimento para construir e capitalizar esses primeiros contactos e não deixar as coisas caírem no esquecimento", sublinha Pedro Faria. O responsável da Spacety diz que "agora o que é preciso é adotar o lema do Luxemburgo 'Let’s Make it Happen' para a relação entre os dois países".

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