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Conselho Europeu. O embargo ao petróleo é aprovado na próxima semana?
Economia 5 min. 27.05.2022
Guerra na Ucrânia

Conselho Europeu. O embargo ao petróleo é aprovado na próxima semana?

Guerra na Ucrânia

Conselho Europeu. O embargo ao petróleo é aprovado na próxima semana?

Shutterstock
Economia 5 min. 27.05.2022
Guerra na Ucrânia

Conselho Europeu. O embargo ao petróleo é aprovado na próxima semana?

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
A poucos dias, ainda não se sabe e os diplomatas vão ter nova reunião no domingo. O que se sabe é que num conselho dedicado à crise energética, segurança alimentar e militar provocadas pela guerra na Ucrânia, Zelensky fará uma intervenção por vídeo. O secretário-geral da União Africana, Macky Sall, é outro dos convidados por causa da fome que a falta de cereais pode provocar em África.

Na carta de convite aos 27 líderes dos países da União Europeia (UE), o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, refere as principais questões que vão ser debatidas: todas elas ligadas à invasão da Ucrânia. A carta hoje publicada refere que os Estados-membros vão "continuar a pressionar a Rússia”, mas não é clara sobre se a discussão do sexto pacote de sanções – que se arrasta desde 4 de maio, quando a Comissão Europeia o anunciou – irá ter uma decisão definitiva ou não.


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O ministro dos Negócios Estrangeiros defende, numa entrevista à RTL, que as sanções às fontes energéticas russas, como o petróleo e o gás, devem prosseguir e critica a posição da Hungria, que acusa de "má fé".

O que está a entravar a adoção deste sexto pacote é a recusa do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán (com um poder interno no seu país renovado depois de recentemente ter ganho mais uma eleição) de assinar um embargo total ao petróleo russo; que é o prato forte destas novas medidas dirigidas contra a Rússia. 

Orbán disse que parar a importação de combustível russo seria uma bomba atómica para a economia húngara, e tem vindo a pressionar as instituições europeias para receber mais fundos para fazer a transição. Facto: 100% do petróleo húngaro provém da Rússia, através do maior pipeline do mundo. Recentemente, Orbán escreveu uma carta a Charles Michel onde explicava que a operação de mudar o fornecedor de petróleo ia ser muito cara, e por isso esperava a solidariedade europeia para com Budapeste.

Segundo os tratados da UE, as sanções recaem sobre a necessidade de serem votadas por todos os países, sem exceção. E neste, como em vários outros assuntos votados por unanimidade, Orbán tem tido a vantagem de o seu não valer mais do que o "sim" de 26. 

Petróleo, Sberbank, patriarca Kiril e proibição de comprar propriedades

O sexto pacote prevê que a UE deixe de importar todo o petróleo vindo da Rússia até ao final de 2022, mas segundo várias fugas de informação, as negociações que se arrastam há semanas já cederam à extensão da data por mais do que um ano, tanto para a Hungria como para a Eslováquia, o outro país altamente dependente do petróleo de Moscovo. Charles Michel continua esta sexta-feira uma maratona de conversas telefónicas com os representantes políticos dos países europeus para encontrar uma solução.


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O embargo ao petróleo é o prato forte do sexto pacote de sanções da UE contra Putin e os próximos do regime de Moscovo, uma vez que a UE paga a cada dia 261 mil milhões de euros pelo petróleo russo. Mas há bastante mais em causa. Há a exclusão do maior banco russo do Sberbank do sistema internacional de trocas SWIFT, a proibição de os russos comprarem propriedades na UE, estender as medidas individuais contra uma lista de oligarcas ao patriarca Kirill de Moscovo (visto como um apoiante da guerra), e proibir os “consultores” do Kremlin de operarem junto das instituições políticas europeias.

Embaixadores juntam-se no domingo para discutir o petróleo

Este domingo haverá mais uma reunião dos representantes permanentes (CoReper) dos 27 junto da UE, para tentar criar um documento que seja aceitável para todos os líderes assinarem em Bruxelas na segunda ou terça da próxima semana. Já se fala que as sanções ao petróleo poderiam ser só aplicadas ao combustível que chega por via marítima – a percentagem é de 90% recebida nos portos via petroleiros - para deixar a Hungria isenta das sanções, uma vez que recebe todo o petróleo através do Druzhba, o maior pipeline do mundo, com 4 mil quilómetros de extensão.

A cartilha de Orbán virada contra ele. "Olho por olho, dente por dente"

A questão estaria longe de terminada para os húngaros, uma vez que uma consultora do ministro da Energia referiu esta quarta-feira que  “a Ucrânia tem uma enorme vantagem nas suas mãos”, caso Orbán não alinhe na proposta de parar de comprar petróleo russo. Essa vantagem é o pipeline Druzhba, que passa pela Ucrânia, antes de chegar à Hungria. “Alguma coisa poderia acontecer-lhe e até seria apropriado”, ameaçou Olena Zerkal. Cabe, segundo ela, ao presidente Zelensky decidir “se de facto queremos falar com Orbán numa linguagem que ele compreende e que tenta impor à União Europeia”. 


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O novo pânico? O mundo a enfrentar uma fome bíblica
O bloqueio russo à saída de cereais da Ucrânia pode provocar uma fome à escala mundial, sobretudo em África. A UE, os EUA e as Nações Unidas pedem à Rússia para permitir corredores de transporte para outros portos europeus. “Entrámos na era da diplomacia alimentar”, disse o chefe das Relações Externas da UE.

Zelensky que em Davos elogiou a rapidez com que a UE tem agido em defesa da Ucrânia, enquanto criticou a inação total da Nato, neste caso foi contundente. No vídeo de ontem à noite, dirigido aos ucranianos e ao mundo, interrogou-se: “Como é que aqueles que bloqueiam o sexto pacote têm tanto poder, incluindo em procedimentos internos da União Europeia?”. No próximo dia 30, segunda-feira, Zelensky estará a abrir os trabalhos do Conselho Europeu, e, se calhar, poderá dirigir-se abertamente ao líder de Budapeste.

A fome em África

Uma das maiores preocupações do momento em termos geopolíticos, é a possibilidade de uma fome histórica em África e no Médio Oriente se não for possível retirar os bens agrícolas bloqueados na Ucrânia, e que deveriam estar a entrar nos mercados destes países. Na reunião de segunda-feira, escreveu Charles Michel, vão ser discutidas formas concretas de retirar os cereais presos na Ucrânia. Por isso, o convite ao senegalês Macky Sall, secretário-geral da União Africana, para se juntar à discussão via teleconferência.

A questão da defesa europeia, será também discutida, concretamente um relatório sobre as falhas de investimento em cada um dos países - que a Comissão apresentou recentemente - para construir uma base tecnológica e industrial de defesa na União Europeia.  

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