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Opinião Economia 2 min. 07.11.2022
Inflação

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Foto: Arne Dedert/dpa/dpa-tmn
Opinião Economia 2 min. 07.11.2022
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Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Os governos europeus não acreditam na eficácia desta receita e acham mesmo que ela pode acelerar os efeitos de uma recessão.

A inflação parece ser a causa de todos os males que afectam as economias europeias. Mas não existe qualquer acordo para uma política concertada que estanque o fenómeno.

A maioria dos governos dos Estados-membros da União Europeia teme as consequências do constante agravamento das taxas de juro, o último deles, ocorrido na semana passada. E a presidente do Banco Central Europeu já avisou que as coisas não vão ficar por aqui.

Com isso, o BCE quer arrefecer a procura, forçando a oferta a baixar preços.

Os analistas de cariz neoliberal defendem impiedosamente um aumento do desemprego, de modo a baixar o poder de compra das famílias.

Os governos europeus não acreditam na eficácia desta receita e acham mesmo que ela pode acelerar os efeitos de uma recessão que já manifesta sintomas muito acentuados, em algumas das principais economias europeias. Se países que são a força-motriz da Europa entrarem em recessão, a crise vai alastrar a todo o continente, com consequências desastrosas.

E aquilo que o BCE pede, conjuntamente com o aumento das taxas de juro, parece de impossível execução. Primeiro, apela à contenção salarial, de modo a que a procura não contribua para o aumento dos preços. Depois, pede às empresas que reduzam as suas margens de comercialização, de modo a suster os preços. Se isto acontecer, as receitas de IVA e de IRC vão cair, o que, obviamente, não agrada aos governos.

O BCE promete ainda tornar o fenómeno mais controlável e previsível, a partir do momento em se atinja o pico da inflação. Isso podia acontecer em finais de Dezembro, dizem os seus especialistas. Mesmo assim, o BCE não garante que, a partir daí, o valor da inflação baixe, até ao valor psicológico dos dois por cento. Alguns economistas dizem que, com dois por cento, a economia pode proceder a constantes ajustes de preços, da forma que lhe for mais favorável.

Os analistas de matriz neoliberal defendem impiedosamente um aumento do desemprego, de modo a baixar o poder de compra das famílias e, com isso, reduzir a procura. Assim, a inflação baixa, com toda a certeza. Mas provoca traumas na economia e nas famílias de difícil ou mesmo impossível recuperação. Como noutras crises, haverá empregos perdidos que nunca mais serão recuperados.

As previsões apontam para uma inflação de 8,1 por cento, para este ano, valor que poderá baixar para os 5,5, em 2023. Mesmo em 2024 a desvalorização do dinheiro pode manter-se acima dos 2%. Portanto, teremos pela frente mais dois anos de grandes sacrifícios, com um crescimento anémico. 

Em 2023 não chegará a 1% e em 2024 pode aproximar-se dos 2%. Isto são cifras para o conjunto da União Europeia. Em Portugal, as previsões de crescimento são mais optimistas. Veremos se se confirmam.  

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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