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Combustíveis. É o fim da era dos preços baixos no Luxemburgo?
Economia 5 min. 07.01.2020 Do nosso arquivo online

Combustíveis. É o fim da era dos preços baixos no Luxemburgo?

Combustíveis. É o fim da era dos preços baixos no Luxemburgo?

Foto: Anouk Antony
Economia 5 min. 07.01.2020 Do nosso arquivo online

Combustíveis. É o fim da era dos preços baixos no Luxemburgo?

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
Foi preciso olhar duas vezes para os valores dos aumentos. Só o gasóleo disparou quase sete cêntimos por litro. A gasolina 98 octanas subiu mais de cinco cêntimos. Será que o tempo do combustível barato no Luxemburgo tem os dias contados?

Os combustíveis subiram esta semana e o aumento pesa na carteira dos automobilistas. O gasóleo teve um incremento de quase sete cêntimos e o litro atingiu máximos desde 2014. Será que o tempo de combustíveis baratos chegou ao fim no Luxemburgo? O panorama não é muito animador, já que vem aí um aumento do imposto sobre o combustível e uma nova taxa sobre o carbono. Além dos impostos, o barril de petróleo está em alta, com o aumento das tensões internacionais. Mas tudo depende também das políticas energéticas dos países vizinhos.

Na segunda-feira, foi preciso olhar duas vezes para os valores dos aumentos dos combustíveis: não são habituais no Luxemburgo. A gasolina 98 subiu 5,3 cêntimos e o litro passou a custar 1,36 euros. Já o gasóleo disparou 6,8 cêntimos e passou a custar mais de 1,20 euros. A última vez, que o gasóleo esteve tão caro foi em junho de 2014, altura em que tocou os 1,204 euros, de acordo com dados do instituto de estatística luxemburguês. Agora está nos 1,202 euros. Esta noite será a vez da gasolina 95, com um aumento de 3,3 cêntimos, para 1,26 euros.

E as más notícias não se ficam por aqui, porque os preços vão continuar a escalar. É que este aumento ainda não tem em conta o incremento previsto no imposto sobre combustíveis. No final do ano passado, o Governo anunciou um aumento do imposto sobre os combustíveis, que deverá acontecer entre fevereiro e abril deste ano. A subida deverá variar entre um e três cêntimos para a gasolina e entre três e cinco cêntimos para o gasóleo. O objetivo do Executivo luxemburguês é acabar com a diferença de preços praticados no Grão-Ducado e os países de fronteira para reduzir as vendas de combustíveis e as emissões de dióxido de carbono do país. As receitas conseguidas com a subida do imposto serão, segundo o Executivo, aplicadas em soluções de transição energética e de justiça social.

Este imposto já tinha aumentado em maio do ano passado. No final de 2019, o Executivo fez um balanço e explicou que a subida permitiu travar a tendência de aumento das vendas dos combustíveis, mas apenas marginalmente. Estas caíram 1,1%, um valor ainda considerado pouco significativo. Além disso, o Governo adiantou que, em termos absolutos, o nível das vendas não desceu, justificando-se assim o aumento do imposto deste ano. A acrescer há ainda o novo imposto sobre o carbono que entrará em vigor em 2021.

Médio Oriente e biocombustíveis explicam aumento

Mas a que se deve o aumento de ontem? O secretário-geral do Group Pétrolier Luxembourgeois (GPL), Jean-Marc Zahlen, aponta dois fatores essenciais: a evolução dos mercados internacionais e os biocombustíveis. Em declarações ao Contacto, Zahlen explicou que o aumento do barril de petróleo não é de agora e já começou em dezembro do ano passado, sendo este incremento um reflexo disso. Esta tendência agudizou-se nos primeiros dias do ano. O ouro negro tem estado em alta, por causa das tensões entre os Estados Unidos e o Irão, depois da morte do general iraniano Qassem Soleimani em Bagdade (Iraque). Na segunda-feira, o barril disparou para máximos de quatro meses, tendo ultrapassado os 70 dólares. Apesar de hoje o preço ter corrigido e de os mercados mostrarem maior serenidade, a incerteza no Médio Oriente pode voltar a despoletar o nervosismo dos investidores e o preço do petróleo.

O segundo fator de encarecimento dos preços tem a ver com as diretivas comunitárias de energias renováveis e com os objetivos para 2020. “Os Estados-membros têm de incorporar mais biocombustíveis na gasolina e gasóleo”, afirma Zahlen, para que sejam menos poluentes e emitam menos dióxido de carbono (CO2). Os combustíveis com que os automobilistas abastecem o depósito do carro têm de ter uma percentagem de biocombustíveis. Ora a meta comunitária para 2020 é de 10%. E aqui também joga “a pressão nos mercados internacionais nos biocombustíveis”, apontou Zahlen.

A era do combustível barato

Todas estas alterações significam que a era dos preços baixos tem os dias contados? Para o secretário-geral do GPL “é difícil dizer”. Jean-Marc Zahlen admite que há que contar com o aumento dos impostos, mas sublinha que “é preciso perceber o que vão fazer os países vizinhos”, na medida em que eles também têm pressão para diminuir as emissões de dióxido de carbono e cumprir metas. Neste sentido, os países de fronteira também deverão subir preços, pelo que o diferencial pode vir a manter-se. Atualmente, o combustível já é mais caro no Luxemburgo do que na Bélgica, mas ainda é mais barato do que em França e na Alemanha.

Assim, é certo que os preços dos combustíveis vão subir devido aos impostos, mas é preciso ainda contar com a volatilidade dos preços nos mercados internacionais. E não é garantido que o diferencial com os países de fronteira seja eliminado, uma vez que estes também têm as suas próprias metas a respeitar.

Este cenário levou o CSV a colocar uma questão parlamentar ao Governo, perguntando se não seria de ponderar uma moratória na entrada em vigor do aumento do imposto sobre os combustíveis ou na introdução de medidas sociais compensatórias. Medidas estas que já tinham sido pedidas pela central sindical OGBL em dezembro passado.


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