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Christine Lagarde não reconhece a autoridade do Tribunal Constitucional alemão
Economia 2 min. 08.05.2020

Christine Lagarde não reconhece a autoridade do Tribunal Constitucional alemão

Christine Lagarde não reconhece a autoridade do Tribunal Constitucional alemão

AFP
Economia 2 min. 08.05.2020

Christine Lagarde não reconhece a autoridade do Tribunal Constitucional alemão

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
A presidente do BCE garante que "só responde ao Parlamento Europeu" e mostra-se indiferente às ameaças de Berlim.

O Banco Central Europeu (BCE) vai continuar a avançar com as políticas adotadas até ao momento, "sem ser abalado". É desta forma que a presidente do BCE, Christine Lagarde, descarta a polémica em torno da decisão do Tribunal Constitucional alemão, que exigiu explicações sobre as compras de dívida pública feitas diretamente pela instituição europeia.

"Somos uma instituição independente, que responde ao Parlamento Europeu e que age de acordo com o seu mandato. Vamos continuar a fazer tudo o que for preciso para cumprir esse mandato. Irredutíveis, vamos continuar a fazer isso", afirmou Lagarde, num seminário da Bloomberg.

A presidente e o vice-presidente do BCE, Luís de Guindos, não se mostraram amedrontados com a decisão do Supremo Tribunal  alemão, que considerou que o BCE está a ir para além do seu mandato ao acelerar as compras de dívida pública, exigindo, que esse respondesse aos magistrados alemães num prazo de três meses. 

Como consequência, o Bundesbank, banco central alemão, pode ser proibido de participar neste programa anti-crise se o BCE não provar de forma  "compreensiva e substancial" que "não excedeu os tratados europeus". 

Lagarde garante que o momento atual é "absolutamente excepcional, o que exige e justifica claramente que a acção do BCE vá além da utilização dos instrumentos convencionais de política monetária". O cenário é conhecido dos mercados, que também têm em conta que o dinheiro empregue pelo BCE já excede os 5,4 triliões de euros - 45% do PIB da zona euro - e aumentou 2,5 vezes desde março de 2015. 

Segundo o jornal La Vanguardia, o risco agora é mais elevado, uma vez que a zona euro já tem nas mãos a pior recessão dos últimos 90 anos e muitos países e empresas poderiam ter grande dificuldade em financiar-se a si próprios sem o apoio total do banco central no mercado da dívida. 

A este respeito, Lagarde argumentou que o BCE tem de ter polícias adequadas para ter margem de manobra para cumprir o seu mandato e, assim, evitar um agravamento indesejável das condições de financiamento, assegurando que a política monetária seja transmitida a todas as regiões da zona euro. "É isto que precisamos de fazer, o que estamos de facto a fazer e o que vamos continuar a fazer", garantiu a presidente. 

O vice-presidente do BCE aproveitou também a ocasião para reiterar a mensagem. "Continuaremos plenamente empenhados em fazer o que for necessário e em criar e recalibrar todos os instrumentos para evitar a fragmentação dos mercados, e a primeira linha de defesa é o mercado da dívida soberana", afirmou Guindos.

O antigo ministro espanhol garantiu que a instituição está "mais determinada do que nunca" em garantir condições financeiras para apoiar todos os sectores e países, o que lhes permitirá "absorver o choque sem precedentes" da pandemia.  


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