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CGD fecha balcões no Luxemburgo

CGD fecha balcões no Luxemburgo

Economia 3 min. 26.07.2018

CGD fecha balcões no Luxemburgo

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai encerrar os dois balcões que tem no Luxemburgo.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai encerrar os dois balcões que tem no Luxemburgo.

A informação foi avançada pela Associação Luxemburguesa de Trabalhadores da Banca e Seguros (Aleba, na sigla em francês), e pelas centrais sindicais OGB-L e LCGB, que enviaram um comunicado conjunto. O documento adianta que as negociações para o plano social começaram em meados de julho.

A informação do encerramento dos balcões da cidade do Luxemburgo e da agência de Esch-sur-Alzette foi confirmada ao Contacto por fonte próxima do processo. Em causa estarão 23 postos de trabalho, sendo que a maioria tem contratos com mais de dez anos. Os clientes ainda não terão sido avisados.

Depois de 10 dias de negociações, os sindicatos consideraram que a proposta apresentada pela CGD foi “desrespeitosa” para os empregados, “que vão perder os seus empregos e que vão encontrar-se numa situação financeira difícil”, como se lê no comunicado.

A proposta atual fica abaixo do usual em situações semelhantes, acusam os sindicatos, e não corresponde nem a um quarto dos valores que se praticam no setor bancário. No entanto, o sindicato não adianta qual é a proposta em cima da mesa.

De acordo com Carla Valente, jurista no sindicato bancário Aleba, os trabalhadores da CGD têm direito a um pré-aviso "entre oito e 12 meses", em função da antiguidade na instituição bancária, já que estão em causa contratos de trabalho "entre cinco e dez anos". Além disso, há lugar a uma "compensação financeira pelo despedimento", prevista na lei, e a "um orçamento para medidas de acompanhamento e de formação", para ajudar os trabalhadores a encontrar um novo emprego. O despedimento dá lugar ainda "a um pagamento extra-legal", negociado "caso a caso", em função da antiguidade e situação familiar dos trabalhadores, sendo neste ponto que o banco e os sindicatos não chegam a acordo.

Para os sindicatos, "o banco não quer reconhecer as suas responsabilidades sociais perante os assalariados, vítimas inocentes deste encerramento". Se o banco não chegar a acordo com os sindicatos nas próximas duas semanas, o processo poderá passar pela conciliação, sendo nomeado um representante do Ministério do Trabalho para mediar as discussões, explicou a jurista.

O anúncio do encerramento da CGD no país surge um dia antes do início das férias coletivas no setor da construção, altura em que milhares de trabalhadores portugueses regressam a Portugal. "As agências ainda não fecharam, e as pessoas podem ir de férias, porque não vão fechar de um dia para o outro", frisou a jurista do sindicato bancário. 

O Contacto tentou falar com os responsáveis da CGD em Portugal e no Luxemburgo, mas até ao momento não obteve resposta.

A CGD passa por uma reestruturação a nível europeu, com o encerramento de vários balcões em Portugal, Espanha, França, África do Sul e Brasil. O plano foi acordado em 2017 com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização do banco público.

Em Portugal, a redução passa pelo fecho de 180 balcões até 2020, 70 dos quais encerram ainda este ano. Em 2017, fecharam 67 balcões, pelo que, com o encerramento destas 70 agências, a CGD terá ainda de fechar mais 43 balcões nos próximos dois anos.

Em França, há também negociações a decorrer entre a sucursal francesa e os sindicatos dos trabalhadores, conversações que estão suspensas. A intersindical FO-CFTC e a comissão de negociação dos trabalhadores não aceitaram a proposta apresentada pela direção durante as negociações. Os trabalhadores em França fizeram uma greve de quase três meses, que durou entre 17 de abril e 30 de junho.


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