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Caso BES: Em prisão domiciliária, Ricardo Salgado proibido de contactar restantes arguidos no processo
Economia 3 min. 25.07.2015

Caso BES: Em prisão domiciliária, Ricardo Salgado proibido de contactar restantes arguidos no processo

Ricardo Salgado foi constituído arguido pelo Ministério Público, na última segunda-feira, no âmbito da investigação "Universo Espírito Santo", segundo a Procuradoria-Geral da República

Caso BES: Em prisão domiciliária, Ricardo Salgado proibido de contactar restantes arguidos no processo

Ricardo Salgado foi constituído arguido pelo Ministério Público, na última segunda-feira, no âmbito da investigação "Universo Espírito Santo", segundo a Procuradoria-Geral da República
LUSA
Economia 3 min. 25.07.2015

Caso BES: Em prisão domiciliária, Ricardo Salgado proibido de contactar restantes arguidos no processo

O ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, que está em prisão domiciliária com vigilância policial, encontra-se proibido de contactar os restantes arguidos das investigações relacionadas com o "Universo Espírito Santo", informou hoje a Procuradoria-Geral da República (PGR).

O ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, que está em prisão domiciliária com vigilância policial, encontra-se proibido de contactar os restantes arguidos das investigações relacionadas com o "Universo Espírito Santo", informou hoje a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Na sequência do requerimento do Ministério Público, Ricardo Espírito Santo Silva Salgado foi na sexta-feira presente ao juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), no âmbito das investigações relacionadas com o denominado "Universo Espírito Santo".

"O arguido foi indiciado por factos suscetíveis de integrarem os crimes de burla qualificada, falsificação de documentos, falsificação informática, branqueamento, fraude fiscal qualificada e corrupção no setor privado", refere a PGR em comunicado.

"O juiz decidiu aplicar ao arguido a medida de coação de obrigação de permanência na habitação (sem sujeição a vigilância eletrónica), dela não se podendo ausentar sem autorização do tribunal", refere a PGR, acrescentando que "foi ainda fixada a proibição de contactos, designadamente com os restantes arguidos no processo".

Foi ainda determinada a comunicação à PSP das medidas aplicadas, "tendo solicitado a vigilância adequada a assegurar o cumprimento das obrigações impostas", acrescenta.

"As medidas de coação foram aplicadas com fundamento na existência de perigo de fuga e de perigo de perturbação do inquérito e da aquisição e conservação da prova", refere ainda a PGR, acrescentando que o "inquérito, que corre termos no Departamento Central de Investigação e Acção Penal, encontra-se em segredo de justiça".

Ricardo Salgado foi inquirido desde as 09:30 de sexta-feira, pelo juiz Carlos Alexandre, e já tinha sido interrogado e constituído arguido pelo Ministério Público, na segunda-feira, no âmbito da investigação "Universo Espírito Santo".

Segundo uma nota anterior da PGR, no âmbito da investigação "foram constituídos seis arguidos", estando "em causa a suspeita da prática de crimes de falsificação, falsificação informática, burla qualificada, abuso de confiança, fraude fiscal, corrupção no setor privado e branqueamento de capitais".

Advogado de Salgado vai recorrer da prisão domiciliária

O advogado de Ricardo Salgado considera a prisão domiciliária, medida de coação  decidida na sexta-feira para o seu cliente, como “bastante desproporcional” e anunciou que vai recorrer, em declarações aos jornalistas ao início de sábado.

Francisco Proença de Carvalho, que falava no exterior do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em Lisboa, disse que, no final do interrogatório a Ricardo Salgado, foram determinadas várias medidas de coação, das quais “a mais relevante é a obrigação de permanência na habitação”, de onde só pode sair “com autorização do meritíssimo juiz”.

Depois de declarar que não ia fazer “grandes comentários, o advogado disse que, no seu entendimento, esta medida de coação é “bastante desproporcional”, acrescentando: “Com todo o respeito pelo Estado de Direito e pelas regras, vamos apresentar recurso”.

O causídico adiantou que o ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES) se deslocou ao TCIC “voluntariamente, de forma bastante informal, como deve ser” e que “mais uma vez prestou declarações e deu os esclarecimentos que entende[u] que deve dar, sempre com uma postura cooperante, voluntária e de estar presente perante a justiça, como esteve neste ano”. Recordou a propósito que “já passou mais de um ano desde a saída do BES”, garantindo que “é essa sempre a postura”, de colaborar com a justiça.

Depois de repetir que “a postura [se] vai manter de colaboração [e] busca da verdade do que aconteceu no BES”, Francisco Proença de Carvalho garantiu que “não aceita[mos] julgamentos sumários de ninguém”.

No final das suas declarações aos jornalistas, ficou a frase: “As coisas não são como começam, mas como acabam”, adiantando: “Já vi muitos casos assim”.

Ricardo Salgado foi inquirido desde as 9h30 de sexta-feira, pelo juiz Carlos Alexandre, e já tinha sido interrogado e constituído arguido pelo Ministério Público, na última segunda-feira, no âmbito da investigação "Universo Espírito Santo", segundo um comunicado da Procuradoria-Geral da República (PGR), enviado à agência Lusa.

Segundo a mesma nota, no âmbito da investigação, "foram constituídos seis arguidos", estando "em causa a suspeita da prática de crimes de falsificação, falsificação informática, burla qualificada, abuso de confiança, fraude fiscal, corrupção no sector privado e branqueamento de capitais".


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