Escolha as suas informações

Casa Branca oferece ajuda para a UE não congelar no inverno
Economia 3 min. 08.10.2021
Crise energética

Casa Branca oferece ajuda para a UE não congelar no inverno

EUA descartam que Rússia esteja a estrangular o fornecimento de gás à UE, como forma de aumentar os preços e criar pressão política para a aprovação do pipeline Nord Stream 2, no Círculo Ártico (na foto).
Crise energética

Casa Branca oferece ajuda para a UE não congelar no inverno

EUA descartam que Rússia esteja a estrangular o fornecimento de gás à UE, como forma de aumentar os preços e criar pressão política para a aprovação do pipeline Nord Stream 2, no Círculo Ártico (na foto).
Foto: AFP
Economia 3 min. 08.10.2021
Crise energética

Casa Branca oferece ajuda para a UE não congelar no inverno

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Em Bruxelas, o conselheiro de segurança de Biden disse que Washington vai trabalhar com a Europa para resolver a crise energética.

Para evitar uma crise económica às cavalitas da crise provocada pela covid-19, a administração norte-americana quer formar uma parceria com a UE para manter o fornecimento de gás natural à altura da procura - que irá ainda crescer nos meses de inverno. Jake Sullivan, o conselheiro de segurança da Casa Branca, encontrou-se ontem, dia 7, com a Ursula von der Leyen, e representantes de topo da Comissão Europeia.

Sullivan evitou prosseguir as especulações – cada vez mais intensas – de que a Rússia estava a estrangular o fornecimento de gás à UE, como forma de aumentar os preços e criar pressão política para a aprovação do pipeline Nord Stream 2. "A Rússia tem um historial de usar a energia como arma de coerção, como uma arma política", disse em conferência de imprensa, mas adiantou que era um assunto que deixaria a outras entidades para explorar.

A preocupação dos Estados Unidos, sublinhou, é que "por várias razões, a oferta não está a acompanhar a procura do ressurgimento económico e nós temos um interesse fundamental em ver os stocks de energia – tanto de gás, como de petróleo – em níveis suficientes para a recuperação económica".

Jake Sullivan explicou que os passos que serão dados para ajudar o continente europeu a não enfrentar um doloroso inverno, incluem "alinhamento diplomático com os produtores de energia", que terão que "tomar medidas para aumentar o fornecimento".

A comissária europeia de energia, Kadri Simson, avisou que as reservas atuais de gás natural estão a 74%, sendo este o valor mais baixo da última década. “É um valor à justa”, disse, para não haver cortes de eletricidade no inverno. No ano passado, nesta altura estava a 94%.

No entanto, mesmo que a UE não sofra os blackouts que já aconteceram na China, teme-se que os milhões de famílias em situação energética aumente (eram 33 milhões em 2018), uma vez que os preços da eletricidade estão a subir em flecha, atingindo novos máximos todos os dias. A estes preços, mesmo as famílias mais abonadas não terão dinheiro para manter as suas casas suficientemente aquecidas.


Eurodeputados querem que energia seja um "bem comum" e propõem um "apagão" de protesto
A escalada dos preços da eletricidade e o receio de que não haja provisões suficientes para o inverno continua a alimentar discussões nas instituições europeias.

Kadri Simson disse na quarta-feira, dia 6, aos eurodeputados em Estrasburgo, que os países podem rapidamente apoiar os cidadãos em risco com "pagamentos diretos aos mais expostos à pobreza energética, redução dos impostos sobre energia". Estas medidas, disse a comissária, podem ser tomadas já por todos os países, sem ferirem as regras da concorrência em vigor.

Entre os países que já o fizeram encontra-se Espanha e França. O governo francês congelou os preços do gás e vai entregar cheques de 100 euros a 5,8 milhões de famílias.

A crise energética está também a afetar o Reino Unido. A National Grid, a gestora da rede elétrica, avisou que poderá ter que reduzir a produção, havendo risco grande de cortes de energia no inverno, com consequências para o conforto dos cidadãos, fecho de fábricas e um aumento da poluição atmosférica, uma vez que sem fornecimento de gás, as centrais energéticas passam a alimentar-se de combustíveis piores, como o fuelóleo ou o carvão.

O tema da crise energética será discutido na próxima cimeira europeia de chefes de Estado e de governo a 21 e 22 de outubro em Bruxelas.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Instabilidade dos mercados e especulação dos produtores está a fazer disparar o preço da eletricidade e eventuais cortes de abastecimento. A UE teme meses frios e de crise económica. A próxima cimeira europeia irá discutir o tema.