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Canal do Suez. Como um navio encalhado está a criar o caos no comércio mundial
Economia 6 3 min. 26.03.2021

Canal do Suez. Como um navio encalhado está a criar o caos no comércio mundial

Canal do Suez. Como um navio encalhado está a criar o caos no comércio mundial

Foto: AFP
Economia 6 3 min. 26.03.2021

Canal do Suez. Como um navio encalhado está a criar o caos no comércio mundial

Navio de contentores "Ever Given" está há quatro dias encalhado, bloqueando a circulação naval naquele que é um dos canais mais importantes do mundo. Tráfego marítimo poderá levar semanas a voltar ao normal e prejuízos já ascendem as milhares de milhões de euros.

Poderá demorar dias ou até semanas a desbloquear o canal do Suez, um dos mais importantes no comércio marítimo mundial. O navio "Ever Given" está há quatro dias encalhado no canal e os esforços para libertar o porta-contentores de 400 metros. e com mais de 220.000 toneladas.  e desbloquear a circulação  prosseguem esta sexta-feira.

Segundo a AFP, a empresa contratada para fazer o resgate do navio  foi cautelosa sobre o prazo para remoção da embarcação, afirmando que seriam precisos "dias ou mesmo semanas" para o tráfego retomar a normalidade no canal, por onde, segundo os especialistas, é transportado quase 10% do comércio marítimo internacional. 

O navio porta-contentores encalhou na terça-feira, alegadamente devido a ventos fortes combinados com uma tempestade de areia, o que provocou engarrafamentos no tráfego marítimo, no canal artificial, construído no Egipto, no final do século XIX, e que liga o Mediterrâneo e o Mar Vermelho.  

De acordo com a lista da consultora de seguros Lloyd's, mais de 200 navios estão atualmente retidos nas extremidades do canal e na área da exploração no meio do canal, causando grandes atrasos nas entregas de petróleo e de outros produtos. A paralisação teve mesmo um impacto nos preços do petróleo na quarta-feira.

Custos milionários para o comércio marítimo

Gigantes do comércio marítimo como os grupos Maersk e Hapag-Lloyd, da Alemanha, afirmaram esta quinta-feira estar a considerar desviar os seus navios e navegar à volta do Cabo da Boa Esperança, um desvio de 9.000 quilómetros, que agrava em 10 dias o tempo de viagem, uma vez que obriga a contornar o continente africano. 

Os custos globais deste bloqueio têm atingido duramente o negócio do transporte de contentores, estando avaliados em vários milhões. De acordo com a Lloyd's os custos são estimados em 5,1 mil milhões de dólares por dia (4,3 mil milhões de euros), no tráfego com destino à Europa, e em 4,5 mil milhões de dólares (3,8 mil milhões de euros) com destino à Ásia.

Segundo afirmou à AFP a companhia japonesa Shoei Kisen Kaisha, proprietária do navio, será preciso remover entre 15.000 e 20.000 metros cúbicos de areia para atingir uma profundidade de 12 a 16 metros que faça o navio voltar a flutuar. 

Esta sexta-feira, já estava concluído 87% do processo de remoção de areia e a previsão de uma grande maré alta, esperada no início da próxima semana, poderia ajudar as equipas técnicas a desbloquear o que falta.

O Egipto recebeu, entretanto, várias ofertas de assistência internacional, incluindo dos Estados Unidos, de acordo com a empresa. 

Na quinta-feira à noite, Mohab Mamish, conselheiro do Presidente egípcio Abdel Fattah al-Sissi para assuntos portuários, disse à AFP que a navegação seria retomada "dentro de 48 a 72 horas, no máximo". Mas algumas horas antes, a empresa holandesa Smit Salvage, que tem estado envolvida em grandes operações de salvamento nos últimos anos, incluindo o navio de cruzeiro italiano Costa Concordia, que encalhou ao largo da costa da Toscana em 2012, e o submarino nuclear russo Kursk, que se afundou com 118 homens em Agosto de 2000, e que foi chamada para ajudar no resgate do "Ever Given", tinha avisado que a operação poderia demorar "dias ou mesmo semanas". 

 A  Evergreen Marine Corp, empresa que opera o navio, com sede em Taiwan, pediu à Smit Salvage e à Nippon Salvage do Japão que criassem "um plano mais eficaz" para o resgate do "Ever Given", tendo os primeiros peritos chegado esta quinta-feira. 

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