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Caixa faz acordo com ING Luxemburgo para transferência de clientes

Caixa faz acordo com ING Luxemburgo para transferência de clientes

Foto: Pierre Matgé
Economia 2 min. 03.04.2019

Caixa faz acordo com ING Luxemburgo para transferência de clientes

Paulo Pereira
Paulo Pereira
Protocolo de cooperação comercial abre caminho a cerca de 3.500 clientes da CGD para que estes transfiram contas e créditos sem custos. Uma equipa com dez gestores de conta cuida dos interessados.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) estabeleceu "um acordo de cooperação comercial com o ING Luxemburgo" para que os seus perto de 3.500 clientes possam transferir contas e créditos para esta última instituição bancária, beneficiando de "condições preferenciais e sem quaisquer custos associados a estas operações". De acordo com fontes próximas do processo, para lá do apoio do lado da Caixa, existe no ING uma equipa com dez gestores que falam português para cuidarem de todas as questões relacionadas com estes casos.

O assunto foi definido no quadro do fim da atividade dos balcões da Caixa Geral de Depósitos no Grão-Ducado, apresentando-se como "uma alternativa à oferta de produtos e serviços" da CGD ao mesmo tempo que permite "uma solução de continuidade sem custos para os clientes".

A informação sobre o encerramento dos balcões da Caixa Geral de Depósitos no Luxemburgo foi adiantado, no final de julho do ano passado, pela Associação Luxemburguesa de Trabalhadores da Banca e Seguros (Aleba, na sigla em francês), e pelas centrais sindicais OGBL e LCGB, num comunicado em que se referia que as negociações para o plano social se tinham iniciado em meados do mesmo mês. Em causa ficaram os balcões nas cidades do Luxemburgo e de Esch-sur-Alzette, envolvendo 23 funcionários.

Ao mesmo tempo que inúmeros clientes surpreendidos com a notícia e preocupados faziam filas para levantar dinheiro aos balcões do banco, Paulo Macedo, presidente da CGD, informava que "a decisão estava prevista desde 2016", iria materializar-se até final de 2018 e, comentando a afluência de pessoas aos balcões, destacava: "O afluxo às agências pode sempre haver, achamos que também há afluxo pela ida de férias. Sendo o Luxemburgo uma sucursal, o que responde [pela liquidez] é a CGD como um todo, há uma segurança total sobre os depósitos, isso que fique muito claro".

A decisão mereceu repúdio de diversos quadrantes com críticas dos conselheiros das Comunidades eleitos pelo Luxemburgo, João Verdades e Rogério Oliveira, de Elisabete Soares, presidente da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL) e ainda dos representantes de partidos portugueses no país.

Na altura, chegou a ser exigida uma solução semelhante à que foi adotada para França – apesar da decisão inicial de encerramento, a forte contestação levou a que a decisão fosse revertida. Em comunicado, o Ministério das Finanças justificou esta alteração com o reconhecimento de que "a sucursal francesa tem atividade relevante para a operação do grupo CGD".

A Caixa passou por uma reestruturação a nível europeu, com o encerramento de vários balcões em Portugal, Espanha, França, África do Sul e Brasil. O plano foi estabelecido em 2017 com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização do banco público. Em Portugal, a redução passa pelo fecho de 180 balcões até 2020, 70 dos quais encerraram ainda no ano passado. Em 2017, fecharam 67 balcões, pelo que, com o encerramento destas 70 agências, a CGD terá ainda de fechar mais 43 balcões antes do fim do prazo. 


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