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Cada vez mais vozes exigem plano europeu de "tempo de guerra"
Economia 3 min. 06.04.2020

Cada vez mais vozes exigem plano europeu de "tempo de guerra"

Cada vez mais vozes exigem plano europeu de "tempo de guerra"

Foto: AFP
Economia 3 min. 06.04.2020

Cada vez mais vozes exigem plano europeu de "tempo de guerra"

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
Domingo o primeiro-ministro espanhol pediu um Plano Marshall. Esta segunda-feira economistas de várias universidades europeias reclamam medidas robustas e urgentes.

Num artigo de opinião publicado no domingo em vários jornais europeus, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, juntou-se às várias vozes que estão a pedir que as instituições europeias criem um plano de investimento público para salvar a economia europeia nos pós-crise provocada pela covid-19 .

Este plano teria um alcance semelhante à injeção de capital feita pelos Estados Unidos na recuperação da economia europeia no final dos anos 40, que ficou conhecido como Plano Marshall. "A União Europeia está a sofrer a mais dura crise desde a II Guerra Mundial. Os nossos cidadãos estão a morrer, ou a lutar pela vida em hospitais que estão a rebentar pelas costuras por uma pandemia que representa a maior ameaça à saúde pública desde a gripe de 1918", escreveu Sánchez, acrescentando que o atual inimigo está a por em perigo o projeto europeu. 

"As circunstâncias são excecionais e reclamam posições inequívocas: ou estamos à altura do desafio ou falharemos como União. Chegámos a um ponto crítico em que até o os governos europeus mais fervorosamente pró-europeus, como é o caso de Espanha, precisam de uma prova real de empenho. Precisamos de solidariedade inequívoca", acrescenta o ministro.

E embora apoiando as medidas recentes da Comissão Europeia de criar o plano Sure - de apoio ao emprego, que concede até 100 mil milhões de euros em empréstimos aos países - e a intervenção do Banco Central Europeu, mesmo com a mobilização de 750 mil milhões de euros, Sánchez diz que elas ficam muito aquém das necessidades: "A Europa precisa de uma economia de tempo de guerra e de promover a resistência, a reconstrução e a recuperação. E deve começar a fazê-lo o mais depressa possível, com medidas para suportar a dívida pública que muitos países, incluindo Espanha, estão a promover".

O momento de tomar medidas é agora, refere Sánchez, mas para recuperar da crise económica que se segue à crise sanitária, o governante espanhol insiste que será necessário "mobilizar recursos significativos, através de um plano, a que se está a chamar de novo plano Marshall e o qual irá requerer o apoio de todas as instituições da União Europeia". Sánchez pede que a saída da crise venha com um "pacote de estímulos e não com a austeridade" com que a União Europeia respondeu à crise económica de 2008.

"Desde que seja universal e não sujeito a condições, o Mecanismo Europeu de Estabilidade pode ser útil nas fases iniciais para injetar liquidez na economia europeia através de uma linha de crédito. Mas não vai ser suficiente a médio prazo". A solução, diz, "é quebrar com os velhos dogmas nacionais. Entrámos numa nova era e precisamos de respostas novas. Agarremo-nos aos nossos valores e reinventemos o resto”.

Economistas querem "títulos da renascença europeia"

Também numa carta aberta publicada esta segunda-feira, economistas de várias universidades europeias, propõem a criação de um fundo comum centralizado para responder às necessidades de todos os países, sem pesar nas dívidas nacionais de cada um. Os economistas signatários apoiam a criação de títulos de dívida conjunta (as chamadas coronabonds, a que um grupo de quatro países se tem oposto) a que se chamaria "títulos da renascença europeia".


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Na carta assinada pelos economistas, apresenta-se a pergunta retórica. "Afinal porque nós, cidadãos europeus, devemos estar juntos se não conseguirmos sequer criar uma resposta comum para uma ameaça comum? Sem uma resposta concertada o futuro da zona euro e da União Europeia ficará seriamente em risco.

É necessária uma resposta urgente para evitar um dano irreversível, escrevem os economistas no documento disponível online. Estes apelos antecipam a reunião de amanhã, 7 de abril, do Eurogrupo (que integra os ministros das finanças dos países aderentes à moeda comum), presidido pelo português Mário Centeno e onde uma resposta à crise irá ser discutida.

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