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Bruxelas autoriza recapitalização de 3,9 mil milhões de euros
Economia 5 min. 10.03.2017 Do nosso arquivo online
CGD

Bruxelas autoriza recapitalização de 3,9 mil milhões de euros

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Bruxelas autoriza recapitalização de 3,9 mil milhões de euros

Foto: Arquivo LW
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Bruxelas autoriza recapitalização de 3,9 mil milhões de euros

A Comissão Europeia autorizou hoje a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), no montante de 3,9 mil milhões de euros, após concluir que a operação não constitui um novo auxílio a favor do banco público.

A Comissão Europeia autorizou hoje a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), no montante de 3,9 mil milhões de euros, após concluir que a operação não constitui um novo auxílio a favor do banco público.

“O plano de negócios apresentado por Portugal prevê uma transformação estrutural da CGD e permitirá ao banco tornar-se rentável a longo prazo. A nossa apreciação revelou que o Estado português, enquanto acionista único da CGD, investe nas mesmas condições que um proprietário privado estaria disposto a aceitar. Por conseguinte, a recapitalização pelo Estado não constitui um novo auxílio estatal”, anunciou a comissária da Concorrência, Margrethe Vestager.

Ao início da tarde, numa conferência de imprensa no final da cimeira de líderes da União Europeia que teve lugar em Bruxelas, o primeiro-ministro, António Costa, já revelara que a Comissão Europeia iria hoje aprovar formalmente o processo de capitalização da Caixa, o que considerou “um facto muito positivo”, não só para o banco mas também porque resolve simultaneamente “parte substancial” do problema do crédito mal parado no sistema bancário português.

Em comunicado, o executivo comunitário aponta que a decisão de hoje, adotada na sequência do acordo de princípio celebrado entre a Comissária Vestager e as autoridades portuguesas em agosto de 2016, prevê que o Estado português reforce o capital da CGD em duas fases, num montante total de 3,9 mil milhões euros, ligeiramente inferior à verba prevista no acordo de princípio do ano passado, que apontava para 4,1 mil milhões de euros.

“Na primeira fase, concluída em janeiro de 2017, Portugal transferiu para a CGD a sua participação de 49% na Parcaixa, filial da CGD, com um valor contabilístico de cerca de 500 milhões de euros. Além disso converteu instrumentos de dívida que detinha na CGD, num montante total de cerca de 900 milhões de euros. Na fase seguinte, Portugal irá adquirir novas ações ordinárias da CGD, no valor de 2,5 mil milhões de euros”, explica a Comissão Europeia.

Bruxelas aponta que “Portugal apresentou um plano de negócios sólido, em vigor até ao final de 2020, para assegurar a rentabilidade a longo prazo do banco”, que será levado a cabo “por uma equipa de gestão recentemente nomeada” (liderada por Paulo Macedo), e que, segundo a Comissão, “identifica e dá resposta às atuais fragilidades da CGD e assegurará uma transformação estrutural do banco”.

“Em especial, o banco irá reforçar a sua solvabilidade e gestão dos riscos, implementar medidas profundas de redução de custos, adaptar as suas infraestruturas operacionais nacionais, modernizar a sua estrutura comercial nacional, reestruturar as suas operações internacionais e reforçar o seu modelo de governação”, refere o comunicado.

O executivo comunitário sustenta que “esta transformação estrutural deverá permitir que o banco regresse a uma situação de rentabilidade em 2018, garantindo que Portugal receba um retorno do seu investimento em condições de mercado, em conformidade com o que seria aceite por um investidor privado”.

“Assim, a Comissão concluiu que a recapitalização pelo Estado português é realizada em conformidade com os termos que um operador privado teria aceitado em condições de mercado. Por conseguinte, as medidas não constituem um novo auxílio estatal a favor da CGD”, que já beneficiou de um auxílio público em 2013.

A Comissão indica que acompanhará de perto, juntamente com as autoridades nacionais, a execução do plano de negócios, “com base nos objetivos acordados”.

“Portugal assegurará as respetivas adaptações se o plano não for respeitado. A decisão de hoje baseia-se no compromisso assumido por Portugal de assegurar, enquanto acionista”, sublinha Bruxelas.

Prejuízos históricos de 1.859 ME em 2016

A Caixa Geral de Depósitos teve um prejuízo histórico de 1.859 milhões de euros em 2016, mais de dez vezes superior aos resultados negativos de 171,5 milhões registados em 2015.

Este é o sexto ano consecutivo de prejuízos do grupo e os 1.859 milhões de euros são resultados negativos históricos.

Ainda em 2016, o banco constituiu provisões e imparidades (para fazer face a potenciais perdas, sobretudo para crédito) de 3.017 milhões de euros, o que compara com os 715 milhões de euros do ano anterior, e que a instituição diz que "foi decisivo para o resultado líquido".

Os resultados de 2016 são referentes às administrações lideradas por José de Matos, até final de agosto (parte importante do tempo em gestão), e de António Domingues, de setembro até final de dezembro.

Desde o início do ano, após a saída de Domingues com a polémica envolvendo as suas declarações de rendimentos e património, que o banco tem Paulo Macedo como presidente executivo e Rui Vilar como presidente não executivo ('chairman').

Emissão de dívida de 500 ME avança ainda este mês

A CGD vai realizar ainda este mês a emissão de dívida subordinada no montante de 500 milhões de euros, uma parte importante da operação de recapitalização em curso no banco público.

Esta informação foi hoje avançada em conferência de imprensa pelo administrador financeiro, José de Brito, tendo acrescentando que no prazo de 18 meses será realizada a restante emissão de dívida, de 430 milhões de euros.

A emissão de dívida que a CGD está a preparar faz parte do processo de recapitalização do banco, com o objetivo de aumentar o seu capital em cerca de 5.000 milhões de euros, o que servirá para assumir maiores níveis de imparidades (perdas potenciais, nomeadamente com créditos), cumprir rácios de capital (indicadores de solvabilidade da instituição) mais exigentes e ainda fazer face aos custos da reestruturação que será feita (sobretudo saída de pessoal, nomeadamente através de reformas).

Do valor total do aumento de capital, já foi executada a primeira fase, que equivale a cerca de 1.300 milhões que vieram de operações contabilísticas (a integração da ParCaixa e a conversão para capital das obrigações contingentes subscritas pelo Estado em 2012, os chamados 'CoCo').

Já o restante valor de 2.700 milhões vai ser uma injeção de dinheiro direta do Estado e cerca de 1.000 milhões de euros de emissão de dívida subordinada que conta para efeitos de capital.

Para já será feita a primeira fase da emissão de dívida, no valor de 500 milhões de euros, necessária pelo acordo com a Comissão Europeia para que o Estado injete os 2.700 milhões de euros.


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