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Brexit: Luxemburgo sem plano financeiro para ajudar empresas se acordo falhar

Brexit: Luxemburgo sem plano financeiro para ajudar empresas se acordo falhar

Foto: Michael Kappeler/dpa
Economia 4 min. 23.01.2019

Brexit: Luxemburgo sem plano financeiro para ajudar empresas se acordo falhar

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
Além dos planos financeiros, as alfândegas e a proteção dos cidadãos britânicos em solo europeu estão no topo das prioridades de todos os governos.

O chumbo pelo Parlamento britânico do acordo conseguido entre o Governo do Reino Unido e a União Europeia (UE) colocou consumidores, governos e empresas de sobreaviso. Os supermercados e as famílias estão a fazer stocks de comida e bens essenciais. Fazem-se as contas ao consumo de papel higiénico no Reino Unido e até as companhias aéreas estão a fazer reservas de ’snacks’ e de talheres de plástico. Muitos executivos europeus estão já a delinear planos de ajuda financeira para apoiar as empresas que sejam mais afetadas no caso de haver um Brexit sem acordo. É o caso dos governos francês, português, e holandês, entre outros, mas não do luxemburguês.

Na conferência que se seguiu ao Conselho de Ministros na passada sexta-feira, o Executivo disse não haver ainda conversações sobre uma eventual ajuda financeira às empresas. À questão colocada em inglês pelo Contacto, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean Asselborn, preferiu responder em luxemburguês: “Não falámos sobre ajudas, porque consideramos que não será necessário chegar a esse ponto”. Contudo, explicou que haverá uma reunião na Câmara de Comércio com a presença do Governo e das empresas para que estas coloquem dúvidas e para que se possam avaliar as consequências.

Além dos planos financeiros, as alfândegas e a proteção dos cidadãos britânicos em solo europeu estão no topo das prioridades de todos os governos. E estes já estão a ser também acautelados pelo Grão-Ducado. Durante a conferência, Asselborn afirmou, por exemplo, que o Executivo está a trabalhar para garantir que os britânicos que trabalhem no Luxemburgo não percam o seu emprego.

“Para aqueles que a 29 de março – dia em que o Reino Unido sai da UE – vivam aqui, terão um ano para pedir uma autorização de residência”. Em causa estão cerca de seis mil britânicos que vivem atualmente no Grão-Ducado. O Luxemburgo está também a trabalhar numa solução para reconhecer os diplomas de medicina e paramedicina.


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Alguns países europeus estão já a quantificar e delinear planos financeiros. Há já vários exemplos de programas de ajuda financeira destinados às empresas em vários países. Portugal tem um plano de contigência para o caso de não haver acordo que inclui uma linha de 50 milhões de euros. Isto porque se o Brexit acontecer na data prevista, a 30 de março, o Reino Unido será tratado como um Estado terceiro, o que vai obrigar a controlos aduaneiros e sanitários adicionais.

O ministro da Economia português, Pedro Siza Vieira, explicou, citado pelo Jornal de Negócios, que o dinheiro poderá servir para apoiar as empresas que tenham de investir para acompanhar os novos processos alfandegários e para aquelas que queiram diversificar as suas exportações.

França tem também um programa no mesmo montante (de 50 milhões de euros) para reforçar os portos e aeroportos e vai contratar cerca de 700 trabalhadores até 2020 para controlar as alfândegas. Além disso, vai legislar para proteger os cerca de 200 mil britânicos que lá vivem, dando 12 meses para regularizar a sua situação, sob reserva de reciprocidade do Reino Unido. Por sua vez, a Irlanda, principal vizinha do Reino Unido, anunciou a contratação de mil novos trabalhadores para reforçar as alfândegas e as autoridades sanitárias.

Dublin tem já 1,5 mil milhões de euros de parte para fazer face a qualquer consequência em caso de um não acordo. A Holanda será também um dos países mais afetados, até porque boa parte do comércio passa pelo porto de Roterdão. O governo holandês preparou um orçamento de 100 milhões de euros e prevê a contratação de mil novos agentes aldândegários. A Bélgica já disse que quer recorrer ao apoio dos fundos comunitários para ajudar as empresas e as regiões mais afetadas.


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