Brexit. "Luxemburgo já é uma das capitais financeiras europeias"
Brexit. "Luxemburgo já é uma das capitais financeiras europeias"
Agora é de vez. O Reino Unido sai da União Europeia na próxima sexta-feira. Uma das consequências do Brexit para o Luxemburgo é a mudança de várias empresas do setor financeiro da praça de Londres para o Grão-Ducado. Assim mantêm-se no mercado único europeu.
Mas o presidente da Câmara de Comércio do Luxemburgo desvaloriza esta situação, considerando que "não causa grande impacto no país". Para Luc Frieden, o Luxemburgo já é uma das capitais financeiras da Europa, com "uma economia aberta e diversificada".
A opinião foi manifestada numa entrevista aos jornais 'El País' e 'Expansión', durante a recente visita a Espanha. Questionado se, com o Brexit, a praça financeira luxemburguesa poderia tornar-se na nova City de Londres, o presidente da Câmara do Comércio e antigo ministro das Finanças lembrou que o Grão-Ducado é já "uma das praças mais fortes em gestão de ativos" e "líder em fundos de investimento".
Luc Frieden defende que as leis do país "estão feitas para investidores que operam no plano internacional", convertendo o Luxemburgo numa das capitais europeias dos serviços financeiros, juntamente com Paris, Amesterdão e Frankfurt.
Confrontado sobre os baixos impostos cobrados às multinacionais e com o facto de o Luxemburgo ser conotado por organismos independentes como paraíso fiscal, Luc Frieden rejeita essa qualificação.
"O Luxemburgo segue as regras sobre a fiscalidade internacional estabelecidas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e pela União Europeia (UE)" e "as empresas escolhem o Luxemburgo pelo ecossistema económico que desenvolveu nos últimos 20 anos".
"Se fosse um paraíso fiscal, a OCDE e a UE já teriam optado por uma intervenção, mas não o fizeram", assegura o ex-ministro das Finanças do último governo de Jean-Claude Juncker.
Luc Frieden diz ainda que "qualquer país da Europa pode implementar as mesmas leis" do Grão-Ducado, onde as empresas e os contribuintes pagam impostos que se situam na média da OCDE".

