Escolha as suas informações

Berlim e Paris fazem planos: recuperar economia com dívida europeia
Economia 4 min. 20.05.2020

Berlim e Paris fazem planos: recuperar economia com dívida europeia

Berlim e Paris fazem planos: recuperar economia com dívida europeia

Foto: AFP
Economia 4 min. 20.05.2020

Berlim e Paris fazem planos: recuperar economia com dívida europeia

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
A uma semana de ser conhecida a proposta da Comissão Europeia de orçamento e fundo de recuperação, um coro de políticos quer dinheiro em subsídios, as coronabonds são aceites em Berlim e os eurodeputados ameaçam boicote se não houver um plano ambicioso.

A chanceler alemã já tinha dado boas pistas de que a Alemanha ia trair o grupo dos "forretas", como lhe chama o primeiro-ministro português, António Costa. E na segunda-feira, dia 18, Angela Merkel cumpriu a ameaça, com um casamento escandaloso com França. Numa declaração conjunta, depois de uma videoconferência entre Berlim e Paris, Merkel e o Presidente francês Emmanuel Macron anunciaram que iam propor à Comissão Europeia (CE) um plano no valor de 500 mil milhões de euros que seriam atribuídos através de subvenções aos países europeus como forma de saída da crise económica profunda que se espera.

Ao contrário do grupo dos países conhecidos como os "frugais" do norte (que não querem gastar muito do seu dinheiro para ajudar os mais aflitos com a crise da covid-19, que por coincidência são os países do sul), Merkel admitiu que a primeira boia de salvação deve ser dada sob a forma preferencial de subvenções (que seriam encaminhadas através dos programas comunitários já existentes e não terão que ser devolvidas) e não de empréstimos (que serão pagos, mesmo a longo prazo). 

Além desta heresia em relação ao pensamento do grupo da Áustria, Dinamarca e Holanda, a chanceler alemã concordou também, formalmente pela primeira vez, com a ideia de a União Europeia emitir dívida pública em larga escala, como forma de financiar este pacote para relançar rapidamente a economia europeia.

Angela Merkel, que conhece os perigos políticos de uma recessão económica profunda – em países onde ressurgem nacionalismos e movimentos neo-nazis – já tinha afirmado que a Alemanha deveria aumentar a sua contribuição líquida para o orçamento comunitário, subindo acima dos 1% do PIB (Produto Interno Bruto), que o grupo dos frugais tem dito que é o seu limite. Agora, renegou um dogma do grupo do qual fazia parte.


Será este o início do fim da presença da UE no Grão-Ducado?
A Comissão Europeia vai reposicionar a Agência de Execução da Comissão Europeia para os Consumidores, a Saúde, a Agricultura e a Alimentação (CHAFEA), que existia há mais de uma década no Grão-Ducado.

Para este plano proposto pela nova aliança franco-alemã sair do papel e passar à prática é preciso que todos os países concordem com ele, mas os três frugais, que estão entre os países que contribuem com mais dinheiro para o orçamento comunitário, estão cada vez mais acossados, embora o seu porta-voz, o primeiro-ministro holandês tenha dito várias vezes que nunca será a favor das chamadas coronabonds, ou recovery bonds, como está a ser conhecida a ideia de emissão de títulos de dívida conjunta. E agora, o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, reafirmou as convicções: "A nossa posição é a mesma de sempre". E especificou: "Estamos preparados para ajudar os países com empréstimos".

Ursula von der Leyen, a presidente da CE, também respondeu à proposta da França e da Alemanha, reconhecendo que tem recebido a contribuição intelectual e a disponibilidade dos dois países: "Agradeço a proposta construtiva feita pela França e pela Alemanha. Reconhece o alcance e a dimensão do desafio económico que a Europa enfrenta, e corretamente coloca o enfâse na necessidade de encontrar uma solução que tenha o orçamento europeu por base. O que vai ao encontro da proposta em que a Comissão está a trabalhar, e que também leva em consideração os pontos de vista de todos os Estados-membros e do Parlamento Europeu".

Dentro de uma semana, no próximo dia 27 de maio, von der Leyen deverá apresentar o Fundo de Recuperação mais imediato das economias e o Quadro Financeiro Plurianual (QFP) para 2021-27. Os dois instrumentos deverão estar estritamente ligados e, tal como von der Leyen anunciou, deverão ser robustos e permitir uma reconversão verde e digital da economia europeia.

Eurodeputados querem 2 biliões

Na sexta-feira da semana passada, no dia 15, os eurodeputados também agarraram as rédeas da recuperação económica europeia e fizeram saber que vão estar presentes a defender "os interesses dos cidadãos". O Parlamento Europeu aprovou uma resolução que pede dois biliões de euros a mais para a recuperação económica pós covid-19. E que esse dinheiro não seja obtido através da delapidação dos programas europeus já em curso, mas através de novas fontes de financiamento e de novos recursos para o orçamento europeu. Quer seja sobre a forma de títulos de dívida, ou com a criação de impostos de carbono às indústrias poluentes ou aos grandes conglomerados digitais, normalmente conhecidos como GAFAM.


Bruxelas prevê "medidas sanitárias praticamente idênticas" para turistas na UE
A Comissão Europeia estimou esta segunda-feira que, no próximo verão, os turistas europeus sejam capazes de “se mover livremente” na União Europeia (UE) dispondo de medidas de segurança “praticamente idênticas” às dos seus países, devido à pandemia de covid-19.

Os eurodeputados exigiram ainda estar mais presentes na fase de encontrar soluções e avisaram que um orçamento e um fundo de recuperação que não estivessem à altura do desafio de recuperar a economia europeia, de forma equilibrada entre todos os países e cumprido os requisitos do Pacto Ecológico Europeu e da estratégia digital, não seriam aprovados.

Nesse mesmo dia à tarde, a reunião semanal do Eurogrupo para discutir o cenário pós covid-19, já contou com a participação da presidente da comissão de economia do Parlamento Europeu, Irene Tinagli. Mário Centeno, o ministro das Finanças português, e presidente do grupo que reúne os responsáveis das finanças dos países da zona euro, escreveu no comentário após a reunião: "Tomei nota das preocupações do Parlamento Europeu e agradeci na pessoa da Irene o trabalho duro neste período de crise, que foi epitomizado na resolução recentemente adotada pelo Parlamento Europeu".

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Eurodeputados exigem pelo menos 2 biliões de euros para recuperar economia
Os eurodeputados agarram as rédeas: pelo menos 2 biliões de euros a mais, sobretudo em subsídios e não em empréstimos, é o que deverá constar no plano para recuperar a economia. E o Parlamento Europeu insiste em participar no desenho do orçamento para 2021-27, que se criem novas fontes de financiamento e que não haja “malabarismos” com os números.