Escolha as suas informações

BCE quer examinar carteiras dos bancos para expor risco climático
Economia 3 min. 17.09.2021
Clima

BCE quer examinar carteiras dos bancos para expor risco climático

 Christine Lagarde , Presidente do Banco Central Europeu (BCE)
Clima

BCE quer examinar carteiras dos bancos para expor risco climático

Christine Lagarde , Presidente do Banco Central Europeu (BCE)
Foto: AFP
Economia 3 min. 17.09.2021
Clima

BCE quer examinar carteiras dos bancos para expor risco climático

No cenário político europeu, considera-se que os bancos devem tornar-se um elemento-chave na luta contra as alterações climáticas, desviando o capital dos poluidores.

O Banco Central Europeu (BCE) analisará as operações comerciais dos grandes credores como parte dos "testes de stress climático" que pretendem avaliar o impacto ambiental já no próximo ano. A medida chega depois de constatar que a mera avaliação dos livros de empréstimos, por si só, não dará uma visão suficiente das consequências que provocam no ambiente.

Na prática, os bancos da zona euro terão de estimar as emissões de carbono das empresas por detrás da maior parte das suas receitas provenientes de taxas e juros. Terão também de fornecer dados sobre as emissões, empréstimos e receitas associadas aos seus maiores clientes em todas as indústrias. A decisão de incluir as carteiras de negociação dos bancos acrescenta uma camada adicional de complexidade ao exercício. 

No entanto, também permitirá ao BCE ver o que poderá acontecer às carteiras de acções ou obrigações se forem expostas a choques como as perdas na dívida das companhias petrolíferas, disse de la Mora.


Luxemburgo é o país que mais perdeu com empréstimos a longo prazo do BCE
O Luxemburgo é o país da zona euro que mais perdeu com o financiamento a longo prazo promovido pelo Banco Central Europeu (BCE) durante o primeiro trimestre de 2021.

Ainda não são conhecidos os parâmetros dos testes que o BCE levará a cabo, mas sabe-se que estudará também os riscos de reputação e operacionais que os bancos enfrentam, segundo informou à Bloomberg a Alvarez & Marsal, uma empresa de consultoria que está envolvida no processo. 

Chegar às operações comerciais dos bancos representa um desafio adicional para uma indústria que já avisou que não está preparada para os testes de referência do próximo ano. 

Segundo a Bloomberg, o BCE procura mais detalhes do que outros bancos centrais e, nos bastidores, tem aumentado a pressão sobre a indústria para que se alinhem com o momento que o planeta enfrenta, já que na Europa os políticos querem que os bancos se tornem uma tábua chave na luta contra as alterações climáticas, afastando capital dos poluidores. 

O BCE já se mostrou preocupado com a falta de preparação dos bancos para a turbulência que se avizinha, à medida que as condições meteorológicas extremas se vão tornando mais frequentes e as emissões de carbono cada vez mais caras.

No entanto, bancos avisam que não terão os dados dos clientes a tempo do teste, de acordo com uma sondagem realizada pela Bloomberg junto do setor. Os investidores estão a tomar nota, uma vez que os bancos sobrecarregados por altas quantidades de carbono podem enfrentar requisitos de capital mais elevados, o que poderia corroer o seu poder de pagar dividendos. 

Mas "nenhum banco tem o que o BCE quer", disse Fernando de la Mora, um diretor-geral da Alvarez & Marsal que está a aconselhar os bancos sobre como se preparar para os testes de stress climático. "Os bancos globais enfrentam o desafio adicional de encontrar dados de regiões fora da Europa, o que é limitado", acrescentou. Da parte do BCE, um porta-voz recusou-se a comentar à Bloomberg.

De acordo com Alvarez & Marsal, o Banco Central Europeu também está a pedir aos bancos dados sobre emissões de carbono associadas às receitas que geram. O Banco de Inglaterra (BoE), que havia comunicado a falta de dados disponíveis, optou este ano por realizar testes climáticos.

Segundo a análise da consultora, tanto o BCE como o BoE estão a pedir aos credores que utilizem um horizonte de 30 anos para avaliar como é que os seus balanços irão resistir aos riscos decorrentes da transição da economia para indústrias poluentes, de acordo com a Alvarez & Marsal. No entanto, o Banco de Inglaterra está a pedir aos bancos que também considerem três décadas futuras ao considerarem riscos físicos como condições meteorológicas extremas ou incêndios, enquanto o BCE está a utilizar um horizonte de um ano. 

 "O teste do BCE cobre mais áreas do que o do BoE, mesmo que utilizem os mesmos cenários", disse de la Mora, que acrescenta "provavelmente haverá um impacto limitado no capital" dos testes, porque o objetivo em primeiro lugar e acima de tudo é "empurrar os bancos para desenvolverem as suas capacidades". 

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

O número de bancos com sede na União Europeia (UE) recuou ligeiramente em março para 3.154 instituições, menos 13 do que no final de 2016, indicou hoje o Banco Central Europeu (BCE).
O Banco Central Europeu manteve inalterada a política de estímulos lançada em Março. O presidente daquele organismo, Mario Draghi, espera para ver o impacto que as medidas adoptadas terão nos próximos meses.
O presidente o Banco Central Europeu, Mario Draghi, espera para ver o impacto que as medidas anunciadas em Março terão na eocnomia