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BCE baixa juros e relança compra de ativos (atualizada)
Economia 3 min. 12.09.2019

BCE baixa juros e relança compra de ativos (atualizada)

BCE baixa juros e relança compra de ativos (atualizada)

Foto: Reuters
Economia 3 min. 12.09.2019

BCE baixa juros e relança compra de ativos (atualizada)

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
As medidas são um pouco menos arrojadas do que chegou a ser esperado pelos mercados e pode ficar a dever-se ao facto de a retoma da compra de ativos ter encontrado resistências importantes entre alguns membros do Conselho do BCE.

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou uma redução das taxas de juro e relançou o programa de compra de ativos.

Na sua penúltima decisão como presidente do BCE, Mario Draghi, lançou mais um pacote de estímulos à zona euro, numa altura em que a região da moeda única vê a economia abrandar e que algumas das maiores economias estão ameaçadas com a possibilidade de recessão como é o caso da Alemanha. O objetivo é animar a economia e a inflação, que teima em manter-se abaixo da meta de 2% (a meta do BCE é um valor abaixo, mas próximo dos 2%).

Assim, Draghi empurrou a taxa de juro diretora para terreno ainda mais negativo, para -0,5% (até agora estava nos -0,4%) e avançou mesmo com o ‘quantitive easing’, de 20 mil milhões de euros por mês, a partir de novembro.

As medidas são um pouco menos arrojadas do que chegou a ser esperado pelos mercados e pode ficar a dever-se ao facto de o programa de retoma da compra de ativos ter encontrado resistências importantes entre alguns membros do Conselho do BCE. Havia agora algumas dúvidas em relação ao relançamento daquele programa, devido à oposição que foi ganhando desde que Draghi falou naquela possibilidade, na reunião de julho: Alemanha, Holanda, Estónia e Áustria opõem-se ao relançamento do ‘quantitative easing’. O governador do Banco de França, François Villeroy de Galhau, também questionou a necessidade de retomar o programa no momento atual.

No entanto, o mercado já tinha absorvido a ideia de que aquele programa seria relançado e um recuo de Draghi poderia ser mal interpretado. Em declarações ao Contacto feitas antes da decisão de hoje, o economista-chefe do grupo BNP Paribas, William de Vijlder, confirmava a incerteza criada entre investidores e analistas. Vijlder dizia esperar que o programa avance, mas reconhecia estar “menos convencido disso do que antes”.

Quanto às taxas de juro, o discurso de Draghi mudou, já que o presidente do BCE não deu um horizonte temporal para voltar a subi-las. Até aqui dizia que deveriam manter-se baixas até a meio de 2020. De acordo com o comunicado, a mensagem é agora a de que a taxa de juro diretora deve manter-se no nível atual ou mais baixo até que a previsão de inflação convirja para um nível suficientemente próximo, ou abaixo, dos 2%”.

Para compensar os bancos pela redução dos juros, o BCE preparou medidas que os ajudam a lidar com a perda de rentabilidade que daí advém: é que uma das consequências da política de juros negativos é os bancos passarem a pagar pelo dinheiro que têm parqueado junto do BCE. O objetivo é incentivar as instituições financeiras a fazer circular o dinheiro em empréstimos e investimento. O banco central vai, então, introduzir um sistema de ‘tiering’, isto é, vai isentar os bancos de pagar as taxas de juro negativas sobre os depósitos de parte das suas reservas. O Financial Times explica que outros países com juros negativos, como o Japão, Dinamarca e a Suíça já implementaram medidas semelhantes. Além disso, haverá taxas de juro mais atrativas para os empréstimos feitos à banca.

As medidas provocaram a reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acusou o BCE de tentar desvalorizar o euro. A resposta veio, como habitual, no Twitter: “Estão a tentar, e a conseguir, depreciar o euro contra o muito forte dólar, prejudicando as exportações norte-americanas”.


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