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Bancos podem vir a ser os primeiros a pedir CovidCheck aos trabalhadores
Economia 3 min. 14.10.2021
Nova 'lei covid'

Bancos podem vir a ser os primeiros a pedir CovidCheck aos trabalhadores

Nova 'lei covid'

Bancos podem vir a ser os primeiros a pedir CovidCheck aos trabalhadores

Foto: Gerry Huberty/Luxemburger Wort
Economia 3 min. 14.10.2021
Nova 'lei covid'

Bancos podem vir a ser os primeiros a pedir CovidCheck aos trabalhadores

Kate OGLESBY
Kate OGLESBY
O banco Spuerkeess já se encontra a preparar a utilização do sistema, informou a assessoria da instituição.

Os bancos luxemburgueses poderão ser os primeiros a implementar o CovidCheck no trabalho, depois do anúncio do Governo na semana passada. O plano para permitir que as empresas implementem o regime 3G (testado, recuperado ou vacinado) tem gerado oposição por parte de sindicatos de trabalhadores. 

Em oposição, o lobby bancário luxemburguês - a ABBL - já saudou a medida que tem como objetivo convencer mais pessoas a tomar a vacina. De acordo com o Governo o plano também obrigará bares e restaurantes a utilizar o sistema CovidCheck antes de os clientes se poderem sentar para uma bebida ou uma refeição. 

"Os nossos membros dão-lhe as boas-vindas", afirmou Judith Gledhill, chefe de operações da ABBL. "Quando discutimos a ideia, ela foi recebida de forma bastante positiva porque é uma forma de gerir melhor o local de trabalho". E já há pelo menos uma banco a tentar por o regime em prática: o Spuerkeess, banco estatal luxemburguês, confirmou o porta-voz, Thorunn Egilsdottir. 

Outros bancos poderão avançar com a medida, disse ainda Gledhill da ABBL, acrescentando que cada empresa tem a liberdade de decidir a melhor forma de se organizar à medida que mais pessoas regressam ao escritório. Segundo o Governo, o sistema CovidCheck nas empresas será opcional mas a partir do momento em que seja utlizado haverá sanções para os trabalhadores que não respeitem a medida.


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Implementação do regime nas empresas vai estar integrado na nova 'lei covid', que entra em vigor a 1 de novembro.

De acordo com o CovidCheck qualquer pessoa que tenha sido totalmente vacinada, tenha recuperado da doença ou possa mostrar o resultado negativo de um teste recente passa o sistema CovidCheck, que consiste num código QR num telemóvel ou em formato papel.

A taxa de vacinação do Grão-Ducado situa-se abaixo da média na UE, com 74,1% dos seus residentes adultos totalmente vacinados, segundo o Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDPC). O valor é muito inferior aos vizinhos: em França, o número situa-se nos 85%, na Alemanha nos 77,4% e na Bélgica é de 85,4%. 

Uma vez aprovado pelo Parlamento, a medida entrará em vigor a 1 de novembro, e os empregadores podem recusar trabalhadores no caso de estes não apresentarem CovidCheck à entrada do seu local de trabalho, afirmou o primeiro-ministro, Xavier Bettel, numa conferência de imprensa na semana passada. 

O mesmo se aplica ao pessoal que se recusa a fornecer informações sobre o seu estado de saúde. Um gestor poderia, assim, por exemplo, ordenar que determinados colaboradores trabalhassem à distância, emitir um aviso ou mesmo reter salários devido à não apresentação do CovidCheck. No setor público, são mesmo possíveis processos disciplinares ou despedimentos, diz também o projeto de lei.


Sindicato do setor financeiro preocupado com novas medidas CovidCheck nas empresas
A ALEBA considera que regime constitui um risco de violação do segredo médico e da vida privada dos trabalhadores.

 Luxemburgo atrasado

O Grão-Ducado está mais atrasado que os seus pares europeus na introdução de medidas para impulsionar as vacinações. Com a introdução de medidas impositivas semelhantes em França as taxas de vacinação dispararam. No entanto, no Luxemburgo tem sido muito contestado pelos sindicatos, que dizem que as medidas poderão violar a privacidade dos funcionários. 

A "escolha de ser ou não vacinado constitui uma verdadeira ameaça ou fonte de pressão para os trabalhadores", afimrou a ALEBA que representa os trabalhadores bancários num comunicado de imprensa na segunda-feira.

A utilização do sistema Covidcheck por parte dos bancos teria um grande impacto na economia luxemburguesa, onde os bancos constituem um terço da economia do país e empregam um total de 26.000 pessoas, 6% da população ativa.

Ao mesmo tempo que se preparam para introduzir o CovidCheck, os bancos também planeiam ter orientações melhor definidas sobre o teletrabalho até ao início do próximo ano, revela  Catherine Bourin, membro do conselho de administração da ABBL. 

Outros setores estão também a pensar num regresso gradual dos trabalhadores ao escritório. As instituições europeias, por exemplo, permitem atualmente um máximo de 50% dos seus colaboradores no escritório de uma só vez. 

"Em princípio, todos os membros do pessoal devem trabalhar no escritório pelo menos um dia por semana", disse uma porta-voz da Comissão Europeia no Grão-Ducado. "Durante o resto da semana, a presença no gabinete será voluntária". No mesmo sentido, a consultora PwC tem pedido aos funcionários que trabalhem no escritório em média dois dias por semana, afirmou Anne-Sophie Preud'homme, directora de operações da empresa no Luxemburgo.

(Artigo original publicado no Luxembourg Times.)

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