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As questões do 5G, entre espionagem e tentativa de eliminar concorrentes

As questões do 5G, entre espionagem e tentativa de eliminar concorrentes

Foto: AFP
Economia 4 min. 24.03.2019

As questões do 5G, entre espionagem e tentativa de eliminar concorrentes

O assunto tem sido marcado pelas suspeitas de espionagem chinesa, lançadas pelos norte-americanos, fazendo tábua rasa com a colaboração das grandes empresas informáticas dos EUA com a sua principal agência de espionagem, a NSA.

A rede móvel de quinta geração (5G) está a ser desenvolvida em vários países do mundo, estando os asiáticos e os Estados Unidos mais posicionados para vencer a 'corrida' tecnológica. Nesta ‘corrida’ está também a União Europeia (UE), com os Estados-membros a darem passos para que o 5G seja disponibilizado, de forma comercial, em pelo menos uma cidade por país até 2020 e para que haja uma cobertura mais abrangente até 2025.

Ainda assim, os avanços são maiores fora da UE, já que “os Estados Unidos, o Japão, a Coreia do Sul e a China são os principais países em termos de desenvolvimento” desta tecnologia, admite o Observatório Europeu para o 5G no seu relatório de acompanhamento mais recente, datado de final do ano passado.

Além de monitorizar o que está a ser feito na União, este observatório criado pela Comissão Europeia acompanha a aposta no resto do mundo, indicando no relatório, a que a agência Lusa teve acesso, que “os Estados Unidos são um país muito avançado no 5G”, sendo esperado em breve que as operadoras AT&T ou Verizon o comercializem, após testes no ano passado.

Também a China está “a experimentar o 5G”, prevendo o seu lançamento comercial em 2020 através da China Unicom e da China Telecom, segundo o documento.

Antes, para o segundo semestre deste ano, é apontada a comercialização do 5G na Coreia do Sul, país que chegou a testar esta tecnologia numa zona limitada dos jogos olímpicos de inverno, em fevereiro do ano passado, na região de PyeongChang.

No próximo ano, esta oferta comercial deverá chegar ao Japão, com “os operadores japoneses a pretenderem lançar o 5G a tempo de acolher os jogos olímpicos e paraolímpicos de verão em agosto de 2020”, segundo o relatório.

“Além destes países e da UE, outros estão a planear desenvolvimentos no 5G, como a Índia, a Austrália, o Canadá, a África do Sul e os países do Golfo, como os Emirados Árabes Unidos, o Qatar e a Arábia Saudita”, aponta o mesmo documento do Observatório Europeu.

No caso da Índia, o lançamento comercial só é estimado para 2022.

Entre os restantes, “o Qatar e os Emirados Árabes Unido reivindicam ter sido os primeiros a lançar o 5G”. Porém, “sem qualquer dispositivo 5G disponível até ao momento [nestes dois países], parece ter sido mais uma ‘luz verde’ para a infraestrutura do que um lançamento comercial completo”, observa o relatório.

No que toca aos principais fabricantes de equipamentos 5G, o documento aponta a Ericsson, a Huawei, a Nokia, a Samsung e a ZTE, alguns dos quais podem vir a ser lançados ainda este ano.

É, contudo, a chinesa Huawei que está no cerne da polémica, estando acusada de 13 crimes por procuradores norte-americanos, incluindo fraude bancária e espionagem industrial.

O Congresso dos Estados Unidos chegou, inclusive, a proibir agências governamentais de comprarem produtos da Huawei, ao abrigo da Lei de Autorização de Defesa Nacional, por considerar que a empresa serve a espionagem chinesa.

Ao mesmo tempo, o país tem pressionado vários outros, incluindo Portugal, a excluírem a Huawei na construção de infraestruturas para redes de 5G.

Sobre a acusação dos EUA à Huawei, os chineses têm rejeitado alegações sobre a segurança da sua tecnologia 5G, insistindo que não tem “portas traseiras” para aceder e controlar qualquer dispositivo, sem o conhecimento do utilizador.

Os EUA ao fazerem essas acusações fica a dúvida se apenas querem colocar fora de mercado um concorrente perigoso para as suas empresas, ao mesmo tempo que há poucas garantias que as empresas tecnológicas norte-americanas não passem dados para a espionagem os EUA, como o fizeram no passado. 

Recorde-se que segundo a investigação do diário britânico The Guardian, que citava documentos fornecidos pelo ex-analista da CIA Edward Snowden, provava-se pela primeira vez a vinculação entre algumas principais empresas gigantes das novas tecnologias e da internet e os programas de espionagem norte-americanos.

Na altura, os documentos publicados revelavam que  Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos da América (NSA) pagou milhões de dólares a grandes empresas, como a Yahoo, Google, Microsoft e Facebook, para compensar os custos associados aos pedidos de vigilância informática.


Edward Snowden lebt an einem geheimen Ort in Russland. Am Dienstag spricht er per Video-Schaltung auf der CeBIT in Hannover.
Tecnologia: Edward Snowden afirma que se vive na "era dourada da vigilância"
O ex-analista informático da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) Edward Snowden, afirmou hoje que se vive uma "era dourada da vigilância" dos cidadãos, que os governos não têm interesse em impedir.

A Huawei informou ainda que vai processar o Governo dos Estados Unidos por ter proibido a compra dos equipamentos de telecomunicações pelos serviços públicos.

Entretanto, em meados deste mês, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Nato), Jens Stoltenberg, disse estar a ponderar eventuais ações contra a Huawei, tendo em conta as preocupações de segurança.

Também nessa altura, o Parlamento Europeu mostrou-se preocupado com a ameaça tecnológica chinesa na UE, instando a Comissão Europeia a agir perante possíveis acessos ilegais a dados em equipamentos móveis de 5G.

Já esta semana, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, pediu aos países da UE que garantam livre concorrência para as empresas chinesas, e denunciou tentativas de "afundar" grupos como a Huawei por motivos de segurança.

Com Lusa

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