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ArcelorMittal recebe 280 milhões de euros para cumprir Acordo de Paris
Economia 3 min. 27.09.2021
Aço verde

ArcelorMittal recebe 280 milhões de euros para cumprir Acordo de Paris

ArcelorMittal, em Rodange.
Aço verde

ArcelorMittal recebe 280 milhões de euros para cumprir Acordo de Paris

ArcelorMittal, em Rodange.
Lex Kleren
Economia 3 min. 27.09.2021
Aço verde

ArcelorMittal recebe 280 milhões de euros para cumprir Acordo de Paris

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
A líder do aço sediada no Luxemburgo quer reduzir a sua pegada ambiental em 35% em 2030.

O Banco Europeu de Investimentos (BEI) anunciou hoje, dia 27, um empréstimo de 280 milhões de euros para ajudar o gigante siderúrgico ArcelorMittal a cumprir os seus objetivos de descarbonização. A companhia - que é o maior produtor de aço no mundo e tem sede no Luxemburgo - comprometeu-se a reduzir as emissões de carbono em 35% em 2030 e produzir aço totalmente “verde” em 2050. Um objetivo a longo prazo que corresponde às metas do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a menos de 1.5ºC.

O empréstimo é apoiado pelo Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos e destina-se ao setor de pesquisa e desenvolvimento (R&D) da empresa entre 2021 e 2023. O comunicado do BEI refere que o financiamento servirá para "ajudar o grupo a atingir os seus ambiciosos objetivos climáticos e reduzir assim a pegada das suas fábricas, produtos de aço e soluções tecnológicas".

As atividades de pesquisa e desenvolvimento suportadas por este financiamento serão feitas nas atuais instalações da multinacional no Luxemburgo, França, Bélgica e Espanha.

O comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, salientou que "este acordo mostra que a inovação é crucial para permitir às empresas atingir as suas ambições climáticas mantendo a sua competitividade". "Espero ver outras empresas seguirem este exemplo", disse Gentiloni.

Esta não é a primeira tranche de financiamento europeu que a maior siderúrgica mundial recebe para tornar as suas atividades menos emissores de gases com efeito de estufa. Em 2017, o EIB desembolsou 350 milhões de euros para o programa de R&D do grupo. E em 2020, dois programas da União Europeia subsidiaram em 75 milhões de euros projetos de inovação energética.

O vice-presidente da ArcelorMittal e responsável pela Pesquisa e Desenvolvmento (R&D), Greg Ludkovsky, salientou que este departamento tem a responsabilidade de "criar a base tecnológica para assegurar a viabilidade a longo prazo da ArcelorMittal como a empresa líder na produção de aço e mineração. Este financiamento irá ajudar a assegurar as ambições de reduzir a pegada ambiental nas suas operações e produtos".

A corrida ao aço verde

Um dos objetivos da companhia é o de ser a primeira no mundo a conseguir produzir aço verde (com recurso a hidrogénio produzido com energias renováveis) em larga escala. E anunciou que no prazo de cinco anos a fábrica Sestao, em Espanha, estará pronta para produzir aço fundido sem necessitar de combustíveis fósseis. 

A produção de aço – que necessita de altas temperaturas - é das operações industriais que mais consome energia, e normalmente com fornos a carvão. Ao mesmo tempo, o aço é indispensável para a reconversão tecnológica e energética mundial. O aço tem ainda as vantagens de ser infinitamente reciclável (portanto, permite a circularidade) e de ser essencial para criar as infraestruturas mais resistentes ao clima inóspito do futuro. A produção de aço verde é, por isso, um ovo de Colombo para o objetivo de redução de emissões da União Europeia.

Há um mês, a Volvo anunciou a compra (à siderúrgica Hybrit) do primeiro lote de aço verde do mundo, o que irá permitir ao fabricante sueco pôr os primeiros automóveis sem pegada de carbono na estrada em 2022. A Volvo espera que em 2026 todas as unidades que saírem das suas fábricas sejam feitas com este aço verde.

 

 

 

 

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