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Ainda vai ter de esperar pela próxima indexação
Economia 5 min. 31.01.2020 Do nosso arquivo online

Ainda vai ter de esperar pela próxima indexação

Ainda vai ter de esperar pela próxima indexação

Foto: Shutterstock
Economia 5 min. 31.01.2020 Do nosso arquivo online

Ainda vai ter de esperar pela próxima indexação

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
Os trabalhadores e pensionistas já deverão ter recebido este mês os aumentos relativos à indexação. Olhos postos nas contas bancárias que ficaram um pouco mais recheadas esta semana. Salários e pensões sobem 2,5%. Para a próxima indexação será preciso esperar: só deverá chegar daqui a ano e meio.

Janeiro é, por muitos considerado o mês mais longo do ano, depois das despesas a que a época de festas obriga. Esta semana, os olhos estão postos no recibo de vencimento e na conta bancária, já que é agora que se concretiza a tão prometida indexação prevista para último trimestre de 2019. Esta semana, trabalhadores e pensionistas deverão, então, ver o seu salário bruto aumentar 2,5% e muitos perguntam-se já quando será desencadeado o próximo aumento automático dos salários. Será preciso esperar: os investigadores do instituto de estatística luxemburguês (Statec) adiantaram numa conferência que a próxima indexação deverá chegar a meio de 2021.

O Statec organizou em conjunto com o instituto de investigação britânico Oxford Economics um encontro onde foram apresentadas as projeções económicas mundiais e especificamente para o Luxemburgo, previsões que vão ao encontro da última nota de conjuntura publicada pelo Statec. Segundo o relatório do instituto de estatística luxemburguês, a indexação vai estimular os preços nos próximos meses, mas apenas até março. É que vêm aí os transportes gratuitos, que vão representar mais rendimento disponível ao fim do mês, mas vão também ser um dos fatores condicionantes da inflação para este ano. O abrandamento económico é outro dos motivos que vai limitar a progressão da inflação. Assim, espera-se um ligeiro abrandamento da evolução dos preços de 1,7% em 2019, para 1,6% este ano.

O Contacto falou com o conselheiro económico do Statec Ferdy Adam, que sublinha que se prevê que a inflação evolua a um ritmo inferior a 2,5% e sublinhou que estas previsões têm de ser encaradas com prudência. “O andamento dos preços depende muito do petróleo”, que é muito volátil. E exemplifica: “No início do ano, os preços subiram muito, mas estão agora em queda por causa do coronavírus”, por isso as estimativas são ainda provisórias.

No seu conjunto a economia luxemburguesa deverá crescer 2,4% este ano, – contra os 2,8% estimados para 2019 – não estando imune ao abrandamento da zona euro e da Alemanha, em particular. A título comparativo, a evolução da economia foi de mais de 3% por ano entre 1995 e 2018. Os riscos de abrandamento são significativos em termos globais, mas Ferdy Adam assegura que o país não caminha para a estagnação. “O crescimento já abrandou em 2019 por comparação com 2018 e não prevemos, no momento, uma desaceleração ou uma travagem suplementar”, diz. “Possivelmente, podemos até revê-las [as previsões] em alta para 2020, mas isso será a ver. Mas é preciso ser prudente e perceber se poderemos fazer isso, por causa do mercado financeiro que teve um desempenho muito positivo no fim de 2019”, acrescentou. Ferdy Adam admite “que é possível que as previsões de 2,4% sejam um pouco prudentes, tendo em conta o que se passa no mercado financeiro”.

Setor financeiro a criar emprego

O relatório do Statec aponta que, no setor financeiro, os fundos de investimento registaram um crescimento significativo, enquanto a banca teve uma performance mais fraca. O emprego no setor financeiro continua a aumentar, em parte por causa do efeito Brexit, com muitas empresas a deslocalizarem-se para o país, para garantirem acesso ao mercado único europeu, mas não só: os fundos de investimento e pensões são responsáveis por boa parte da criação de postos de trabalho. Também o setor público se mostrou muito dinâmico a criar emprego. Ferdy Adam explica que, “para aquilo a que se chama o valor acrescentado, a medida da atividade, o setor financeiro só conheceu dois anos medíocres, e o emprego progride bem no setor, não especificamente na banca, mas no seu conjunto: sociedades de participações financeiras, sociedades de gestão, tudo o que gira em torno dos bancos é dinâmico em termos de emprego. Os bancos, propriamente ditos, não”.

Isto significa que os esforços do Governo para tentar diversificar a economia não estão a funcionar? Ferdy Adam ressalva que não comenta a política governamental. O que pode dizer “é que, por exemplo, as políticas espaciais não têm um grande impacto na economia, exceção feita à SES que já está no Luxemburgo há 40 anos e que não faz parte da estratégia atual de diversificação do Governo”. “Todas as outras medidas que foram adotadas, não comento, o que posso dizer é que estatisticamente não pesam no total”, afirma.

Esta questão foi debatida na conferência organizada pelo Statec e pelo Oxford Economics, onde foi abordado também o setor da construção. De acordo com os investigadores citados pelo Paperjam, o setor da construção – que emprega cerca de 10% da mão-de-obra do país e tem um peso de cerca de 5% do PIB – continua a desenvolver-se, mas a um ritmo mais lento. Um dos desafios nomeados pelos patrões é a penúria de mão-de-obra.

Crescimento mundial fraco, mas com menos riscos

Em termos mundiais, a Oxford Economics previu uma redução dos investimentos na zona euro, que deverão ter um crescimento de entre 1% a 2%. Por sua vez, a economia mundial deverá crescer 2,5%, o valor mais baixo desde a crise financeira, embora exista agora menos pessimismo em relação aos riscos existentes.

Segundo o site do instituto de investigação britânico, a primeira fase do acordo comercial entre a China e os Estados Unidos reduziu consideravelmente os riscos para as empresas. Contudo, este alívio não deverá ser durável, até porque um cenário de total inversão das tarifas é longínquo. Além disso, o agudizar das tensões entre Estados Unidos e Irão veio acrescentar mais uma camada de insegurança. Por outro lado, a definição do Brexit trouxe mais clareza à situação, mas as relações comerciais entre o Reino Unido e a UE devem ser esclarecidas, sob pena de haver uma “incerteza permanente”.


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