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Agências de rating confirmam triplo A para o Luxemburgo, mas deixam avisos
Economia 2 min. 07.09.2019

Agências de rating confirmam triplo A para o Luxemburgo, mas deixam avisos

Agências de rating confirmam triplo A para o Luxemburgo, mas deixam avisos

Foto: AFP
Economia 2 min. 07.09.2019

Agências de rating confirmam triplo A para o Luxemburgo, mas deixam avisos

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
Volatilidade do setor financeiro, preços das casas e mudanças nas políticas fiscais são riscos a ter em conta.

Depois da Moody’s, foi a vez de a Fitch e de a DBRS confirmarem a nota de AAA para o Grão-Ducado. No entanto, há alguns fatores de risco a ter em conta como a dependência da economia do setor financeiro, a habitação e mudanças nas políticas fiscais por causa dos acordos feitos com multinacionais.

Pela positiva, o destaque vai para a sustentabilidade das contas públicas e para a estabilidade política. Para a Fitch e DBRS, o país destaca-se como um dos Estados-membros com uma das dívidas mais baixas da União Europeia (UE), e com um sistema financeiro forte e saudável. A estabilidade política é também um dos pontos positivos referidos porque dá previsibilidade a empresas e cidadãos.

No entanto, ambas alertam para alguns riscos, embora as agências de notação financeira tenham análises diferentes. A Fitch considera, por exemplo, que “uma contração severa da atividade do setor financeiro no Luxemburgo pode ter consequências adversas na economia, com um contágio negativo ao mercado laboral e finanças públicas”.

O documento publicado pela agência de notação financeira analisa também o sistema de pensões, que diz ser sustentável. Porém refere, por outro lado, que a Fitch assume que serão implementadas reformas estruturais no médio a longo prazos para compensar o aumento dos custos do envelhecimento da população. É que estes custos deverão pesar de forma significativa nas contas públicas no longo-prazo.

Quanto à habitação, a Fitch reconhece que os preços são elevados, mas afirma que o sistema financeiro é suficientemente robusto e compensa o elevado endividamento com crédito imobiliário. Por sua vez, a DBRS nota que os bancos são lucrativos e estão bem capitalizados, mas realça que os bancos domésticos estão expostos ao mercado imobiliário doméstico, com o crédito à habitação a estar concentrado em cinco instituições financeiras. A agência adverte que a pressão no mercado habitacional pode aumentar com o passar do tempo e frisa que os preços das casas subiram 56% desde 2010. Além disso, relembra que tanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) como o Banco Central do Luxemburgo identificaram sinais de sobreavaliação dos preços das casas.

A DBRS elenca ainda como riscos a excessiva volatilidade do setor financeiro e um crescimento económico abaixo do esperado. No longo-prazo, as mudanças na política fiscal da UE e dos Estados Unidos também podem trazer consequências negativas. Em causa estão as investigações e condenações da UE sobre alguns acordos fiscais feitos no passado entre o Grão-Ducado e as multinacionais. As alterações nas políticas fiscais podem provocar incerteza nas receitas fiscais conseguidas com os impostos pagos pelas empresas, dada a forte presença de empresas multinacionais no país. Contudo, o Luxemburgo deverá manter-se como um destino atrativo para o investimento.

Em reação à manutenção do triplo A, o ministro das Finanças, Pierre Gramegna, afirma que esta avaliação confirma as políticas levadas a cabo pelo Governo nos últimos anos. Esta confirmação é importante para o responsável, tendo em conta “a paisagem internacional crispada”, que exige que o país esteja pronto a “amortecer eventuais choques”.


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