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Vamos ganhar o Mundial?
Desporto 5 min. 15.11.2022
Qatar 2022

Vamos ganhar o Mundial?

Qatar 2022

Vamos ganhar o Mundial?

Foto: José Coelho/EPA
Desporto 5 min. 15.11.2022
Qatar 2022

Vamos ganhar o Mundial?

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
O plantel é de qualidade muito acima da média, basta jogar o que se sabe e sem medo da própria sombra.

Falta muito?

Quantas vezes, quantas? Quantas vezes perguntamos lá do fundo, do banco de trás, durante uma viagem interminável: 'Falta muito?' (isto antes de dizermos que estávamos enjoados e depois já só há tempo de nos esticarem o belo do saco de plástico). Com esta selecção portuguesa, o esquema é parecido.

Falta muito?

Para chegar ao Qatar, claro. E o belo do saco de plástico sempre à mão de semear, com muitos enjoos pelo meio. Aliás, toda a qualificação é um enjoo. A abrir, só um autogolo garante a vitória vs. Azerbaijão, em campo neutro (Turim) e sem adeptos, naquela silly season da covid.

Segue-se o 2:2 em Belgrado, com 0:2 ao intervalo. A Sérvia irrita-se e chega ao empate antes de Ronaldo marcar um golo válido e anulado pelo árbitro holandês Makkelie, naquela silly decision sem acesso ao VAR. Ainda em Março, já no Luxemburgo, há 1:1 ao intervalo. Baaaaah. Acaba 1:3, vá. E ainda longe de convencer. Para fechar a primeira volta, o 2:1 vs. Irlanda. É um jogo castiço, com penálti falhado de Ronaldo e 0:1 de Egan ao intervalo.

Sem saber ler nem escrever, a Irlanda aguenta-se até aos 89 minutos, altura em que Gonçalo Guedes descobre Ronaldo e toma lá o empate. Nos descontos, aos 90’+6, bis de Ronaldo, novamente de cabeça, agora a cruzamento de João Mário. A festa é imensa, uma algazarra inacreditável. Malta, calma, é só a Irlanda – derrotada pelo Luxemburgo, e em casa.

Adiante. Até porque a Sérvia encosta em Dublin (1:1) e abre-nos uma janela de oportunidade para garantir o acesso directo, só previsto para os primeiros classificados de cada grupo – os segundos seguem para play-off. Portugal anima e conjuga duas vitórias sem sustos, vs. Azerbaijão (3:0) e Luxemburgo (5:0, com hat-trick de Ronaldo). Só falta a dupla jornada, a última. 

Será? Dos seis pontos em discussão, Portugal só precisa de quatro. A viagem até Dublin é uma dor de cabeça. Zero golos e, como se isso fosse pouco, Pepe é expulso por duplo amarelo – é o primeiro português expulso pela segunda vez na história centenária da selecção, embaraçoso.


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A janela do primeiro lugar continua aberta, bem aberta. Basta-nos empatar em casa, na Luz, vs. Sérvia. Aos dois minutos, Renato Sanches abre o marcador e estende a passadeira. Basta o empate e Portugal entra a ganhar. E agora? Vem aí desastre. A Sérvia aperta os dentes e dá a volta, com um golo de Mitrovic ao minuto 90.

Play-off. Que sina, caramba. Portugal apanha Turquia e, três dias depois, o vencedor do Itália vs. Macedónia do Norte. Na primeira noite, o 2:0 ao intervalo dá felicidade e transmite facilidade. Só que Yilmaz reduz. Lá vêm os fantasmas e a tremideira. Aos 85’, penálti. Yilmaz avança e atira por cima. Menos mal. Matheus Nunes faz o 3:1. Quase ao mesmo tempo, surpresa maiúscula em Palermo, com o 0:1 da Macedónia vs. Itália.

Mamma mia, a Itália está fora do Mundial pela segunda vez seguida. Na final do tudo ou nada, a Macedónia é só coração. Disso se aproveita Portugal para selar o quinto Mundial seguido com bis de Bruno Fernandes (2:0).

Falta muito?

Para chegar ao Qatar? Nem é isso, é mais o falta muito para jogar bem à bola? É assim tão difícil? Sim, já se sabe a lenga-lenga do costume, há 11 do outro lado, a bola é redonda e é tudo imprevisível. Claro que é, a magia do desporto é mesmo essa. Acontece que há equipas com queda para o abismo e outras mais seguras de si. Portugal ainda pertence ao primeiro grupo, por culpa própria.

Explicamos: Portugal é uma equipa de 19 valores e, muitas vezes, demasiadas até, saca só 11 para ir a segunda época. É um tormento. Se o onze ideal português jogar 75% do que sabe, é equipa para altos voos. Basta ver os laterais. João Cancelo não é o melhor do mundo, como se diz. É o melhor do mundo a atacar. A defender, é irregular. 

Mas, e é um mas importantíssimo, tem a cultura de jogo da Premier League e convive com a cultura da vitória do Manchester City. Só isso já o faz crescer para um nível estratosféricos. Nuno Mendes, tal como Danilo, Vitinha e Renato Sanches, joga diariamente com Neymar, Mbappé e Messi. Se isto não é work in progress.


Conta-me como foi da bola
Efemérides e histórias caricatas do futebol pelo jornalista Rui Miguel Tovar.

Depois há a hipótese da escolha múltipla. Se, por um acaso, as coisas correm mal, há sempre suplentes capazes de dar a volta ao texto. Isso nota-se em todos os sectores, até na baliza. No início deste ano, Rui Patrício seria o indiscutível número um agora e mais à frente, Euro 2024, Mundial 2026 e por aí fora. De repente, Diogo Costa. Puuuuum. E o guarda-redes do FC Porto está mais firme que o Cabo da Roca.

No meio-campo, a qualidade dos nomes é indescritível. Mais uma vez, se todos jogarem ¾ do que sabem, Portugal é um caso de estudo. No ataque, e mesmo com a lesão de Diogo Jota, mais do mesmo. E agora? Só falta o seleccionador Fernando Santos fazer a sua parte. Ponto crucial, tem de escolher os melhores para o onze, sem olhar a números, estatuto ou história. Ponto essencial, é preciso jogar o que se sabe sem cautelas exageradas nem futebol retrógrado, como se tivéssemos medo da própria sombra.

E, atenção, o sorteio dá-nos uma ajuda, porque junta três selecções com as quais sentimos um amargo de boca no século XXI. Vejamos, por ordem cronológica, através do grupo H do Mundial-2022. Gana significa o adeus ao Mundial 2014, Uruguai o adeus ao Mundial 2018, Coreia do Sul o adeus ao Mundial 2002. Aquela ideia de entrar num Mundial convicto da nossa superioridade, como em 2002 ou 2014, é, neste caso, totalmente despropositada.

Posto isto, falta muito? Para a final de 18 Dezembro, ora essa.

(Autor escreve de acordo com a antiga orografia.)

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