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Um Rio de desilusões nas Olimpíadas que tanto prometiam
Desporto 4 min. 24.08.2016 Do nosso arquivo online
Jogos Olímpicos

Um Rio de desilusões nas Olimpíadas que tanto prometiam

Telma Monteiro beija a única medalha portuguesa conquistada no judo
Jogos Olímpicos

Um Rio de desilusões nas Olimpíadas que tanto prometiam

Telma Monteiro beija a única medalha portuguesa conquistada no judo
Foto: AFP
Desporto 4 min. 24.08.2016 Do nosso arquivo online
Jogos Olímpicos

Um Rio de desilusões nas Olimpíadas que tanto prometiam

A comitiva portuguesa foi a segunda maior de sempre em Jogos Olímpicos, mas só trouxe na bagagem uma medalha de bronze, que Telma Monteiro conquistou no judo. Uma desilusão que o próprio presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, assumiu, face às expectativas geradas em torno da qualidade dos atletas lusos.

A comitiva portuguesa foi a segunda maior de sempre em Jogos Olímpicos, mas só trouxe na bagagem uma medalha de bronze, que Telma Monteiro conquistou no judo. Uma desilusão que o próprio presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, assumiu, face às expectativas geradas em torno da qualidade dos atletas lusos.

Por Álvaro Cruz

Desde 1976 que Portugal tem trazido sempre medalhas, com a única excepção dos jogos de Barcelona, em 1992.

No Rio estiveram 94 atletas (62 em provas masculinas e 30 em femininas), número que só foi ultrapassado nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, quando Portugal apresentou um contingente de 107 participantes. A conquista de apenas uma medalha é uma desilusão.

Nos Jogos Olímpicos competem os melhores do mundo em cada modalidade, mas Portugal tem atletas capazes de subir ao pódio em diversas modalidades. Mais uma vez, o resultado final soube a pouco.

No triplo residia a esperança no sector masculino e no feminino. Nélson Évora venceu o ouro em 2008, em Pequim, mas de então para cá, juntou aos títulos lesões que o afastaram da pista. Ficou em 6° lugar, foi o melhor atleta europeu da final, mas não chegou.

Patrícia Mamona ficou também em 6° e Susana Costa em nono, no top 10, mas medalhas, nada...

No futebol, a formação comandada por Rui Jorge caiu nos ’quartos’ contra a finalista Alemanha.

Na canoagem, que em 2012 deu a Portugal a medalha de prata em Londres, Emanuel Silva foi 4°, o primeiro dos últimos. Fernando Pimenta ficou em 5° em K1000. Outra desilusão.

Na prova de K4 1000 metros, o quarteto formado por João Ribeiro, Emanuel Silva, Fernando Pimenta e David Fernandes também não conseguiu a conquista de medalhas, tendo-se ficado pela sexta posição.

No ciclismo, modalidade na qual Portugal já venceu uma medalha em Atenas, em 2004, o ex-campeão do mundo, Rui Costa, foi apenas 10°. Nélson Oliveira, no contrarrelógio, terminaria em 7° e sem medalhas.

No triatlo, o melhor  foi João Pereira, 5° classificado.

Rui Bragança, estudante de medicina e praticante de Taekwondo, uma das maiores esperanças no que tocava a medalhas, perdeu nos quartos-de-final e obteve o melhor resultado de sempre na modalidade.

Marcos Freitas, o jogador mais cotado da equipa portuguesa no ’ranking’ mundial de ténis de mesa, outra das grandes esperanças portuguesas, caiu nos quartos-de final e também ficou sem medalhas.

No ténis, João Sousa venceu o primeira jogo e perdeu depois com Juan Martin del Potro, que viria a conquistar a medalha de prata, e Gastão Elias foi eliminado ao segundo jogo.

No hipismo, Luciana Diniz nada conseguiu, e no atletismo, modalidade na qual Portugal venceu o seu maior número de medalhas, idem aspas, assim como nas outras várias modalidades.

PRESIDENTE DO COP ASSUMIU RESPONSABILIDADES

O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), José Manuel Constantino, assumiu esta segunda-feira total responsabilidade pelos resultados obtidos nos Jogos Olímpicos Rio 2016, considerando que ficaram aquém dos objectivos, e disse ter uma decisão tomada sobre o futuro.

“Creio que neste momento aquilo que é importante é avaliarmos os resultados alcançados, e os resultados alcançados ficaram aquém das nossas expectativas”, disse o líder do COP, um dia após o encerramento dos Jogos.

Manifestando-se dividido, por um lado “satisfeito pelo empenho, pelo esforço, pela dedicação, pela forma como a missão viveu estes Jogos”, José Manuel Constantino diz, por outro lado, ter a obrigação de reconhecer que os objectivos não foram atingidos.

“O presidente do COP assumiu um compromisso quando celebrou com o Governo um programa de apoio à preparação olímpica. (...) Não há outro responsável. O primeiro responsável pelo facto de os objectivos não terem sido atingidos sou eu. (...) Não tenho de me queixar do Governo, nem deste nem do anterior. (...) Se tenho de me queixar, é de não ter sido suficientemente capaz de mobilizar todos aquele que envolvem a participação numa missão olímpica, para que os resultados pudessem corresponder àquilo que tínhamos estimado”, afirmou.

O presidente do COP não desvaloriza a qualidade de alguns dos resultados obtidos no Rio de Janeiro, que considera extraordinários, mas insiste que as metas não foram alcançadas.

“Tínhamos definido duas posições correspondentes aos três primeiros lugares [medalhas], conseguimos uma. Tínhamos definido 12 posições correspondentes aos lugares compreendidos entre o quarto e o oitavo, conseguimos 10. E tínhamos previsto entre o nono e o 12° cerca de 12 posições e conseguimos 15. Portanto, dos três objectivos, apenas um foi cumprido”, concluiu.

Perante os magros resultados obtidos, alguns atletas queixaram-se da falta de investimento do Governo nas modalidades desportivas. “Se querem medalhas, que nos dêem condições”. E comparam a situação dos atletas portugueses com a capacidade financeira, métodos de trabalho e condições de treino que outros países proporcionam.

Portugal já provou que é capaz de produzir campeões em diversas modalidades, mas a verdade é que em mais de 100 anos de Jogos Olímpicos o recorde de medalhas do país numa só competição é de apenas três.  Portugal tem um total 24 medalhas olímpicas, e apenas quatro de ouro.

Agora, o próximo objectivo é Tóquio, em 2020.


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