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Um domingo qualquer
Desporto 6 min. 22.05.2022
Final Taça Portugal

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Tudo a postos para a final FC Porto-Tondela deste domingo.
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Tudo a postos para a final FC Porto-Tondela deste domingo.
LUSA
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Um domingo qualquer

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
De sonho, hoje é dia de City ou Liverpool em Inglaterra, Milan ou Inter em Itália e FC Porto ou Tondela em Portugal.

O domingo é aquele dia especial por natureza. O domingo é o dia do TV Rural, dos Grandes Prémios de F1, dos Amigos da Disney, do Justiceiro, do McGyver, do Domingo Desportivo. O domingo de hoje, 22 Maio, é especial, especialíssimo. Às 16 o’clock, começa a decisão da Premier League inglesa. Às 17 ore, a da Serie A. Às 1715 horas, a final da Taça de Portugal – antes, às 14, é o GP Espanha, em Barcelona.

Dia em grande, corações ao alto, emoções infinitas. O City, líder isolado há 23 jornadas seguidas, tem de ganhar em casa vs Aston Villa para confirmar o oitavo título de campeão da sua história, o quarto na era Guardiola. Se tudo lhe correr de feição, Manchester apanha Liverpool no primeiro lugar do ranking das cidades mais vezes campeã nacional. Ao todo, 28. No caso de Liverpool, é Liverpool (19) e Everton (9). No de Manchester, é United (20) e City (8).

 Se o Aston Villa se se lembrar de atazanar o juízo ao City, aí o Liverpool espreita uma oportunidade de ouro para surpreender o país e também o mundo. É que a equipa de Klopp só esteve uma vez no primeiro lugar da Premier League 2021-22, à passagem da 6.ª jornada. De resto, está sempre a ver o City à sua frente. Com uma série impressionante de 14 vitórias nas últimas 16 jornadas, o Liverpool ainda sonha com o treble, depois de levantada a Taça de Inglaterra há uma semana (vs Chelsea, em Wembley, no desempate por penáltis) e com a decisão da Liga dos Campeões marcada para o próximo sábado, dia 28 (vs Real Madrid, em Paris). Para o sonho se manter vivo, é essencial ganhar ao Wolverhampton de Bruno Lage e só depois colar-se ao relato do City vs Villa.

 Em Itália, a última jornada mexe com dois históricos da mesma cidade. À maior de dois pontos, o Milan só precisa de empatar em Sassuolo para soltar o grito de campeão ao fim de 11 anos e impedir o bi do Inter. A vantagem no confronto directo, com 1:1 em casa e 2:1 fora, dá esta almofada de conforto a uma equipa liderada pelo goleador português Rafael Leão, autor de 11 golos (à frente de homens feitos como Giroud-9 e Ibra-8). Um aviso à navegação: na primeira volta, o Sassuolo dá 3:1 vs Milan em pleno Giuseppe Meazza.

 De volta ao Jamor

Em Portugal, joga-se a final da Taça de Portugal. De volta ao Jamor, após dois anos no Municipal de Coimbra com duas derrotas do Benfica (vs FC Porto em 2020, vs Braga em 2021), o palco por excelência do fecho de época desportiva recebe uma final inédita entre FC Porto e Tondela. De um lado, o actual campeão nacional. Do outro, um dos dois despromovidos à Liga 2. De um lado, o melhor ataque da 1.ª divisão. Do outro, a pior defesa da 1.ª divisão. De um lado, a fome de coleccionar mais uma dobradinha. Do outro, a ambição de ser a primeira equipa do interior a levantar, após os vices de Covilhã (1957), Campomaiorense (1999) e Chaves (2010). É hoje, 22 Maio.

 Por isso, revisitamos todas as três finais nesse dia. A primeira de todas é em 1966, o ano em que o futebol português entra na Quinta Dimensão pelo terceiro lugar no Mundial em Inglaterra. Antes, o Sporting sagra-se campeão nacional na Póvoa do Varzim, com 2:1 vs Varzim.


É uma final da Taça inédita a que se joga amanhã no Jamor, entre o FC Porto campeão em título e o recém-despromovido Tondela.
David contra Golias no regresso ao Jamor
Joga-se amanhã a final da Taça de Portugal entre o campeão FC Porto (melhor ataque da 1.ª divisão) e o despromovido Tondela (pior defesa da 1.ª divisão).

 Há mais bola

Nesse mesmo domingo, um outro jogo dá nas vistas. Nos Arcos, o Vitória humilha o Braga por 8:1 com bis de Quim, José Maria e Armando. Por essa altura (2 Maio), as duas equipas nem sonham com a final da Taça. O Vitória aparece como detentor do troféu (3:1 vs Benfica), o Braga como convidado especial. Atenção, a equipa minhota é um osso duro de roer. Como prova, a irredutibilidade no 1.º Maio com os três grandes (triplo 0:0 vs Porto, Benfica e Sporting, por ordem cronológica).

 Na Taça, em que a sobrevivência só se conquista com vitórias, o Braga comete a proeza de eliminar Benfica (4:1 + 1:3) e Sporting (1:1 + 1:1 + 1:0 no desempate). No Jamor, a equipa bracarense entra em campo com Armando; Mário, Coimbra, Juve[1]nal e José Mário; Canário e Luciano; Bino, Perrichon, Adão e Estêvão. Por capricho, o apelido do árbitro é Bra[1]ga. Mais precisamente Braga Barros.

 Durante 76 minutos, zero golos. De repente, uma bola é metida nas costas da defesa vitoriana, Perrichon isola-se e faz golo na cara de Félix Mourinho. Um-zero e é tudo. Na tribuna de honra, a entrega da Taça pelo presidente Américo Thomaz faz-se na presença dos capitães (Canário mais Jaime Graça).

 Segue-se a festa. Conta o guarda-redes Armando: “Eu saí da baliza e vi todos os outros, os jogadores, o treinador, o massagista e outros. Parecíamos ovelhas tresmalhadas, uns para um lado, outros para outro. Depois foram as comemorações normais de quem não está habituado a ganhar. Quando acabou o jogo perdemos a cabeça, ao ponto de a taça desaparecer. Andou toda a gente à procura dela. Tinha sido um jogador, salvo erro o Coimbra, que pegou nela e a meteu na cama.” Agora já mora em Braga. A primeira a fazer-lhe companhia chega meio século, exactos 50 anos depois, a 22 Maio 2016.

 É um (outro) dia grandioso. À tarde, final da Taça de Portugal entre Braga e FC Porto. À noite, final da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Atlético Madrid, em Milão. A aposta de Peseiro em Helton no lugar de Casillas falha em toda a linha e o capitão portista dá barraca nos golos de Rui Fonte (12’) e Josué (58’).

 O FC Porto reage bem com bis de André Silva aos 61’ e 90’+1, este último em forma de pontapé de bicicleta. No prolongamento, nada de novo. Vamos para penaltis. O Braga aprende a lição da época anterior, vs Sporting, e marca todos os quatro penaltis. Já o FC Porto falha dois, por Herrera e Maxi Pereira, ambos defendidos por Marafona.


Os jogadores do Casa Pia festejam a subida à I Liga de Futebol no final do jogo da II Liga contra o Leixões disputado em Matosinhos, a 15 de maio de 2022.
Jornada 34. Caem os dois sempre-em-pé
Cortesia Casa Pia, a novidade mais extravagante da 1.ª divisão 2022-23, mais de 85 anos depois.

 Pelo meio, entre Braga 1966 e Braga 2016, a outra final da Taça de Portugal a 22 Maio é em 2011. Mete FC Porto e Vitória SC. Na ressaca da vitória europeia na Liga Europa (1:0 vs Braga), o treinador portista André Villas-Boas opta pela ausencia de Otamendi e Falcão, titulares em Dublin. No seu lugar, Rolando e James. À baliza, Beto faz de Helton. O plano corre-lhe às mil maravilhas.

 James assina um hat-trick e Beto defende um penálti de Edgar. Ao intervalo, o 5:2 já indicia um festival de bola, com direito a golo olímpico (canto directo) do capitão Hulk. É o quarto título da época 2010-11 e o FC Porto chega aos 69 títulos contra 68 do Benfica. Isso mesmo. Pela primeira vez na história, o Benfica é ultrapassado. Quem imaginaria isto há uma dúzia de anos? Ou mesmo em Agosto 2010? Poucos. Ou ninguém. Só mais um pormenor revelador da supremacia portista nos últimos anos: com a tarde de gala no Jamor, o FC Porto ultrapassa o Sporting em Taças de Portugal (16 vs 15) e também em dobradinhas (7-6).

Domingo, é hoje. Saudades do engenheiro Sousa Veloso com aqueles casacões de cabedal.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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