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Jornada 31. Um campeão no 25 de Abril
Desporto 5 min. 25.04.2022
Liga portuguesa

Jornada 31. Um campeão no 25 de Abril

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Jornada 31. Um campeão no 25 de Abril

Foto: Facebook/FC Porto
Desporto 5 min. 25.04.2022
Liga portuguesa

Jornada 31. Um campeão no 25 de Abril

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Sporting 1954, Benfica 1971, FC Porto 1992: todos os grandes soltam o grito da vitória neste dia específico. E hoje, acrescenta-se FC Porto 2022?

Segunda-feira, 25 Abril. Feriado em Portugal, fim-de-semana prolongado. E é também um dia crucial (ou não) na 1.ª divisão. Às 19h (no Luxemburgo), Braga vs FC Porto. Às 21h30, Boavista vs Sporting. Se o FC Porto continuar no seu ritmo avassalador e o Sporting apresentar o mesmo registo resultadístico dos últimos dois jogos, vs Benfica (0:2) e FC Porto (0:1), estende-se a passadeira azul para o novo campeão nacional.  

Curiosidade, todos os três grandes têm a sua quota-parte de se sagrarem campeões a 25 Abril. O primeiro de todos é o Sporting em 1954, a 20 anos da revolução. É o tão desejado tetra, acompanhado pela Taça de Portugal. É uma das melhores época de sempre do Sporting, apadrinhada pelo treinador húngaro Joseph Szabo, de regresso a casa e contratado para o lugar do inglês Randolph Galloway.

O início do campeonato é renhido, como sempre. Quatro equipas sempre no topo, com o título na mira. Até Dezembro, os dirigentes sportinguistas punem monetariamente Hrotko e Travaços por agressões a adversários em pleno jogo, na Covilhã e em Braga, respectivamente. Depois das confusões e multas, as lições do onze dentro do campo. No final, sete pontos de avanço sobre o FC Porto, 11 sobre o Benfica e 12 sobre o Belenenses. O avançado João Martins é o melhor marcador, com 31 golos, e ganha assim a segunda edição da Bola de Prata do jornal A Bola. E é curiosamente Martins o homem em foco pouco antes da atribuição do título, quando o capot do carro descapotável de Vasques se solta e embate, violentamente, na sua cara, em plena Avenida da República. A Martins, valem a destreza de Vasques ao volante e os conhecimentos médicos do célebre Manuel Marques, a quem recorre.

Conquistado o campeonato, no tal dia 25 Abril com um 4:2 vs Oriental em Marvila (bis de Martins), a Taça de Portugal. Com um percurso notável a todos os níveis, a eliminar, sucessivamente, Benfica, FC Porto e Belenenses, o Sporting apanha o Vitória FC na final. Com golos de Mendonça (2) e Vasques, os leões vencem 3:2. Mal soa o apito final do árbitro, o capitão sadino Pinto de Almeida apodera-se da bola com a intenção de a guardar para recordação. Aparece então Travassos e é o capitão do Sporting quem a leva para casa.

Avançamos uns anos, entramos na década 70. Estamos em 1971, dia 25 Abril. Se o Benfica ganha na Póvoa, é campeão. Se? Acaba 0:4, bis de Artur Jorge. Venham de lá esses foguetes. Sem o patrão Coluna, a caminho do Lyon, o Benfica opta por manter a equipa e contratar um treinador estrangeiro para suceder José Augusto, vencedor da Taça de Portugal da época anterior. O eleito é um inglês chamado Jimmy Hagan, rigoroso e sisudo.

A pré-época corre da melhor maneira possível com nove triunfos em dez jogos e festeja-se a conquista da Taça Ultramar, em Angola (2:0 vs Vitória FC), e o encontro com a fadista Amália Rodrigues na inédita viagem ao Japão. Chique. No campeonato, o começo é intermitente, Empates vs Sporting (com o qual perde a final da Taça de Portugal em Junho), Vitória SC, FC Porto e Belenenses aliados à derrota vs Farense, tudo até à 9ª jornada, atrasam o Benfica na corrida pelo primeiro lugar, ocupado pelo Sporting no final da primeira volta com quatro pontos de avanço sobre a Académica de Juca.


Diego Maradona fotografado ao dar a sua amostra de urina após o jogo contra a Nigéria durante o Campeonato do Mundo de 1994, nos EUA.
A enfermeira de Maradona
De Ingrid Maria em 1994 para Sue Carpenter em 1996, uma dança de identidades promovida pelo brasileiro João Havelange.

À merecida festa de despedida de Coluna, a 8 Dezembro 1970, e já com o Benfica eliminado nos penáltis na primeira experiência na Taça das Taças, dá-se início à segunda volta. Contra qualquer prognóstico, o Sporting perde 1:0 em casa vs Barreirense, último classificado. Sete dias depois, o Benfica dá 5:1 ao Sporting (hat-trick de Artur Jorge) e começa aí a valente recuperação do Benfica. À 22.ª jornada, e pouco depois de fazer furor no Irão com três vitórias sem golos sofridos e um autógrafo de Eusébio para o filho do Xá, o Benfica apanha o Sporting num domingo em que goleia o Farense por 5:0 (bis de Eusébio) e aproveita a vitória do Boavista sobre o campeão em título no Bessa.

Passam-se duas semanas e o Benfica passa para a frente sem a companhia indesejada do Sporting, vencido nas Antas por 2:1. O título chega na penúltima jornada, com o tal 4:0 vs Varzim. É o início de mais um tri.

Avançamos mais uns anos e entramos nos anos 90. No dia 25 Abril 1992, um golo de Kostadinov em cima do minuto 90 no Bessa garante o título de campeão ao FC Porto, a três jornadas do fim. A obra assenta que nem uma luva à equipa portista, agressiva e disciplinada tacticamente. O técnico brasileiro Carlos Alberto Silva tem o mérito de prosseguir o trabalho de Artur Jorge e a sensibilidade de utilizar a "voz da experiência" protagonizada por jogadores como João Pinto, André, Jaime Magalhães, Semedo e Bandeirinha. Em Lisboa, a filosofia dos outros dois "grandes" é bem diferente, com a aposta na juventude.


Conta-me como foi da bola
Efemérides e histórias caricatas do futebol pelo jornalista Rui Miguel Tovar.

No final, ganha o FC Porto sem discussão com 10 pontos de avanço sobre o segundo classificado (Benfica) e apenas com 11 golos sofridos. É obra, sobretudo numa época em que a prospecção de mercado é tudo menos gloriosa com a contratação de dois flops chamados Jorge Andrade e Mihtarski. O segredo do FC Porto é uma grande segunda volta, com vitórias nos campos de Sporting (2:0 por Kostadinov e Bandeirinha) e Benfica (3:2 por João Pinto, Kostadinov e Timofte, este saído do banco para o golo da vitória ao minuto 89).

Vira-se o século e veremos se o FC Porto 2022 dá sequência ao FC Porto 1992. Tudo também depende dos dois Sportingues, o de Braga e do Portugal. E, já agora, do Boavista.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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