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O primeiro golo de CR7 pela seleção
Desporto 4 min. 09.07.2022
Futebol

O primeiro golo de CR7 pela seleção

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O primeiro golo de CR7 pela seleção

Foto: Twitter
Desporto 4 min. 09.07.2022
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O primeiro golo de CR7 pela seleção

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Tudo o que sempre sonhou saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar. Por Rui Miguel Tovar.

Capítulo 3. O primeiro golo pela seleção. 

A magia de Ronaldo é a de nos surpreender a cada instante. Antes, é magrinho. Agora, é um touro. Antes, é um fantasista com queda para os dribles estonteantes (às vezes, poucas vezes, inconsequente). 

Agora, é um goleador nato. Estilo Hugo Sánchez, melhor marcador do campeonato espanhol 1989-90 com 38 golos, todos ao primeiro toque. Ronaldo está nesse caminho do toma lá, dá cá. Claro, a finta está em si. Quando alguém lhe aparece à frente, vai dar nó. Só que quando ninguém se aproxima, Ronaldo espalma a bola e é o forrobodó.

Antes ou agora, o apetite insaciável pelo golo é de sempre. Nunca muda. O primeiro de sempre ao serviço da selecção é em Torres Novas, a 24 Fevereiro 2001, pelos sub15. Ronaldo veste o número 9. Das mil e poucas pessoas nas bancadas, todas o aplaudem. Sem o conhecer minimamente. É aplaudir por patriotismo. “Era um trinca-espinhas”, garante Carlos Godinho, director-desportivo da federação. Nesse jogo com a África do Sul, o 1:0 é de Diogo Andrade. O 2:0 final é de Ronaldo. Na estreia, um golo. Está lançado, o miúdo.


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Tudo o que sempre sonhou saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar. Por Rui Miguel Tovar.

Passam-se dois meses e, em Abril, a selecção sub15 volta a jogar. É o popular torneio de Montaigu. No primeiro jogo, um golo de Ronaldo no 2:2 vs anfitriã França. No segundo, descanso vs. Camarões. No terceiro, o Japão é cilindrado por 7:0. No ataque, o trio Ronaldo, João Vilela e Hugo Monteiro. Dos três, só um se destaca: Ronaldo, com golos aos 33', 43’ e 70’. Diz o seleccionador Silveira Ramos: “Abriu o livro, assim do nada. Já sabíamos dos repentes dele mas ali ficou vincado o seu estilo que ainda hoje perdura.” A fome de bola leva-o aos sub-17 e assina seis golos (Finlândia, Holanda, Inglaterra, São Marino e Andorra-2).

Assim como quem não quer a coisa, já estamos no Verão de 2002. O treinador do Sporting é o romeno Laszlo Bölöni, conhecido pela aposta destemida em juniores como Quaresma e Hugo Viana, peças-chave na conquista do título de campeão português 2001-02, ao lado de monstros consagrados, estilo André Cruz, Paulo Bento, João Vieira Pinto e Jardel. Na pré-época, Bölöni chama Ronaldo e o jovem corresponde à sua imagem. Com um golo. Ao Betis, na Maia.

Dia 4 Agosto, tarde quente. Prepare-se, vai aquecer ainda mais. Aos 28 minutos, Toñito lança Quaresma e 1:0. Quatro minutos depois, Joaquín ultrapassa o chileno Contreras e o argentino Quiroga antes de cruzar para o 1:1 de Alfonso. Mais golos só na segunda parte. Aos 55’, Prats passa a bola a Quaresma, facto devidamente aproveitado para um centro na direcção de Pedro Barbosa: 2:1. O Betis reage e empata novamente, aos 85’, bis de Alfonso, agora de cabeça, após livre pela esquerda de Calado – esse mesmo. Quando já toda a gente espera o apito final, chega o momento alto do jogo, com Cristiano Ronaldo a ser mais rápido que Prats e a rematar ao ângulo superior esquerdo sem espaço por aí além.


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No final, Bölöni refreia os ânimos da imprensa, já pronta a coroar Ronaldo. “Acredito nele, porque tem talento. Mas se pensa que um campo de futebol é uma sala de ballet, ou se pensa que já é jogador de futebol, está a incorrer num erro enorme. Tudo farei para que não pense desta forma. Fala-se muito do Ronaldo. Basta, só marcou ainda um golo.” Um, não. No particular seguinte, Ronaldo marca o segundo oficioso numa tarde em que joga a ponta-de-lança e fixa o 12:0 vs Alcanenense, da 1.ª divisão distrital da AF Santarém.

Ainda a época 2002-03 vai no adro e já Ronaldo faz das suas, num Sporting vs Moreirense, a 7 Outubro, para a 1.ª divisão. Na baliza, João Ricardo, titular de Angola no Mundial-2006. "O 1-0 é daquele bielorrusso, o Kutuzov. O 2-0 é do Ronaldo, ainda na primeira parte. Arranca do meio-campo e então não é que ninguém dá um pau no gajo? Entrou na área, tentei a mancha, mas ele picou-me a bola. Golo. Na segunda parte, faz o 3:0 e ainda atira uma bola à barra. Não sei se foi o primeiro jogo dele a titular ou não, mas a verdade é que esse jogo lhe deu mais visibilidade que nunca. Naquela altura era o Quaresma a figura, o homem do momento. A partir daí, o Ronaldo deu o salto." E de que maneira.


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Efemérides e histórias caricatas do futebol pelo jornalista Rui Miguel Tovar.

Ainda em Outubro, no Bessa, o clássico Boavista vs Sporting arrasta-se para um empate. Ao penálti de Jardel (45’), responde Martelinho (70’) a aproveitar um clamoroso erro de Contreras. É então que Bölöni faz entrar Ronaldo para o lugar de Quaresma, aos 81 minutos. No instante seguinte, Beto vê o amarelo por derubar Cafú. Aos 85’, o mesmo Éder impede um golo de Beto na linha. Aos 87’, Jardel atira à figura de Ricardo. Ya, o 1:1 afigura-se como provável. Calma. Em cima dos 90', Carlos Martins descobre Ronaldo dentro da área e o número 28 bate Ricardo. Até final dessa época, Ronaldo já aparece nos sub-21 de Portugal (um golo à Grécia, outro à Inglaterra). Pelo meio, uma batata ao Estarreja (4-1) e mais uma à Oliveira do Hospital (8-1), ambos para a Taça de Portugal. Lá está, a magia sempre presente.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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