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O primeiro título de campeão de Cristiano Ronaldo
Desporto 4 min. 07.07.2022
Futebol

O primeiro título de campeão de Cristiano Ronaldo

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O primeiro título de campeão de Cristiano Ronaldo

Foto: Divulgação/Associação de Promoção da Madeira
Desporto 4 min. 07.07.2022
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O primeiro título de campeão de Cristiano Ronaldo

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Tudo o que sempre sonhou saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar. Por Rui Miguel Tovar.

Capítulo 2. O primeiro título de campeão (Nacional 1995-96). 

Memorize bem isto aqui ó

À baliza, Tiago Goes (depois, Faria). Na defesa, o lateral-direito é o Bruno, os centrais chamam-se Magno e Sampaio (primo do guarda-redes e capitão de equipa), o lateral-esquerdo é o Aleixo. No meio-campo, Gonçalinho está no meio, Igor é o número 7 como extremo-esquerdo, Vieirinha é o 8 como extremo-esquerdo. Na frente, Décio é o avançado-centro, o pinheiro, número 11, com o cabelo à anos 80. Ligeiramente atrás, o 10, Fábio, mais conhecido por Futre. Vagabundo até mais não, o 9 Ronaldo.

Exacto, Cristiano Ronaldo. Nem mais, camisola 9. Estamos em 1995-96 e esta é a equipa do Nacional, campeão regional de infantis B da AF Madeira. Eis o primeiro título da carreira de Ronaldo, aos 11 anos de idade. A táctica é simples e só tem duas variantes para chegar ao golo: ou metem a bola no Ronaldo e ele resolve com mil e uma fintas, ou Ronaldo sofre falta à entrada da área ao enésimo drible e aí é Futre quem veste a pele de herói através de perfeitos livres directos.

Por falar em heróis, o que é feito de todos eles? Do onze, só três vivem fora da Madeira. O guarda-redes Tiago Goes é um cromo do melhor, puro entretenimento na RTP. O lateral-esquerdo Aleixo trabalha no Porto e, já se sabe, o número 9 Ronaldo ainda é uma incógnita, à espera de uma equipa de Liga dos Campeões como alternativa ao Manchester aaarghhhh United para 2022-23. 

Esse campeonato 1995-96 em sistema de todos contra todos é renhido até ao fim. O Marítimo, crónico campeão, parte como favorito. Lá atrás, bem atrás,  Nacional, União e Câmara de Lobos aparecem como alternativas assim-assim ao domínio intenso dos maritimistas. Dos três rivais, o Câmara de Lobos é o clube mais tramado – quem joga no seu campo, sofre a bom sofrer com as pedras lançadas pelas mães dos jogadores aos adversários. Verdade, é ler para crer. Lá, todos os guarda-redes jogam à Neuer, bem fora da área para evitar todo o tipo de distracções (e, vá, lesões).

Tinha medo que o Ronaldo e um outro, por serem mais pobres, roubassem a malta no balneário.

Tiago Goes, jornalista e ex-jogador pelos infantis do Nacional da Madeira

O Nacional arranca a época com dois jogadores dos infantis A mais dois reforços, um é Futre e o outro é Ronaldo. Se Futre se impõe pela categoria ímpar na marcação de livres directos, já Ronaldo é outra história. Conta Tiago Goes. 

"No primeiro treino, ali no campo pelado da Escola Jaime Moniz, o gajo aparece, muito pequeno, muito magrinho. Um chavelha [mitra, rufia, que fala um madeirense carregado] e nós a gozar com ele. No fim do treino, peladinha. O gajo agarra na bola e finta uns cinco ou seis. Ta-ta-ta. Já com os trejeitos de hoje, o de passar o pé por cima da bola e tudo. Muito rápido, muito veloz. E nós, uns para os outros, quem é este gajo? Na segunda vez que ele tocou na bola, outra vez o mesmo baile. Ta-ta-ta. A partir do segundo treino, já ninguém gozou com ele. Começámos a conhecê-lo melhor e conquistou o nosso respeito num piscar de olhos."

Ronaldo é já aí um obsessivo pela competitividade. Seja a jogar futebol ou matraquilhos. Se perde, chora. Se leva na cabeça do treinador, chora. Se gozam com ele, chora. E, claro, no seu íntimo, jura vingança no quadradinho seguinte. Em forma de golo, óbvio. Há jogos inesquecíveis, exibições do arco da velha, espectadores boquiabertos. Sempre sempre sempre, mas sempre, na presença do pai Dinis Aveiro.


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No dia mais importante do ano, vs Marítimo, só a vitória interessa ao Nacional para garantir o título. Acaba 1:0. O golo é de bola parada, livre directo. Futre, pois claro. A festa é imensa. Ou não. Os pais dos jogadores do Marítimo, em larga maioria na bancada improvisada do campo de treinos na Choupana, arremessam pedras. E voltam a fazê-lo na direcção do autocarro do Nacional, conduzido pelo inimitável senhor Paulo.

No dia seguinte. Voltamos a dar a palavra ao Tiago Goes. "Tinha medo que o Ronaldo e um outro, por serem mais pobres, roubassem a malta no balneário. Ironia do destino, somos campeões e o Nacional prometeu-nos oferecer o equipamento do jogo da final. No dia seguinte ao tal 1-0 ao Marítimo, era o último treino da época e todos estávamos a ver que ninguém nos ia oferecer o que quer que seja. Então, os jogadores diziam entre si que iam roubar o equipamento de treino. O equipamento, não; só a camisola. Na altura, era muito menino e tinha medo de roubar, de fazer coisas à socapa. Então saí do treino sem nada. O pessoal safou-se todo e perguntou-me se me tinha safado. Para não dar parte de fraco, disse que sim, que a camisola de treino estava comigo. O Ronaldo, não sei como, topou a mentira e chegou-se ao pé de mim: 'tás parvo? leva lá a merda da camisola'. Roubou-me a camisola por mim. Grande gesto."

(lembra-se do início do texto quando se diz Tiago Goes, depois Faria? Pois bem, o Tiago parte o braço e nunca mais recupera o lugar; culpa de quem? Rooooonaldo. "Num treino na escola, no cimento, o gajo fez-me um remate e eu meti mal a mão. Olha, tramei-me".)

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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