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Treinador português quer deixar a sua marca no basquetebol grão-ducal
Desporto 5 min. 30.10.2019

Treinador português quer deixar a sua marca no basquetebol grão-ducal

Depois dos bons trabalhos realizados em Portugal, o jovem treinador quer provar o seu valor além fronteiras.

Treinador português quer deixar a sua marca no basquetebol grão-ducal

Depois dos bons trabalhos realizados em Portugal, o jovem treinador quer provar o seu valor além fronteiras.
Foto: Tom Poull
Desporto 5 min. 30.10.2019

Treinador português quer deixar a sua marca no basquetebol grão-ducal

Chegou ao Luxemburgo há três meses. Trocou os Galitos do Barreiro, que manteve entre a elite do basquetebol luso, pelo modesto Heffingen no Grão-Ducado. Quer deixar marca no clube e no país e sonha um dia treinar nos Estados Unidos.

“Ainda estou numa fase de descoberta e adaptação, mas confio plenamente nas minhas capacidades para ajudar o clube a atingir os seus objetivos”, vinca Daniel Alves Brandão, o novo treinador português de basquetebol contratado pelos luxemburgueses do Heffingen no início desta época.

É natural de Oliveira do Bairro, formou-se em Engenheria Civil, mas nunca exerceu a profissão. Com apenas 32 anos, está ligado à modalidade desde a infância. Já passou por vários clubes em Portugal e está a viver a sua primeira experiência como treinador no estrangeiro.

Daniel Brandão tem a ambição de treinar nos Estados Unidos.
Daniel Brandão tem a ambição de treinar nos Estados Unidos.
Foto: Tom POULL

“Aceitei esta proposta porque tinha a ambição de treinar fora de Portugal. Curiosamente, quando saí do Galitos e surgiu-me esta oportunidade. O Diogo Lopes, que é português e treinador da formação no Heffingen, contactou-me e perguntou-me se eu estava interessado em vir para o Luxemburgo. Disse-me que o clube procurava um treinador com o meu perfil e que tinha ambições de se estabilizar entre a elite do basquetebol. Numa primeira abordagem vim cá, conversámos e depois chegámos a acordo”, precisa.

“Na última década a equipa anda num constante sobe e desce entre a primeira e segunda Liga. Aquilo que os dirigentes pretendem é estabilizar a equipa entre a elite. Foi para isso que me contrataram porque vivi situações similares nos meus dois últimos clubes em Portugal. Primeiro, no Terceira Basket, quando fomos campeões da Pro-Liga e depois nos mantivemos no primeiro escalão no ano seguinte, No Galitos, foi idêntico. O clube subiu de divisão e conseguimos a manutenção na temporada passada, o que na maioria dos casos é difícil conseguir. Portanto, a minha principal missão no Heffingen é estabilizar a equipa entre as melhores do país”, explica.

Treinador desde 2003

Apesar dos seus 32 anos, Daniel Brandão já vai na sua 17a época como treinador. Iniciou a carreira nas camadas jovens do Sangalhos na época 2003/2004 quando ainda era jogador. Depois, passou pela Académica e Olivais, nas camadas jovens, e no Terceira Basket e Galitos do Barreiro, em séniores.

No Luxemburgo, sente-se feliz, mas diz que ainda está numa fase de adaptação: “Estou há três meses no país e ainda estou a descobrir o campeonato. Vim mais cedo para conhecer jogadores, dirigentes e instalações, mas é impossível saber tudo sobre o basquetebol no Luxemburgo em poucas semanas. Pesquisei muito, falei com o Alex Pires, treinador português que também passou pelo Heffingen e agora está no Steinsel, e sobretudo com o Diogo, que trabalha comigo e tem conhecimentos mais aprofundados porque está aqui há dois anos a dirigir as camadas jovens. Ele tem sido muito importante para mim”, sublinha.

Balanço positivo

Quanto às prestações no campeonato, dos cinco jogos disputados o Heffingen soma duas vitórias e três derrotas, a última das quais sofrida no sábado, em casa, frente ao Etzella, campeão em título, por 81-86.

“O balanço acaba por ser positivo porque o campeonato está muito equilibrado. Estamos a meio da tabela e podiamos ter mais vitórias, mas também mais derrotas. O importante é que os jogadores estão a aderir bem às novas ideias e ao processo de treino. Importa recordar que o nível do campeonato em Portugal é diferente em todos os aspetos. Lá, muitas equipas são profissionais. Aqui, treina-se menos porque os jogadores têm as suas profissões e para se mudar as coisas leva o seu tempo”, precisa.

“Temos a particularidade de ter uma equipa unida e solidária que se bate em cada jogo com grande determinação pela vitória.” 

“A realidade aqui é outra. Somos um clube de aldeia que funciona como uma família. Estamos fora dos grandes centros, mas temos a particularidade de ter uma equipa unida e solidária que se bate em cada jogo com grande determinação pela vitória. Com trabalho e humildade, acredito que vamos conseguir os nossos objetivos”, diz com convicção.

Daniel formou-se em Engenharia Civil, mas apenas chegou a fazer um estágio. O basquetebol passou a ser a sua profissão quando assumiu o cargo de treinador principal no Terceira Basket, com grande sucesso.

“Nos Açores ainda fiz um estágio de engenharia numa empresa que depois não renovou o vínculo comigo. Entretanto, o treinador principal saiu e eu assumi o cargo. As coisas têm corrido bem e neste momento sou treinador a tempo inteiro.”

Além da equipa sénior do Heffingen, Daniel Brandão treina, também, a de sub-16. Aos olhos do treinador português, a formação merece cuidados especiais e de forma mais consistente no Luxemburgo: “Pelo que me foi dado aperceber, a formação no basquetebol grão-ducal tem algumas carências. Por exemplo, a minha equipa de sub-16 treina apenas duas vezes por semana e eles nesta idade deveriam treinar todos os dias. É também fundamental que os treinadores sejam qualificados porque em termos humanos e de estruturas, o país está preparado para outros patamares.”

A ambição de treinar nos Estados Unidos

Sente-se acarinhado no país, mas afirma que não sabe quanto tempo vai ficar no Grão-Ducado. Revela que quer dar o salto para outros campeonatos e não esquece quem o ajudou na carreira: “Estou a cumprir um dos meus sonhos que era trabalhar fora de Portugal, país onde ser profissional é apenas para um grupo restrito. Só tenho pena de não ter sido melhor jogador. Mas como sou jovem, ambiciono trabalhar em Espanha e nos Estados Unidos, onde a modalidade assume outra dimensão.”

Não esquece alguns dos treinadores que o ajudaram a crescer a trocar a carreira de jogador pela de treinador a quem diz estar eternamente “agradecido”.

Por agora, quer ajudar o Heffingen a fixar-se entre a elite do basquetebol luxemburguês e deixar a sua marca na modalidade no Luxemburgo. “Se nos mantivermos na primeira Liga será um feito, mas se conseguirmos chegar ao play-off título, então será histórico”. 

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