Toni Fernandes

Lusodescendente quer impulsionar halterofilia no Luxemburgo

Toni Fernandes
Toni Fernandes
Foto: Laurent Blum

Toni Fernandes é um dos expoentes máximos da halterofilia no Grão-Ducado. Praticante há 25 anos, veste agora, também, a pele de treinador e quer introduzir uma nova metodologia para desenvolver a modalidade.

Por Álvaro Cruz

"Desde muito cedo que me interesso pela halterofilia e por tudo o que está relacionado com este desporto. Ainda sou praticante, mas treinador também”, explica o lusodescendente Toni Fernandes, de 44 anos, que recentemente criou o Luxemburg Warriors, o mais recente clube de halterofilia do país.

“Acredito que posso ajudar a desenvolver a modalidade não só no Luxemburgo, mas também em outros países”, revela depois de ter estado em Roma, no início deste mês, num simpósio com membros de outras federações europeias.

“Para mim foi uma honra ter sido escolhido pelos dirigentes luxemburgueses para representar o Grão-Ducado neste seminário cientifico sobre halterofilia”, congratula-se.

“O presidente da European Weightlifting Federation (EWF), Antonio Urso, pretende que os vários países europeus troquem ideias sobre as metodologias que utilizam para que num futuro próximo se possa trabalhar e desenvolver a modalidade de forma comum”, explica.

Luxemburgo atrasado em relação a outros países

“Por aquilo que tenho visto, o Luxemburgo ainda regista um grande atraso em relação às principais potências do Velho Continente e um dos meus objetivos é diminuir esse fosso”, assegura Toni, que se iniciou na halterofilia no Coq Neudorf, atualmente o único clube no país.

Fez a primeira formação de treinador na Alemanha, em 2016. No Grão-Ducado, completou o primeiro módulo de formação e prepara-se para o segundo, mas garante que não quer ficar por aqui.

“Os aspetos físicos e técnicos da halterofilia, a alimentação regrada e a recuperação são temas sobre os quais me tenho debruçado, especialmente nos últimos anos. Tenho devorado livros e feito várias formações que me ajudaram a ter uma visão mais alargada e exata sobre as várias vertentes da modalidade”, vinca.

“Criei em 2016 o Crosslifting, um método de treino equilibrado que engloba módulos do Crosstraining e Weightlifting, adaptados à halterofilia e a desportos similares, que pretendo continuar a desenvolver”, indica.

“É importante atrair jovens para a halterofilia, mas essa não é a minha única preocupação. Muitas pessoas entusiasmam-se com treinos físicos, vão para os ginásios, treinam-se sem método e depois arranjam problemas, por vezes graves. O Crosslifting é direcionado de uma forma especial ao trabalho correto das posturas corporais, ao reforço muscular sem desgaste exagerado do atleta e, também, à importante prevenção de lesões (full body training)”, diz.

Com vários títulos de campeão de halterofilia no Grão-Ducado e além-fronteiras no palmarés, Toni Fernandes volta-se agora para a formação de treinadores, ambição que pretende assumir a curto prazo.

Formar atletas e treinadores do futuro

“Há falta de treinadores de halterofilia credenciados e competentes no Luxemburgo. Esse vazio tem de ser preenchido para que a modalidade possa renascer e melhorar em todos os aspetos. Quando comecei, há mais de vinte anos, existiam sete clubes no país e agora resume-se ao Coq Neudorf. Isto não pode continuar”, lamenta.

“Gostava muito de ter a oportunidade de formar os atletas e treinadores do futuro com base na minha metodologia de treino. Se, um dia, a Federação Luxemburguesa de Halterofilia me der a oportunidade de ser selecionador nacional e responsável pela formação da modalidade – o que seria uma grande honra para mim –, acredito que poderão ser criadas condições para impulsionar definitivamente a halterofilia no Grão-Ducado.”

E acrescenta: “O atual presidente da federação, juntamente com o Filipe Santos, responsável técnico nacional, têm-se esforçado para que a modalidade evolua. Apoiam-me no meu trabalho em prol da halterofilia, o que me deixa bastante satisfeito”, conclui.

Enquanto não cumpre o desejo de chegar à federação, Toni Fernandes vai continuando a fazer formações e estágios de aperfeiçoamento porque acredita que, em breve, a sua hora vai chegar.

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