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Investigação portuguesa ajuda atletas a superar condições extremas
Desporto 4 min. 22.07.2021
Tóquio 2020

Investigação portuguesa ajuda atletas a superar condições extremas

Tóquio 2020

Investigação portuguesa ajuda atletas a superar condições extremas

Foto: DR
Desporto 4 min. 22.07.2021
Tóquio 2020

Investigação portuguesa ajuda atletas a superar condições extremas

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
A Universidade de Coimbra preparou atletas portugueses e franceses para o stress térmico que vão enfrentar em Tóquio.

As proezas desportivas e provas de superação dos atletas de alta competição fazem esquecer o impacto que o esforço físico conjugado com condições externas adversas pode ter na sua saúde. Melhorar a forma como os seus corpos devem responder a circunstâncias mais exigentes foi o objetivo de uma equipa da Universidade de Coimbra, liderada pelo fisiologista Amândio Santos, que realizou um conjunto de testes com vários desportistas de diferentes modalidades, que vão participar nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

As maratonistas Salomé Rocha, Sara Moreira e Sara Catarina Ribeiro, os marchadores João Vieira e Ana Cabecinha, os ciclistas Nelson Oliveira e João Almeida, os remadores Pedro Fraga e Afonso Costa e o skater Gustavo Ribeiro foram os atletas portugueses treinados num laboratório específico da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. As sessões decorreram numa câmara térmica onde foram submetidos às mesmas condições climáticas e indicadores de stress térmico que vão encontrar no local das competições.

Amândio Santos explica ao Contacto que os testes forma feitos "por vários períodos de tempo ao longo da preparação. O período mínimo é de cinco dias e o máximo de 10, seguidos com uma hora de trabalho na câmara térmica. Depois deste período os atletas regressaram às suas casas, voltando ao final de um mês para novo período de aclimatação", acrescenta.

Nesses testes, os atletas foram recriando ações e práticas associadas às suas modalidades, estando sob constante monitorização. Face a condições externas adversas, como aponta na apresentação do estudo, o metabolismo dá respostas exageradas e muitas vezes desajustadas, diminuindo de forma drástica a sua eficiência e alterando os mecanismos de termorregulação do corpo.


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"O problema dos Jogos Olímpicos de Tóquio são, de facto, as condições climáticas causadas pelas temperaturas e humidade elevadas. Existe um índice de stress térmico que é dado pela junção da temperatura e humidade e com este índice obtemos um valor WBGT (Wet Bulb Globe Temperature) que nos dá o grau de severidade das condições climáticas a que os atletas vão ser sujeitos. Com base nas previsões meteorológicas nós estamos a criar um índice wbgt superior a 30º o que já acarreta alguma perigosidade para o corpo humano quando é submetido a esforço físico – combinamos temperaturas de cerca de 32 º com humidade relativa de 80%", detalha o coordenador da equipa e também docente da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra.

O consumo de oxigénio, a avaliação da temperatura cutânea e central, a perda de líquidos ou a frequência cardíaca são alguns dos muitos parâmetros estudados durante os exercícios para fazer uma monitorização completa do atleta.

"De uma forma muito simples, o que este processo faz é proporcionar condições climáticas extremas para as quais o nosso organismo não tem uma resposta adequada e depois permitir um processo de aprendizagem progressivo, de forma a que a resposta seja cada vez mais eficiente e ajustada, diminuído assim o impacto destas condições extremas na performance do atleta", sublinha Amândio Santos. 


(FILES) This file photo taken on April 28, 2021 shows a general view shows the Olympic rings lit up at dusk on the Odaiba waterfront in Tokyo. - From a historic virus postponement and summer heat fears to unprecedented restrictions on fans, the path to staging the Tokyo Olympics, which begin in nearly one month on July 23, 2021, has been far from smooth. (Photo by CHARLY TRIBALLEAU / AFP)
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 Na prática, os treinos desenvolvidos no laboratório da Universidade de Coimbra pretendem ensinar o organismo dos desportistas a reagir às adversidades, fornecendo estratégias para uma melhor adaptação às circunstâncias que vão enfrentar nas suas provas em Tóquio.

No caso do Skate, modalidade que se estreia nos Jogos Olímpicos, a equipa de Amândio Santos teve de fazer algumas alterações e criar uma pista de treino própria dentro da câmara, para que Gustavo Ribeiro pudesse realizar as suas manobras de preparação.

Foto: DR

Apesar de as olimpíadas serem o contexto imediato dos testes, o responsável pelo estudo sublinha que o trabalho "vai para além do desempenho físico do atleta, uma vez que tem uma importância determinante na salvaguarda da sua integridade física". E resume os seus benefícios: "redução da temperatura corporal (central e periférica), menor produção de acido láctico, menor dispêndio metabólico, menor perda de volume plasmático, menor pressão arterial, maior estabilidade cardíaca, mais glicogénio poupado, maior eficiência energética e maior capacidade para gerar trabalho".

Além dos atletas nacionais, também treinaram na Universidade de Coimbra Yohann Diniz e Kevin Campion, elementos da equipa de marcha de França."A seleção francesa teve conhecimento deste trabalho e mostrou-se desde logo interessada", afirma Amândio Santos.

Apesar das respostas físicas aos testes realizados poderem variar e individuo para indivíduo, é possível encontrar um padrão, explica o fisiologista. "O nosso corpo tem respostas individuais, mesmo dentro da mesma modalidade poderemos ter respostas diferentes, no entanto conseguimos estabelecer um padrão constante em todos os atletas e todas as modalidades testadas. A dificuldade causada pela humidade relativa alta vai fazer com que o corpo não consiga perder calor através da evaporação e a consequência deste problema é um aumento da temperatura interna que tem consequências drásticas ao nível da performance desportiva."

Os Jogos Olímpicos começam já no dia 23 de julho e terminam a 8 de agosto. Esta edição deverá decorrer sem público a apoiar os atletas, devido à covid-19.

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