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Sporting-Benfica, um dérbi equilibrado
Desporto 5 min. 15.01.2020 Do nosso arquivo online

Sporting-Benfica, um dérbi equilibrado

Sporting-Benfica, um dérbi equilibrado

Foto: AP
Desporto 5 min. 15.01.2020 Do nosso arquivo online

Sporting-Benfica, um dérbi equilibrado

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Na história da 1.ª divisão, o Benfica ganhou tantas vezes em Alvalade como o próprio Sporting: 32. Dois clubes defrontam-se a 16 de janeiro em Alvalade.

Para a última jornada da primeira volta, a 1.ª divisão promove dois jogos de intensidade alta, ambos à sexta-feira: Porto-Braga às 19H00 no Dragão e Sporting-Benfica às 21h15 em Alvalade. A euforia é total, a indecisão idem idem. No caso do dérbi, a expectativa é ainda maior. Porque sim, porque o Sporting já não ganha em casa ao Benfica para o campeonato há sete jogos, desde 2012 (daí para cá, três empates e quatro derrotas), e porque o Benfica acumula tantas vitórias como o Sporting no dérbi em Alvalade. Isso mesmo, 32 vitórias para cada lado – de resto, 21 empates. Em matéria de golos, a superioridade ainda é do Sporting (126-124). Vai daí, lembrámo-nos de escolher cinco dérbis históricos para recordar.

1963, Sporting-Benfica, 1-3

Invicto nos dérbis desde a estreia do Estádio José Alvalade, em Junho de 1956, o Benfica haveria de quebrar o enguiço a 28 de Abril de 1963, depois de seis derrotas e dois empates. Faltavam três jornadas para o fim do campeonato 1962-63 e só Benfica e FC Porto podiam chegar ao título. Separados por quatro pontos, ambos jogavam fora e em Lisboa: os benfiquistas em Alvalade, os portistas no Restelo. Mesmo sem José Torres (lesionado), na altura o melhor marcador da 1.ª Divisão com 24 golos, o Benfica nem se ressente e ganha 3-1. Com evidente mau perder, os dirigentes leoninos proíbem os jogadores de falarem à comunicação social numa decisão futurista, pois a expressão “black-out” ainda não havia sido inventada. Do outro lado, Santana é o espelho da felicidade. E faz a barba no balneário. “Isto de não fazer a barba antes dos jogos dá sorte.” Nesse dia, Belenenses-FC Porto, 1-1. Aí está o Benfica com via verde para o título de campeão, o nono da sua história.

1974, Sporting-Benfica, 3-5

O campeonato 1973-74 é ganho pelo Sporting. Para chegar lá, os leões contam com a ajuda de Yazalde, autor de 46 golos. Pelo meio, algumas críticas sobre a ajuda da arbitragem, sobretudo em duas jornadas seguidas, com FC Porto (2-0 em Alvalade) e Vitória (1-0 em Guimarães). Para precaver uma terceira contestação, a direcção sportinguista pede um árbitro espanhol à Comissão Central de Árbitros (CCA) para o dérbi com o Benfica. A atitude leonina é amplamente criticada, pelo Benfica e pela própria CCA. A nomeação portuguesa recai no consagrado Raul Nazaré, de Setúbal, que apita sem problema o 5-3 para o Benfica. Sem falhas nem contestação. É o último dérbi do Estado Novo. E o chefe de governo, Marcelo Caetano, nem podia imaginar isso. “Quando o altifalante anunciou que eu me achava no camarote principal, a assistência, como movida por uma mola, consagrou-me demorada ovação.” Vinte e cinco dias depois, os cravos, movidos como uma mola, consagraram a República.

1977, Sporting-Benfica, 1-1

Artur Correia, o ruço, acabara de se transferir do Benfica para o Sporting. É o preço da soberba benfiquista em não cumprir o prometido verbalmente em relação a ordenados e prémios de jogos. O sorteio do campeonato determina um dérbi em Alvalade na jornada de abertura do campeonato. Quando Artur entra em campo, de leão ao peito, assusta-se ao ver tantas camisolas vermelhas no outro lado do campo. “Arrepiei-me todo”, conta, antes de cumprimentar todos os antigos companheiros, com especial dedicatória para Chalana, o homem que ia marcar individualmente. “Vê lá se estás quieto.” Aos sete minutos, golo de Chalana. Incrível, inédito. Diz o próprio. “Marquei, pela primeira e última vez, um golo de cabeça. Na sequência de um canto marcado pelo Toni, fugi à marcação do ruço e bati o Valter. Depois disso, só voltei a marcar de cabeça num jogo de veteranos na despedida do Estádio da Luz. Mas esse não contou para a estatística…”

1986, Sporting-Benfica, 7-1

É o dia dos Manéis. Com Manuel José no banco, o primeiro grande homenageado da tarde é Manuel Marques, o popular massagista do Sporting, que se junta à equipa na foto da praxe. No final do jogo, a bancada dos adeptos encarnados, que só “viu” dois golos (1-0 de Mário Jorge e 2-1 de Wando), está repleta de bandeiras queimadas, cartões de sócios no chão e almofadas rasgadas. O benfiquista Carlos Manuel recorda: “Houve alturas em que dentro da área, havia oito jogadores do Benfica, apenas um do Sporting e a bola ia parar ao do Sporting! É daqueles jogos que acontecem de 50 em 50 anos!” Na lista dos goleadores, destaque inevitável para Manuel Fernandes, autor de quatro golos.

1994, Sporting-Benfica, 3-6

O excesso de confiança em Alvalade é total e oferecia-se um prémio ao jogador do Sporting que marcasse o quarto golo. Esteve quase, é certo, mas o que não estava no programa era o festival João Vieira Pinto, autor de três golos, todos na primeira e em 14 minutos. Como se isso não bastasse, o número 8 fez uma finta de corpo inteligente para o 4-2, ofereceu o quinto e só no sexto não assinou por baixo. “Todos diziam que o Sporting ia ganhar, porque tinha uma equipa mais jovem e porque nós, mais velhos, não íamos aguentar o terreno pesado, com a insistente chuva que caiu”, conta Mozer. “O Sporting até começou melhor e chegou ao 2-1, com um golo quase dentro da baliza (Figo). Quando tudo parecia estar a favor do Sporting, nós, com toda a calma e experiência, demos a volta com uma grande exibição do João Pinto. Ele estava em plena forma física e colaborou de forma decisiva para o resultado final numa noite inesquecível.”


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