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Sporting: Assembleia geral de destituição do presidente a 23 de junho

Sporting: Assembleia geral de destituição do presidente a 23 de junho

Foto: Lusa
Desporto 6 min. 24.05.2018

Sporting: Assembleia geral de destituição do presidente a 23 de junho

Anúncio de Jaime Marta Soares após reunião dos órgãos sociais. Bruno de Carvalho admite interpor providência cautelar para travar AG.

O recurso que Jaime Marta Soares não pretendia utilizar vai mesmo avançar a 23 de junho: após cerca de três horas de reunião dos órgãos sociais do Sporting, o presidente da mesa da assembleia geral revelou que "Bruno de Carvalho recusou tudo" e, desta forma, os sócios serão chamados a 23 de junho para se pronunciarem quanto ao futuro do presidente.

Recorde-se que, na passada segunda-feira, os órgãos sociais reuniram-se durante perto de quatro horas, tendo na altura o presidente da mesa da assembleia geral revelado que tudo se decidiria num segundo encontro, agendado para hoje. Nessa reunião, Jaime Marta Soares apresentara um ultimato a Bruno de Carvalho, informando-o de que poderia demitir-se e seriam marcadas eleições às quais se recandidataria ou haveria uma assembleia geral para a sua destituição. Hoje, de acordo com o próprio presidente da assembleia geral, Bruno de Carvalho foi quem "falou durante mais tempo" na reunião.

A crise do Sporting agudizou-se depois das agressões de que foram alvo jogadores e equipa técnica por parte de um grupo de 50 indivíduos de cara tapada que invadiram a Academia de Alcochete no começo da semana passada. Esta foi a forma que usaram para reagir à derrota do Sporting na Madeira, frente ao Marítimo, na última jornada da Liga, resultado que ditou o terceiro lugar na classificação e o consequente afastamento da presença nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões da próxima temporada.

Enquanto 23 suspeitos eram detidos e se iniciava um processo na justiça (prisão preventiva foi a medida de coação ditada pelo tribunal do Barreiro), o Sporting era ainda alvo de uma denúncia por alegada corrupção a jogadores e árbitros de andebol, mas também, pelo menos, árbitros de futebol, na sequência da confissão apresentada por um dos alegados corruptores.

André Geraldes, diretor do futebol, foi constituído arguido, juntamente com outros três elementos, incluindo Paulo Silva, o alegado corruptor confesso, tendo as medidas de coação entretanto ditadas impedido que Geraldes continuasse a exercer funções e que houvesse contactos entre os arguidos. Geraldes teve ainda de pagar uma caução no valor de 60 mil euros.

Pelo meio, Mesa da Assembleia Geral e a maioria do Conselho Fiscal colocavam-se em situação demissionária, registando-se ainda várias demissões no Conselho Diretivo que ficou à beira de cair por falta de quórum. Entretanto, em conferências de imprensa, Bruno de Carvalho rejeitava demitir-se, criticando Jaime Marta Soares, José Maria Ricciardi, Álvaro Sobrinho e outros que foram pedindo o seu afastamento. Além disso, criticou os jogadores, designadamente Rui Patrício, considerando-os "direta ou indiretamente" responsáveis pelas agressões em Alcochete.

Equipa técnica e jogadores estão prontos para apresentar rescisões com justa causa, depois de terem marcado presença na final da Taça, perdida perante o Desportivo das Aves por 2-1.

Depois disto, o Sporting anunciou o regresso de Augusto Inácio para as funções de diretor do futebol, as contratações de Marcelo (ex-Rio Ave ) e Raphinha (ex-V. Guimarães) e ainda a entrada de Fernando Correia como porta-voz do presidente, além de indicar que era reforçada a segurança em Alcochete, que Bruno de Carvalho deixava de estar no banco durante os jogos e cancelava o apoio à claque Juventude Leonina. 

Hoje foi conhecida a demissão do médico Frederico Varandas da direção clínica sportinguista, tendo este manifestado disponibilidade para se candidatar à sucessão de Bruno de Carvalho, desde que sejam marcadas eleições antecipadas.

Bruno de Carvalho: "Um dos dias mais tristes que vivi no Sporting"

Depois da reunião, por entre gritos de apoiantes, Bruno de Carvalho foi ao auditório explicar-se: "Hoje é um dos dias mais tristes que vivi no Sporting. Cada derrota, cada não conquista... E quem me conhece bem sabe que são marcantes para mim, mas hoje realmente, acumulado com a reunião de dia 21, é o momento institucional mais triste da minha vida e falo por todos", referiu. 

"Pedimos várias vezes, dando todos os argumentos à mesa da AG do clube. Explicámos o que é do conhecimento público, ou seja, que isto colocará em causa o empréstimo obrigacionista que seria realizado até ao final do próximo mês. Não foram minimamente sensíveis aos interesses do Sporting e da SAD. Não foram sensíveis aos interesses dos acionistas e obrigacionistas, que deram voto de confiança a esta direção quando aprovaram a dilatação do prazo do empréstimo obrigacionista que vencia agora no dia 25", considerou. 

"Deitaram abaixo todo o trabalho que fizemos com os bancos e a CMVM. Esta necessidade de atrasar o empréstimo e de fazer outro tinha a ver com questões de tesouraria e isso foi explicado ao pormenor. Mas nada podia demover a mesa da assembleia geral e o Conselho Fiscal", criticou.

E deixou vários avisos: " Isto põe em causa a preparação da época, venda e compra de jogadores, põe em causa o passar a escrito a nova reestruturação financeira. E tudo isto por nada. Esta direção tentou de tudo. Pedimos para nos darem as razões para nos demitirmos. Foi-nos dito que não queriam entrar em discussões e garantimos que não discutíamos. Palavras vagas, no meu entender irresponsáveis. Não é assim que se lida com assuntos de máxima gravidade, com a queda de uma direção". 

Em seguida, deu pormenores sobre a reunião desta noite: "Mostrámo-nos disponíveis para discutir e até fizemos uma proposta. Propuseram-nos o seguinte: mantermo-nos em funções durante 60 dias, eram marcadas eleições daqui a 60 dias e depois dávamos a palavra aos sócios. Foi-lhes explicado que estava pedida por nós uma AG de auscultação aos sócios, o maior património do Sporting. Iríamos aí discutir tudo sem colocar em causa o início da época e a reestruturação financeira. Fizemos então nova proposta: se era por 60 dias que nos dissessem se queriam cinco ou 10 dias para terem acesso a tudo do clube e SAD, falarem com quem quisessem e, depois, no final desse período, se houvesse indícios de algo, que nos sentaríamos, porque somos honrados. Colocou-se tudo em causa por um capricho".

Bruno de Carvalho continuou em tom crítico: "É legítimo não quererem estar nesta direção, mas não a coação para que nos demitamos. Se não acreditam, façam eleições para esses dois órgãos, não colocando em causa o Sporting e a SAD. Que lógica tem, se estamos a prejudicar o clube, deixarem-nos cá 60 dias? Jaime Marta Soares lançou uma bomba atómica que, segundo os estatutos, não se faz assim. Foi alertado e mesmo assim lançou a bomba atómica. Não fomos nós quem mudou os estatutos para eleições em março".  

Quanto à possibilidade de saída de diversos jogadores e da equipa técnica com rescisões por justa causa, o presidente reafirmou: "Não há motivos para rescisões por justa causa. Não se pode alegar isso por ser o presidente A,B ou C. Isto foi penoso. Continuamos aqui pelo Sporting, em defesa do clube, fizemos todas as propostas e as pessoas não quiseram ouvir. Esta bomba atómica pode pôr muita coisa em causa no Sporting".

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