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Sporting 1-2 FC Porto. Três golos e uma bola de golfe
Desporto 6 5 min. 03.03.2022
Taça de Portugal

Sporting 1-2 FC Porto. Três golos e uma bola de golfe

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Sporting 1-2 FC Porto. Três golos e uma bola de golfe

Foto: Manuel de Almeida/Lusa
Desporto 6 5 min. 03.03.2022
Taça de Portugal

Sporting 1-2 FC Porto. Três golos e uma bola de golfe

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
FC Porto dá a volta ao Sporting (2:1) em pleno José Alvalade na 1.ª mão da ½ final da Taça de Portugal.

Ponto prévio: o defeito de sempre, o atraso no início do jogo. Sporting e Porto arrancam quatro minutos depois da hora, porquê? É um fenómeno sem igual nem explicação. É uma tradição tonta. Sai o Porto às 20 horas e 49 minutos. Na segunda parte, sai o Sporting às 2159, quase 15 minutos depois da hora prevista. O futebol precisa de um relógio. E de noção, porque, mais uma vez, acaba tudo à molhada com queixas gestuais, risos trocistas e empurrões.

Sai o Porto, dizíamos. E mal. O Porto joga mal até ao intervalo, sem inspiração, só transpiração. E o Sporting nem aproveita. Quer dizer, assenhora-se do clássico em matéria de oportunidades criadas, mas sem a garra pretendida para quem joga em casa uma eliminatória a duas mãos. É verdade, senhoras e senhores, a federação continua neste ram-ram da ½ final em 180 minutos. Até quando é uma boa pergunta. O Sporting está por cima e desenvolve mais jogadas de ataque. A primeira mais a sério é um remate cheio de estilo de Matheus Nunes a rasar o poste de Marchesín (23’). Depois é Ugarte quem obriga Marchesín à única defesa da primeira parte (30’) e ainda há um pontapé admirável de Porro, depois de tirar com pinta Taremi do lance, com a bola a sair ligeiramente por cima (45’+5).

O intervalo chega e é um alívio. Para trás, 45 minutos intensos, é verdade, e uma ligeira xaroupada de bola. A segunda parte começa com falta de Grujic sobre Sarabia e voam tochas dos adeptos do Sporting para a área de Marchesín. É um problema eterno, e mundial – escusava de se repetir. Do livre, só validado à segunda tentativa, resultado o excelente golo de Sarabia, a passe de Porro. O remate em arco do espanhol é de primeira, perfeito, ainda fora da área. Marchesín atira-se bem, sem qualquer hipótese.

O Porto acusa o golo? Nem pensar, vai finalmente lá para a frente e o Sporting começa a tremer como varas verdes. Aos 53’, Taremi domina bem com o peito e Neto faz um corte divinal a tocar a bola de raspão com a ponta da bota. Três minutos depois, na sequência de um canto, penálti de Porro sobre Evanilson. A falta do espanhol é escusada, porque a bola vai a fugir da área. Totalmente imprudente o lateral. Chamado a marcar, Taremi atira forte para a sua esquerda. A bola embate no poste e entra na baliza de Adán, que até se lançara (timidamente) para o lado certo. Acto contínuo, o Porto faz três substituições de uma assentada com as entradas de João Mário, Pepê e Otávio.

Decore os dois primeiros nomes, João Mário e Pepê. Aos 64’, há um lançamento longo para a direita e João Mário assiste Pepê. Do cruzamento do brasileiro, Taremi assiste com categoria e de calcanhar para o isolado Evanilson. O avançado mete a sola em cima da bola, estilo futsal, e encosta para a baliza, com Adán aos seus pés sem nada poder evitar. É a reviravolta e, no fundo, o resultado final. Porque o Porto controla os movimentos do Sporting e também porque o Sporting se mostra mais desorganizado que nunca. Nem mesmo com as entradas de Slimani e Bragança o seu jogo reencontra sentido ou tão-só fluidez. É uma série de individualidades a correr sem pés nem cabeça. Aparece então uma bola de golfe, lançada pelos tais adeptos do Sporting das tochas. Pepe apanha-a do relvado e, como bom menino, apresenta-a ao quarto árbitro.

Em cima do minuto 90, e já com Fábio Cardoso no centro da defesa portista para atrapalhar as ofensivas de Coates, é o Porto quem se aproxima do 1:3 num contra-ataque rapidíssimo. Só com Adán à sua frente, Otávio pica mal a bola e sai ao lado. E o Sporting? Só ruge aos 90’+3 num cabeceamento de Coates para uma defesa extraordinária de Marchesín quase em cima da linha. Taremi afasta o perigo num vistoso pontapé de bicicleta e, logo a seguir, o Porto obriga Adán a trabalho extra num pontapé de Toni Martínez.

Aos 90’+8, ou seja quase às onze da noite, Artur Soares Dias apita para o final do jogo. Vitória merecida do Porto, a primeira de sempre com reviravolta no José Alvalade e a segunda em 14 clássicos no covil do leão para a Taça de Portugal – a anterior é de 1992, faz precisamente hoje 30 anos, com um solitário golo de Kostadinov. Muito se fala na eficácia de Taremi, um golo de uma assistência. Sem dúvida, o iraniano é um poço de força e generosidade. E mesmo que o jogo não lhe corra favoravelmente, faz constantemente 'Ctrl + Atl + Del' para dar a volta aos acontecimentos. Ainda assim, Uribe é o melhor em campo. Que partidazo, chi-ça. O homem salva duas situações de golo do Sporting, ambas com cortes in extremis em esforço uh la la, e está sempre na linha da bola. Parabéns, é o melhor dos três Matheus em campo e também o MVP do clássico.

Sob o apito de Artur Soares Dias, eis os actores principais e secundários do clássico: 

Sporting:

  • Adán; Neto (Slimani 70), Coates (cap) e Gonçalo Inácio; Porro, Ugarte (Bragança 81), Matheus Nunes e Matheus Reis; Sarabia, Paulinho e Nuno Santos (Edwards 46)
  • Treinador Ruben Amorim (português)

FC Porto:

  • Marchesín; Bruno Costa (João Mário 61), Mbemba, Pepe (cap) e Zaidu; Vitinha (Fábio Cardoso, 88), Uribe, Grujic (Pepê 61) e Fábio Vieira (Otávio 61); Evanilson (Toni Martínez 84) e Taremi
  • Treinador Sérgio Conceição (português)

Marcadores:

  •  1-0 Sarabia (49); 1-1 Taremi (59 gp); 1-2 Evanilson (64)

(Autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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