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Sexta feira 13, o dia de sorte de Jaime Pacheco
Desporto 7 min. 13.05.2022
Liga portuguesa

Sexta feira 13, o dia de sorte de Jaime Pacheco

Jaime Pacheco foi campeão português pelo Boavista em 2001.
Liga portuguesa

Sexta feira 13, o dia de sorte de Jaime Pacheco

Jaime Pacheco foi campeão português pelo Boavista em 2001.
Foto: Estela Silva/Lusa
Desporto 7 min. 13.05.2022
Liga portuguesa

Sexta feira 13, o dia de sorte de Jaime Pacheco

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Artista da bola e rei da boa disposição, é ainda o herói invicto das sextas-feiras 13, associadas ao azar. Qual quê, é um dia de sorte para Jaime.

Começa esta sexta-feira 13 em Paços de Ferreira a última jornada da 1.ª divisão e só um dos três aflitos se salva da despromoção, entre Moreirense, Tondela e B SAD. Mas já lá vamos.

Jaime Pacheco. Craque, como jogador. Veste o número 10 do FC Porto na final da Taça das Taças-84 vs Juventus e também o número 10 de Portugal vs RFA na qualificação para o Mundial-86. Craque, como treinador. Campeão português pelo Boavista em 2001, campeão da segunda volta da 1.ª divisão 1996-97 pelo Vitória SC. One man show, Jaime Pacheco.  

Ao todo, quatro vitórias em quatro jogos, todos ao serviço do Boavista. O primeiro capítulo é em 1998, dia 13 Fevereiro – é, aliás, o primeiro jogo de sempre da 1.ª divisão a uma sexta-feira 13. No Bessa, dois grevistas de Saltillo sentam-se no banco de suplentes. De um lado, Jaime Pacheco. Do outro, Carlos Manuel.

O Sporting joga zero, nunca incomoda Ricardo. O Boavista joga a mil e obriga Tiago a duas defesas do arco da velha na primeira parte, uma a remate de Ayew, outra a um de Timofte, num livre directo. No reinício, aos 47’, Rui Bento cruza para a área, Marco Aurélio calcula mal a trajectória e Ayew pára no peito antes de finalizar com êxito, já em queda, à entrada da pequena área e à saída de Tiago. Em desvantagem, o Sporting continua apático e é o Boavista quem se aproxima do 2:0 pelo suplente Simic, cujo remate venenoso é repelido por Tiago.

Na época seguinte, em 1998-99, o Boavista é líder à 7.ª jornada com seis vitórias consecutivas. Sete em sete? O Boavista entra bem e atira à trave, por Isaías, de cabeça. A Académica, puxada pelo seu caloroso público, joga para ganhar e vai em vantagem ao intervalo, golo de Mickey a passe de Luís Filipe, ambos isolados na cara de William. Na segunda parte, Timofte empata de livre directo com o pé esquerdo, a bola entra encostada ao poste. A cambalhota no marcador é assegurada por Ayew, em fora-de-jogo, solicitado por Jorge Couto na direita. Calma, ainda há mais dois golos. O 2:2 de Gaúcho, de cabeça, ao primeiro poste, na ressaca de um livre lateral de Barroso. No instante seguinte, livre de Sánchez com o pé direito, defesa incompleta de Pedro Roma e 2:3 de Rogério, à boca da baliza.

A saga de Jaime Pacheco conhece a terceira dose em 2000, a caminho do tal título de campeão. O Paços de José Mota visita o Bessa e dá um banho de bola na primeira parte, com três bolas de golo. A todas, de Everaldo, Marco Paulo e João Armando, responde Ricardo com defesas aparatosas, duas para canto, uma para a frente cuja recarga sai por cima da trave. A palestra no balneário vira por completo a agulha e o Boavista aparece mais dominador que nunca. Aos três minutos, um cruzamento para a área do Paços é afastado por um defesa de calcanhar para trás. Sem preparação, Rogério atira de pronto e fixa o resultado. O Boavista sobe ao segundo lugar e está quase quase a ultrapassar o FC Porto.

O quarto e último momento glorioso de Jaime Pacheco a uma sexta-feira 13 é em Setembro 2002, novamente em Coimbra, outra vez vs Académica. O único golo da noite pertence a Silva, de cabeça, no meio de dois centrais mais altos. O resultado é injusto, o Boavista joga poucochinho e ainda leva duas bolas à barra nos restantes 89 minutos e 10 segundos. Pois é, Silva marca aos 50 segundos. Acredite, até nem é o golo mais rápido em sextas-feiras 13. Esse pertence a Liedson num Sporting vs Marítimo no José Alvalade, em Abril 2007. A bola sai do Sporting, claro. Polga faz um lançamento longo e Yannick, de costas para a baliza, toca para Liedson. Com a ponta da bota e livre da marcação de Milton do Ó, o 31 faz o 1:0. Acaba 4:0, por Romagnoli, Moutinho e Alecsandro.

E mais, e mais, mais histórias da bola sobre a sexta-feira 13. O único hat-trick é de Paulo Vida no Bonfim, em Dezembro 2002. Ao intervalo, o Vitória FC vence 2:0, por Rui Miguel e Jorginho, e está a meio caminho de acabar com a maldição do factor casa há sete jornadas seguidas. Ou será oito? O Varzim de José Alberto Costa faz entrar Milhazes mais Pepa ao intervalo. Aos 62’, Paulo Vida é o terceiro suplente em acção. E que suplentes. Paulo Vida reduz, Pepa iguala, Paulo Vida desempata de penálti e Paulo Vida fixa o 2:4 nos descontos. Surpreenda-se, Paulo Vida repete o hat-trick tão só cinco dias depois, no Restelo, para a Taça de Portugal (4:3 para o Varzim).

E nos Mundiais, que tal a estatística das sextas-feiras 13? Arrepiante é o que é. Em Neza (México), o uruguaio Batista é expulso com vermelho directo aos 51 segundos por uma falta sobre Strachan aos 39’’. A bola sai da Escócia e, quatro segundos depois, é lançamento lateral para o Uruguai. A Escócia recompõe-se e organiza-se com um lançamento longo. Há um corte de cabeça e outro lançamento lateral, agora para a Escócia. O número 7 Strachan recebe e cai imediatamente. A entrada de Batista é dura. A resposta do árbitro francês Joel Quiniou é mais dura ainda. Os uruguaios, reis e senhores da pancadaria nesse Mundial, já haviam sido alertados pela FIFA pelo jogo excessivamente físico. Aliás, o Uruguai joga sem o capitão Bossio, expulso no jogo anterior, vs Dinamarca. Agora é Batista. Mesmo com dez homens (todos de barba rija), o Uruguai segura o 0:0 e apura-se para a fase seguinte – encontra a Argentina em Puebla e perde 1:0. Já a Escócia, treinada por Alex Ferguson, é eliminada sem honra nem glória na fase de grupos com um só ponto e, vs Uruguai, zero remates à baliza.

Mais sextas-feiras 13 em Mundiais? A de 2014, em Salvador. A campeã em título Espanha apanha a valer da Holanda de Van Gaal por 5:1. O primeiro golo da tarde até é espanhol, por Xabi Alonso, de penálti. Empate Van Persie à beira do intervalo. Na segunda parte, madre mía. Robben, De Vrij, Van Persie e Robben vingam a derrota da final do Mundial anterior, em Joanesburgo (África do Sul).

E, já agora, em Europeus? Só dois casos, ambos em 2008, segunda jornada do grupo C. A Holanda (sempre ela, agora a de Van Basten) dá 4:1 vs França com golos de Kuyt, Van Persie, Robben e Sneijder contra o de Henry. Já o Itália vs Roménia é menos efusivo em golos, um de Mutu aos 55’, outro de Panucci no minuto seguinte. Perto do fim (81’), Buffon defende penálti de Mutu a dois tempos, primeiro com a mão esquerda, depois com o pé direito.


Conta-me como foi da bola
Efemérides e histórias caricatas do futebol pelo jornalista Rui Miguel Tovar.

Toda esta lengalenga porquê? A última jornada da 1.ª divisão começa esta quinta-feira, em Paços, e acaba domingo, em Guimarães, à porta fechada. Dos 18 clubes em competição, só seis têm as posições finais já clarificadas. Do sétimo lugar até ao último, toda uma indecisão. E se do Santa Clara (7.º) até ao Arouca (15.º), a vida soma e segue tranquila, com a permanência garantida na 1.ª, o cenário é diferente para Tondela, Moreirense e B SAD. Os três discutem duas despromoções e um play-off de sobrevivência com o 3.º classificado da Liga 2. Dos três, só o Moreirense conhece a sensação da descida. Dos três, só o Tondela acumula mais um jogo afixado para 2021-22, a final da Taça de Portugal. Dos três, só o B SAD ocupa a lanterna há 20 jornadas seguidas. Emoção a triplicar.

O calendário da jornada 30: 

Sexta-feira

  • Paços (10)-Benfica (3)

Sábado

  • Tondela (16)-Boavista (11)
  • Moreirense (17)-Vizela (14)
  • Arouca (15)-B sad (18)
  • FC Porto (1)-Estoril (8)
  • Marítimo (9)-Portimonense (13)
  • Sporting (2)-Santa Clara (7)

Domingo

  • Famalicão (12)-Braga (4)
  • Vitória SC (6)-Gil Vicente (5)

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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