Escolha as suas informações

“Se bobear vai ter estátua de Jorge Jesus ao lado do Cristo Redentor”
Desporto 4 min. 27.10.2019

“Se bobear vai ter estátua de Jorge Jesus ao lado do Cristo Redentor”

“Se bobear vai ter estátua de Jorge Jesus ao lado do Cristo Redentor”

Foto: Carlos Manuel Martins / Global Imagens
Desporto 4 min. 27.10.2019

“Se bobear vai ter estátua de Jorge Jesus ao lado do Cristo Redentor”

Carlos Mozer é um dos heróis do Flamengo que, em 1981, conquistaram a única Taça Libertadores do seu historial. Ao Diário de Notícias fala sobre "a noite mágica" do apuramento do clube para a sua segunda final e sobre a loucura em torno de Jesus, o treinador que "mudou a equipa da água para o vinho".

"Foi uma noite mágica, com uma grande festa!" É assim que Carlos Mozer fala, emocionado, ao Diário de Notícias, da goleada de 5-0 com que o Flamengo despachou o Grémio, garantindo o apuramento para a final da Taça Libertadores, algo que não conseguia há 38 anos.

O antigo defesa central do Benfica é um dos jogadores que estão na história do popular clube carioca por causa dessa conquista em 1981, numa equipa em que também brilhava o inesquecível Zico, mas também Júnior, Leandro, Tita, Adílio, entre outros. "Se o Jorge Jesus e o Flamengo estiverem juntos durante muito tempo, acredito que esta equipa poderá ser uma digna sucessora daquela onde joguei e que marcou a história do clube", admite ao DN.

O treinador português é uma figura irrepreensível da época de sonho que o Mengão está a fazer, com a liderança destacada no Campeonato Brasileiro e com a final da Libertadores garantida. E a euforia no Rio de Janeiro é tão grande que Mozer deixa uma garantia, em tom de brincadeira: "Se bobear, vai ter estátua de Jorge Jesus ao lado do Cristo Redentor." Assim mesmo. "O povo brasileiro é muito criativo, já há sósias do Jesus, do Gabigol, do Rafinha, do Bruno Henrique... e no início dos jogos juntam-se todos e são alvo da curiosidade da imprensa. É uma loucura muito grande", reforça.

"A final da Libertadores era muito desejada pela torcida durante todos estes anos de jejum e agora foi conseguido. As ruas do Rio de Janeiro já estão mais calmas, pois houve muita gente que veio de outros estados do Brasil para assistir ao jogo e agora estão de volta a casa, mas nota-se uma alegria imensa na rua, nos cariocas adeptos do Flamengo", conta o antigo jogador de 59 anos, explicando que "em três meses com Jesus, a equipa mudou da água para o vinho, tornou-se mais rápida, agressiva, muito organizada", explica, acrescentando que "os jogos excecionais que tem feito provocaram a mobilização da imensa torcida rubro-negra".

"Jesus chocou os treinadores brasileiros"

O impacto de Jesus no futebol brasileiro é assumido por Mozer como muito importante. "Com o trabalho que está a fazer, o Jorge ganhou um grande respeito da opinião pública. E olhe que no Brasil é difícil assumir essa superioridade de alguém que vem de fora porque há uma grande soberba por causa das conquistas do passado", explicou, lembrando que "o futebol mudou muito em organização e intensidade e isso não foi assimilado pelos brasileiros". E nesse sentido garante que "já há quem queira saber as razões da mudança que está a ser feita pelo Flamengo de Jorge Jesus".

Mozer admite que o técnico português "chocou os treinadores brasileiros". "Mas eu estou a adorar, porque havia a necessidade de conhecer outros tipos de trabalhos, ainda que no Brasil tenhamos alguns treinadores organizados como o Tiago Nunes, do Athletico Paranaense, mas que não tem muito impacto porque está num clube com a visibilidade do Flamengo, que está para o Brasil como o Benfica está para Portugal", explicou.

Na prática, o antigo futebolista considera que Jesus vai provocar "muitas mudanças" no futebol brasileiro, e explica porquê: "O Brasil é muito de modas. Por exemplo, quando o Luiz Felipe Scolari regressou ao país para treinar o Palmeiras, ele fez duas equipas, uma para jogar o Brasileirão e a outra para disputar as outras competições. E como teve sucesso, no ano seguinte todos quiseram fazer o mesmo... só que não tiveram sucesso." A principal mudança que Mozer prevê é "na mentalidade dos treinadores".

"Vou torcer pelo sucesso do Jorge Jesus para que sirva como um abre olhos, como se diz aqui no Brasil", assume, garantindo que se fosse treinador "iria procurar um contacto próximo com Jesus para tentar evoluir". "Não é demérito de ninguém querer aprender", avisa, em jeito de conselho aos técnicos brasileiros.

"O Flamengo é hoje uma equipa europeia"

Flamenguista de coração, Mozer diz que um dos grandes méritos de Jorge Jesus tem sido a de "reacender a chama rubro-negra que estava adormecida há 38 anos". Em 1981, garante, "o entusiasmo era o mesmo que se vive agora, mas mesmo durante o jejum os torcedores mantiveram-se fiéis ao clube, mas agora o Maracanã está sempre cheio e até as crianças vão aos jogos, algo que não acontecia".

A satisfação de Mozer é ainda maior porque durante os quase dois anos em que foi diretor do futebol do Mengão (entre junho de 2016 e março de 2018) tentou implementar no clube uma nova estratégia, que passava "pela contratação de um treinador português". "Não consegui, mas sabia da qualidade da escola de técnicos de Portugal e estava desejoso por levar um para o Flamengo. Felizmente, esta nova direção do clube teve essa visão", disse, revelando que o vice-presidente Marcos Braz "conhecia o trabalho de Jorge Jesus no Benfica e conseguiu fazer essa mudança".

"O Flamengo é hoje uma equipa europeia na sua forma de jogar", diz com orgulho, acreditando que no dia 23 de novembro "uma onda rubro-negra vai invadir Santiago do Chile", onde, em princípio - se a crise sociopolítica o permitir -, irá realizar-se a final da Taça Libertadores com os argentinos River Plate. "Nesta altura já há pessoas, um pouco por todo o Brasil, a comprar viagens para apoiar a equipa", garantiu.

  Texto de Carlos Nogueira/jornalista do DN   

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas