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Ronaldo. O jogo do gato e do rato com Messi
Desporto 5 min. 31.07.2022
Futebol

Ronaldo. O jogo do gato e do rato com Messi

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Ronaldo. O jogo do gato e do rato com Messi

Foto: AFP
Desporto 5 min. 31.07.2022
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Ronaldo. O jogo do gato e do rato com Messi

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Tudo o que sempre sonhou saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar. Por Rui Miguel Tovar.

Capítulo 12. O jogo do gato e do rato com Messi

Eu Ronaldo, tu Ronaldas, ele Ronalda, nós Ronaldamos, vós Ronaldais, eles Ronaldão.

Eu Messi, tu Messis, Ele Messi, nós Messiamos, vós Messiais, eles Messião.

Durante dez anos, Ronaldo e Messi elevam o futebol a um outro patamar, muito mais evoluído. É uma rivalidade ímpar no desporto mais popular do mundo. Nem Cruijff vs Beckenbauer nos anos 70. Desde 2007 até 2017, Ronaldo e Messi dividem o primeiro lugar do pódio do melhor do mundo para jornalistas, jogadores e treinadores. Não há ninguém indiferente, todos os olhos convergem para os dois. E o jogo muda por si só. O jogo e tudo o que o rodeia.

Parecido só mesmo Larry Bird vs Magic Johnson há 40 anos. Quando os dois aparecem, a NBA é um campeonato de segunda categoria. Só para se alcançar a dimensão da frase, a final de 1980 nem sequer é televisionada. Um é branco, outro é branco. Um é introvertido, o outro é rei do pagode. Um é dos Celtics, em Boston, na costa este, o outro é dos Lakers, em Los Angeles, na costa oeste. Durante 10 anos, Larry e Magic espalham charme no court e transformam a NBA num desporto de elite – os Celtics com o seu jogo interior, os Lakers com o particular showtime.

Fechado o parêntesis sobre o caso mais flagrante de uma rivalidade acérrima e acompanhada à escala planetária, regressemos ao ponto de partida. Ronaldo 2008, Messi 2009, Messi 2010, Messi 2011, Messi 2012, Ronaldo 2013, Ronaldo 2014, Messi 2014, Ronaldo 2016, Ronaldo 2017. Dez anos de bipolaridade no futebol. Nunca visto, de certeza, e jamais repetido? Impossível dizer impossível. Seja como for, é um sortudo quem vive esta realidade inaudita. Porque sim, porque Ronaldo e Messi despertam os mais variados sentimentos à volta do jogo em si e porque também arrastam a própria sociedade. Lá está, ninguém se sente indiferente. Nem as nossas avós, todas elas conhecem os dois e têm uma opinião muito própria sobre o caracter de um e do outro.

Subjectividades familiares à parte, Ronaldo e Messi marcam uma época. Isso é mais-que-certo. Outra certeza, Ronaldo e Messi fazem o jogo do gato e do rato. Em tudo e mais alguma coisa, até penáltis falhados. Veja-se o caso flagrante no Mundial-2018, com Messi vs Islândia e Ronaldo vs Irão. Veja lá bem, dois países sem tradição, ambos começados por I e com guarda-redes sem expressão até então (Halldórsson, do Randers/Dinamarca, e Beiravand, do Perspolis/Irão). Também há casos de bolas ao poste e/ou à barra.

Os homens sentem a rivalidade e ajudam a crescer-se mutuamente. Se um faz, o outro imita-o (ou supera-o). Um caso entre muitos acontece em 2013, para a Liga dos Campeões. Na jornada de terça-feira, Ronaldo marca três vs Galatasaray. Na jornada de quarta, Messi marca três vs Ajax. Às vezes (muitas mesmo), é no próprio dia. Como no sábado, 24 Setembro 2011: o Real Madrid avia o Rayo Vallecano por 6:2 com hat-trick de Ronaldo e, horas depois, o Barcelona dá 5:0 vs Atlético Madrid com hat-trick de Messi.

Nesse ponto, o dos golos no mesmo dia, Ronaldo e Messi começam a brincadeira há muito muito muito tempo. Parece a lenga-lenga do ‘long time ago’ da Guerra das Estrelas, e é. A primeira vez em que Ronaldo e Messi marcam no mesmo dia é a 31 Outubro 1999. O Sporting recebe o Amora para o campeonato regional de iniciados A e Ronaldo entra na segunda parte para fazer um golo no 9:0. Talvez ligeiramente mais tarde (fuso horário e tal), Messi marca um na liga rosarina sub12 vs El Torino. Acredite se quiser, há vídeo desse golo – é um remate seco com o pé esquerdo, após tabela com um colega à entrada da área.

Daí para cá, Ronaldo e Messi marcam no mesmo dia por 115 vezes. O ano com mais ‘ora marcas tu, ora marco eu’ no mesmo dia é o de 2012. Há dez anos, Ronaldo e Messi concentram ainda mais as atenções. Ao todo, 18 vezes. É obra. A epopeia começa em Janeiro, claro. No dia 22, Messi faz três vs Málaga, Ronaldo ‘só’ vs Athletic. Em Fevereiro, no dia 26, Messi vs Atlético e Ronaldo vs Rayo.

Em Março, já na Primavera, nos dias 24 e 31, Messi é vs Maiorca e Athletic, já Ronaldo é vs Real Sociedad e Osasuna. Em Abril, bis de Messi vs Levante e Rayo, golos de Ronaldo vs Sporting Gijón e Sevilha. Em Maio, no dias 2 e 5, o exagerado Messi celebra hat-trick vs Málaga e póquer vs Espanyol. Mais comedido, Ronaldo assina o ponto vs Athletic e Granada.

Férias e tal. No reinício, dia 15 Agosto, golo de Messi vs Argentina e golo de Ronaldo vs Panamá. Ainda em Agosto, há Supertaça entre Real e Barça. Até rima. Em Camp Nou, um para cada. No Bernabéu, idem idem. Já em Setembro, mais selecção: Messi vs Paraguai e Ronaldo vs Luxemburgo. Uma batata para cada.

A movida prossegue em Outubro, dia 7. O clássico acaba 2:2, bis para Messi, bis para Ronaldo. No fim, Mourinho aplaude os dois. ‘Devia ser proibido escolher entre os dois, são ambos de outro planeta.’ Até final do ano, mais cinco dias de minimal-repetitivo. Em Outubro, três de Messi vs Deportivo e um de Ronaldo vs Celta. Em Novembro, dois de Messi vs Maiorca e um de Ronaldo vs Levante. Em Dezembro, nos dias 1, 12 e 16, Messi acumula três bis vs Athletic, Córdoba e Atlético, já Ronaldo assina o livro de ponto vs Atlético, Celta e Espanyol.

É o fungagá da bicharada, é a rivalidade do século XXI.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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