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Ricardinho no Luxemburgo: “O clube onde vou acabar não é o mais importante”
Ricardinho esteve no Luxemburgo com Carlos Ortiz numa jornada de divulgação de futsal e depois seguiu para o Japão.

Ricardinho no Luxemburgo: “O clube onde vou acabar não é o mais importante”

Foto: AFP
Ricardinho esteve no Luxemburgo com Carlos Ortiz numa jornada de divulgação de futsal e depois seguiu para o Japão.
Desporto 6 min. 04.07.2018

Ricardinho no Luxemburgo: “O clube onde vou acabar não é o mais importante”

Alvaro Antonio SILVA DA CRUZ
Alvaro Antonio SILVA DA CRUZ
Eleito por cinco vezes melhor jogador do Mundo de futsal, Ricardinho esteve sábado no Luxemburgo com Carlos Ortiz, seu colega de equipa e segundo da hierarquia mundial, para uma jornada de divulgação da modalidade no país. Abdicou de alguns dias de férias para se dedicar à formação dos mais novos e garante que continua a jogar com a mesma alegria e entusiasmo que tinha quando começou.

A que se deve a sua presença no Luxemburgo?

Eu e o Carlos Ortiz, meu companheiro no Movistar, equipa onde jogo em Espanha, fomos convidados por Domenico Laporta, presidente da Association Luxembourgeoise de Street Soccer (ALSS), para promover esta jornada no Luxemburgo com jovens e divulgar a modalidade. Aceitámos com enorme prazer e para o ano queremos repetir a experiência, se possível com mais gente.

É a primeira vez que vem ao Grão-Ducado?

Sim, é a primeira vez que aqui estou, e é curioso porque até tenho aqui família...

Que balanço faz do evento?

Foi muito positivo. Os miúdos divertiram-se, foram muito recetivos, treinaram-se com grande entusiasmo e assimilaram bem alguns princípios simples que colocámos nos diversos espaços em campo. O entusiasmo foi grande por parte de todos, mas isso é compreensível porque não é todos os dias que se treina com os dois melhores jogadores do mundo. Por outro lado, também quisemos mostrar que os melhores jogadores não são apenas as estrelas que aparecem na televisão, nos jornais e nas revistas. Somos humanos, acessíveis, e sempre que possível estamos prontos a ajudar a dinamizar e desenvolver o futsal.

Depois do Luxemburgo, segue-se o Japão.

Sim. Vamos estar em três cidades japonesas para divulgar a modalidade e dar a conhecer a academia ’Ricardinho & Ortiz’ que já existe em várias localidades em Espanha. Temos tido solicitações dos Estados Unidos, Austrália e outros países, mas infelizmente não podemos estar em todo o lado e este ano decidimos privilegiar o Luxemburgo e o Japão. Como profissionais, estamos a abdicar dos nossos dias de férias para podermos responder aos vários pedidos um pouco de todo o mundo, o que não é fácil. Para o ano vamos estar em outros países para continuar a divulgar os métodos de trabalho da nossa academia.

Futsal e futebol podem ser complementares?

Sem dúvida. Em muitos países, especialmente no Brasil, grande parte dos jovens passa primeiro pelo futsal para poderem evoluir tecnicamente e só depois integram as equipas de futebol de onze. No futsal, existe maior contacto com a bola e a diversidade das ações é muito maior e bastante variada. Os jogadores são expostos a uma intervenção constante no jogo e tanto defendem como atacam, sendo obrigados a confrontar-se, ao mesmo tempo, com tarefas ofensivas e defensivas. O campo tem dimensões mais reduzidas e, cognitivamente, todos são obrigados a tomar as decisões com maior rapidez durante o jogo.

Admite a possibilidade de abrir uma academia ’Ricardinho & Ortiz’ no Luxemburgo?

Essa, em princípio, é a nossa intenção e também o desejo de Domenico Laporta, que é um verdadeiro apaixonado pela modalidade. Vamos analisar e equacionar essa possibilidade com racionalidade para, quem sabe, num futuro próximo podermos ter representatividade no Grão-Ducado.

Tem conhecimento do nível do futsal que se pratica nas Ligas luxemburguesas?

Aquilo que sabemos é através das informações fornecidas pelo Domenico e pelas pessoas com quem temos estado em contactado aqui. Disseram-nos que o campeonato está numa fase inicial, mas tem vindo a evoluir como em vários outros países, embora existam ainda muitas coisas por melhorar. Vai ser necessário muito trabalho e dedicação.

Depois da conquista do Campeonato da Europa de futsal acredita que Portugal tem condições para chegar ao título mundial?

Sinceramente, não sei. Portugal já corria atrás deste objetivo e acabou por consegui-lo com muito mérito. Conquistar o Europeu foi a vitória de um grupo fantástico, muito importante para o futsal no país. Um grande incentivo para que a modalidade possa continuar a crescer e chegar a outros patamares, sobretudo através de uma formação adequada. No último Mundial terminámos no 4° lugar, mas estamos todos empenhados em melhorar essa classificação no próximo.

Como avalia o trabalho do selecionador Jorge Braz?

Muito bom e importante para todos nós, mas no início foi difícil. Era o primeiro desafio dele como treinador principal, mas soube estar à altura. Já tivemos a melhor geração de jogadores e não ganhámos nada e com esta, da qual muitos duvidavam, conseguimos vencer o Campeonato da Europa. Jorge Braz teve o mérito de nos fazer acreditar nas nossas qualidades e isso acabou por ser determinante.

Portugal tem os melhores jogadores do mundo de futebol e futsal que jogam e vivem em Madrid. Existe alguma proximidade com Cristiano Ronaldo?

É verdade, temos os melhores do mundo e isso é um grande privilégio, mas entre mim e o Cristiano Ronaldo existe, acima de tudo, respeito e admiração.

O que significa para si ser o melhor do mundo por cinco vezes?

É o fruto de anos consecutivos de muito trabalho e dedicação. Dou o meu melhor todos os dias para estar sempre num nível elevado e continuo a sentir grande prazer em jogar, tal como no início da minha carreira. Quero continuar a fazer o que mais gosto para ser uma referência no futsal e deixar um legado aos mais novos. É fundamental desenvolver e incrementar a modalidade nos escalões de formação porque os jovens são o futuro e é nessa vertente que quero ter a minha participação.

Quais as principais diferenças entre as ligas portuguesa e espanhola?

Em Portugal, o título resume-se à luta entre dois ou três principais clubes e em Espanha a competição é mais forte e intensa. O equilíbrio entre as equipas também é muito maior, o que nos obriga a estar ao nosso melhor nível em cada jogo.

Que vantagens existem por estar no futsal espanhol para lá da financeira?

A principal é estar no melhor e mais competitivo campeonato de futsal do mundo. Existem também diferenças a nível financeiro porque o futsal espanhol é muito bem estruturado e o mais forte do mundo, a nível interno e também internacionalmente, como provam as inúmeras conquistas obtidas nas competições europeias.

Sendo português, tem sido bem tratado em Espanha e respeitado como melhor jogador do mundo?

Sim, de uma forma geral não me posso queixar.

Quando falou há dias sobre o interesse do Sporting, não pensou que poderia ser odiado pelos adeptos do Benfica caso aceitasse?

Essa é uma questão que tem gerado muitas polémicas e eu não as quero alimentar. Sou profissional e, dentro das propostas que me têm sido endereçadas, vou avaliar, com serenidade, qual é a mais vantajosa para mim.

Como tem acompanhado os vários casos no futebol português?

Com alguma tristeza. Eu e muitos trabalhamos arduamente para elevar o mais alto possível o nome de Portugal e depois deparamo-nos com algumas situações lamentáveis. Mas, no fundo, já não me chocam.

Gostaria determinar a carreira em que clube?

O clube onde vou acabar não é o mais importante. O fundamental é terminar no futsal e dar o meu melhor pela modalidade.

Depois de ter lançado, em 2007, ‘Ricardinho – Magia nos pés’, apresentou recentemente o seu segundo livro, ’A magia acontece onde há dedicação’. De que trata esta segunda obra?

É um livro para todos os desportistas em geral, mas em particular para os jovens jogadores de futsal. São dicas e conselhos para os que têm sonhos e querem transformá-los em realidade. Ensiná-los que só ter talento não é suficiente. Para realizarmos os nossos sonhos e termos sucesso é fundamental muito trabalho, foco e dedicação. É esta a mensagem que quero transmitir, a todos, com humildade.

Como viveu o afastamento da seleção portuguesa frente ao Uruguai?

Fiquei desiludido. É verdade que, excetuando o jogo com a Espanha não estivemos no nosso melhor, mas o futebol é assim, nem sempre se pode ganhar.

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