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Quem é Mario, o homem que invadiu o Portugal-Uruguai
Desporto 8 3 min. 29.11.2022
Mundial 2022

Quem é Mario, o homem que invadiu o Portugal-Uruguai

O ativista Mario Ferri correndo pelos relvados do Portugal-Uruguai, aqui sob o olhar admirado de Cristiano Ronaldo.
Mundial 2022

Quem é Mario, o homem que invadiu o Portugal-Uruguai

O ativista Mario Ferri correndo pelos relvados do Portugal-Uruguai, aqui sob o olhar admirado de Cristiano Ronaldo.
Foto: Tom Weller/dpa
Desporto 8 3 min. 29.11.2022
Mundial 2022

Quem é Mario, o homem que invadiu o Portugal-Uruguai

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Em pleno jogo, Mario, um ativista dos direitos humanos entra a correr pelo relvado com uma bandeira arco-íris t-shirt de super-homem surpreendendo os jogadores. As imagens que a transmissão da FIFA não mostrou e o apoio de Portugal.

De repente, aos 52 minutos do jogo Portugal-Uruguai, um homem entra em campo e corre durante 30 segundos pelo relvado em direção ao meio-campo uruguaio, perante a surpresa dos jogadores que param a partida. Na mão este ativista dos direitos humanos, traz a bandeira LGBTQIA+ e veste uma t-shirt com o símbolo de Super-Homem com mensagens de apoio às mulheres iranianas e à Ucrânia, "Salvem a Ucrânia", na frente e nas costas "Respeito pela Mulher Iraniana".   

De imediato, seguranças perseguem-no pelo campo, acabando por o agarrar e atirar ao chão para o deter e retirar do relvado do estádio de Lusail para que a partida continue. Foi a primeira vez, neste campeonato do Mundo, que ocorreu uma invasão de jogo.

Um apelo aos direitos humanos no Qatar, o país organizador do Mundial tão fortemente criticado pelas suas violações e atropelos neste importante domínio. A homossexualidade, por exemplo, é um crime. 

Pouco depois de ser detido em campo por seguranças que o escoltaram para fora do relvado, o ativista foi libertado, declarou à AFP uma fonte local. Nenhuma ação legal terá sido movida contra o adepto.

No entanto, não vai poder assistir a mais jogos, uma vez que o seu Cartão Hayya - o documento de identificação necessário para obter a entrada no Qatar durante o Campeonato do Mundo - foi revogado. 

Mario, o invasor de campo

Mario Ferri, italiano nascido em 1987, teima em invadir jogos de futebol para chamar a atenção para os direitos humanos. Este ativista, que se auto-intitula "O Falcão", foi também um invasor de campo em campeonatos de Itália, e em torneios internacionais, como o do Mundial do Brasil, em 2014.  

Aconteceu durante a partida da Bélgica-EUA, onde entrou em campo também com uma t-shirt de Super-Homem, mas daquela vez com as inscrições "Save the children of the favelas" e "Ciro Vive", um alerta contra a vida infantil nas favelas brasileiras e uma homenagem a um apoiante de Napoli morto pouco tempo antes, de acordo com a agência italiana AGI. A sua luta sempre publicada nas redes sociais conquista cada vez mais apoiantes, tendo já mais de 100 mil seguidores no Instagram.

"O Falcão" começou a conquistar admiradores nas redes sociais sobretudo desde 2010, quando invadiu com a sua t-shirt de Super-Homem vários jogos em Itália, o mais notório, durante a Liga dos Campeões, entre o AC Milan e Real Madrid, indica o Daily Mirror.

Dois meses depois, nova invasão de campo e desta vez na final da Copa do Mundo de Clubes, em Abu Dhabi, entre o Inter Milão e o Mamzebe, do Congo. "Free Sakineh" tinha inscrito na sua habitual T-shirt, pedindo a libertação de Sakineh, uma mulher iraniana que nesse ano tinha recebido uma sentença de morte por apedrejamento, por ter sido acusada de adultério no Irão. Por esta invasão de campo, foi detido e o passaporte confiscado.

 

O apoio de Portugal

Na sua conta Instagram, Mario publicou imagens do interior do estádio Lusail em Doha, a última tirada no intervalo, antes de invadir o jogo. Um episódio pouco foi mostrado pela transmissão da FIFA desta partida sofrida, e em que Portugal acabou a vencer por 2-0.


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No final da partida, o português Ruben Neves comentou a invasão de Mario. "Sabemos o que está a acontecer à volta deste Campeonato do Mundo. Percebemos a mensagem", realçou o futebolista declarando que a equipa está com com as mulheres iranianas.

 "Espero que nada aconteça a este rapaz porque compreendemos a sua mensagem, e penso que o mundo também a compreende", comentou o português. Embora a FIFA tenha dado garantias de que as bandeiras ou roupas com as cores do arco-íris serão aceites nos estádios, a realidade é diferente tendo estes símbolos sido confiscados em várias ocasiões pelas forças de segurança. 

Com AFP

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