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Que tristeza, um hino ao futebol trauliteiro
Desporto 6 min. 12.02.2022 Do nosso arquivo online
Futebol

Que tristeza, um hino ao futebol trauliteiro

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Que tristeza, um hino ao futebol trauliteiro

Foto: LUSA
Desporto 6 min. 12.02.2022 Do nosso arquivo online
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Que tristeza, um hino ao futebol trauliteiro

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Porto e Sporting empatam 2:2 no clássico do faroeste com infinitas escaramuças e cinco expulsões (quatro já depois do apito final). Querem ler primeiro a parte boa ou a parte má?

Clássico no Dragão entre os dois últimos campeões nacionais e entre primeiro e segundo classificados da 1.ª divisão 2021-22, separados por seis pontos. Fixe, vamos lá então. Ripa na rapaqueca, como diria o saudoso Jorge Perestrelo. Roooola a bola, diria eu. Noventa e muitos-quase-infinitos minutos depois, chega-se à triste conclusão de que a bola é só um meio para atingir um fim. E esse fim é a confusão e a guerrilha constantes do futebol português, sempre muito trauliteiro e impróprio para consumo.

E agora, querem ler primeiro a parte má ou a parte boa? O Porto entra mais afoito, com o claro intuito de resolver o jogo e prolongar três séries de estado de graça para a 1.ª divisão: 49 jogos de invencibilidade, 16 vitórias seguidas no Dragão e 16 vitórias seguidas desde o 1:1 no José Alvalade, na primeira volta. Vitinha dá corpo a essa ideia, Adán adia o golo com defesa atenta. Na recarga, Taremi atira e Adán volta a espantar a bola.

No quadradinho seguinte, Matheus Reis divide uma bola aérea com Fábio Vieira e atinge-o. Falta, ponto. Não, há mais. Como o lance é perto do banco do Porto, é o fungagá da bicharada. Protestos, empurrões, chinfrim. Matheus Reis vê amarelo e um dirigente portista outro. Nem 120 segundos de jogo e já há confusão, sem necessidade alguma. Insistimos: é falta, ponto.

O Sporting raramente passa o meio-campo e a primeira oportunidade só acontece por displicência de Vitinha à entrada da área, aos 4’. Paulinho aproveita para um remate tímido para encaixe fácil de Diogo Costa, já recuperado da arrepiante lesão em Arouca há uma semana. À segunda, Paulinho marca. Contra a corrente do jogo, Esgaio lança uma bola longa para a esquerda e Matheus Reis cruza para o cabeceamento do português entre Pepe e Mbemba. Está feito o 0:1.

O Porto acusa o golpe. Quer dizer, continua a ser a equipa dominante. De longe. Só que deixa de se aproximar com perigo da baliza de Adán e o Sporting resolve os dilemas defensivos com mais à-vontade. Aos 27 minutos, Taremi pisa Coates numa jogada sem interesse no meio-campo. O árbitro João Pinheiro avança como se o central uruguaio tivesse cometido um crise lesa pátria e, toma lá disto, um amarelo. Inexplicável, tanto o inverter da infracção como a voracidade em se assumir como protagonista na esperança (vã) de segurar os jogadores.

Adiante. Aos 34’, Matheus Nunes e Nuno Santos baralham a defesa portista, soltam Matheus Reis, cujo centro ao segundo poste apanha Sarabia em posição solitária para criar perigo. O espanhol vê Nuno Santos à sua beira e oferece-lhe o golo. O número 11 remata de primeira e apanha Diogo Costa em contrapé, 0:2.

O Porto acusa o golp... Nada disso, desta vez o Porto reage ao golpe e ataca a baliza de Adán no instante seguinte. Daí ao golo é um flash em jogada bem trabalhada por Fábio Vieira e Taremi. O médio remata forte e colocado, junto ao poste mais distante de Adán. Está relançado o clássico. E começa a tremideira emocional de parte a parte. Há um lance junto à linha em que Matheus Reis finge agressão de Pepe. O lance é tonto, sem explicação por parte de Matheus Reis, sobretudo porque já tem amarelo e uma simulação dá direito a outro. João Pinheiro dá uma de psicólogo, na esperança (vã) de acalmar a cabeça desmiolada da malta. É missão impossível porque há escaramuças várias, picardias idiotas e bate-bocas inenarráveis. Bem-vindo ao faroeste. É melhor ir para intervalo.

A segunda parte começa com amarelo para Coates, o segundo e consequente vermelho. O capitão do Sporting puxa o braço de Evanilson e thats all folks. As picardias voltam à ordem do dia, com os suplentes e dirigentes no banco em frenesim completo, quase quase a entrar em campo para corrigir a decisão do árbitro e/ou provocar confusão. Aos 59’, um raro momento de bola com Zaidu a acertar uma belíssima rosca ao poste de Adán. Se fosse golo, memorável. Como não é, voltamos ao ram-ram de sempre e vemos Adán caído no relvado, a ver se o tempo passa mais depressa. Contra dez, o Porto sente-se seguro no jogo mas sem soluções para o empate. Até ao minuto 79, altura do 2:2 de Taremi, de cabeça.

O cruzamento de Fábio Vieira (mais um) é dos livros, o iraniano antecipa-se a Feddal e cabeceia bem para o empate. O Porto tem o campeonato à sua mercê, só tem de marcar o 3:2 e é campeão nacional ainda no inverno. Há tentativas aqui e ali, todas mal-sucedidas por aselhice ou bom posicionamento dos dez defesas sportinguistas na hora agá. A placa do quarto árbitro indica sete minutos. Ao sexto, o suplente Toni Martínez obriga Adán a defesa para canto. O lance origina a lesão de Feddal. Como o central sangra do nariz, é obrigado a trocar de camisola. Como o central é assistido fora de campo, tem de assistir ao canto portista na linha lateral, á espera da autorização de entrada por parte de João Pinheiro. Tudo isto é básico, é das regras, certo? Errado, gera-se uma confusão junto à baliza sportinguista grande, enorme, gigante, xxl. Que salganhada, que tristeza.

Marca-se o canto com pompa e circunstância. Grujic cabeceia bem, Adán defende melhor. Na recarga, Pepe vai de cabeça à bola e uma bicicleta de Palhinha (?) afasta o perigo. A bola continua solta, o Sporting afasta-a e Pepe está estendido dentro da baliza a pedir penálti. João Pinheiro apita para o fim. O fim do jogo, e o reinício da confusão. O que se segue é uma idiotice pegada com jogadores, treinadores e dirigentes à molhada. Depois ainda se metem os apanha-bolas. Enfim, é uma vergonha maiúscula, um atentado ao futebol. Mais vale desligar a televisão e não fazer caso aos casos do jogo.

Querem agora ler a parte boa? Errrrrr.

Eis os actores principais e secundários sob o apito de João Pinheiro, árbitro do clássico no Dragão pela terceira época seguida, tal e qual Artur Soares entre 2013 e 2016

FC PORTO – Diogo Costa; João Mário (Pepê 74), Pepe (cap), Mbemba e Zaidu; Otávio, Uribe (Francisco Conceição 74), Vitinha (Galeno 57) e Fábio Vieira (Grujic 90); Taremi e Evanilson (Toni Martínez 90)

Treinador Sérgio Conceição (português)

SPORTING – Adán; Gonçalo Inácio, Coates (cap) e Feddal; Esgaio, Matheus Nunes, Ugarte (Tabata 90+3) e Matheus Reis; Sarabia (Palhinha 55), Paulinho (Slimani 66) e Nuno Santos (Neto 66)

Treinador Rúben Amorim (português)

Marcadores 0-1 Paulinho (8); 0-2 Nuno Santos (34); 1-2 Fábio Vieira (38); 2-2 Taremi (78)

Indisciplina expulsões de Coates (49, duplo amarelo), Pepe (90+7, vermelho directo), Palhinha (90+7, vermelho directo), Marchesín (90+7, vermelho directo) e Tabata (90+7, vermelho directo)

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