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Portugal vs Espanha. Madre mía, que pesadelo
Opinião Desporto 4 min. 28.09.2022
Liga das Nações

Portugal vs Espanha. Madre mía, que pesadelo

Cristiano Ronaldo Pau Torres e o gaurda-redes espanhol Unai Simon saltam para a bola no jogo entre Portugal e Espanha para a Liga das Nações, a 27 de setembro de 2022.
Liga das Nações

Portugal vs Espanha. Madre mía, que pesadelo

Cristiano Ronaldo Pau Torres e o gaurda-redes espanhol Unai Simon saltam para a bola no jogo entre Portugal e Espanha para a Liga das Nações, a 27 de setembro de 2022.
Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP
Opinião Desporto 4 min. 28.09.2022
Liga das Nações

Portugal vs Espanha. Madre mía, que pesadelo

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
O negativismo está agarrado à selecção portuguesa por conta própria e adeus à final four da Liga das Nações, por um golo de Morata aos 88 minutos. Que fado, o português.

Bem-me-quer?

Mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer.

E o bem-me-quer?

Nem pensar, isso já foi chão que deu uvas. O negativismo está agarrado à selecção portuguesa por conta própria e adeus à final four da Liga das Nações, por um golo de Morata aos 88 minutos. Que fado, o português. Basta-lhe um empate na última jornada da fase de grupos para selar o apuramento e a Espanha estraga-lhe o sonho, em Braga, numa noite (mais uma) para esquecer.

Bem-me-quer?

Mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer.

E o bem-me-quer?

A Espanha joga mal, Portugal menos mal. A Espanha troca muito a bola, sem profundidade nem propriedade. Isto é, eles tocam, tocam, tocam, tocam. Só, mais nada. É o típico caso 'não joga nem sai de cima'. Tiki para aqui, taka para ali, tiki-taka, tiki-e-perdem a bola. E que tal Portugal? Na expectativa, à espera do apito final de Orsato. A jogar em casa, com lotação esgotada há um mês, e a fazer o jogo do pequenino. 

Salva-se Diogo Jota, sempre mais nervoso que todos os outros juntos. É ele quem procura a bola, quem choca contra eles, quem refila, quem protesta. E é ele quem obriga Unai Simon à defesa da noite, num remate à meia-volta, aos 42 minutos. Antes, já Unai Simon defendera para canto uma bola de longe de Rúben Neves, aos 33’. De resto, madre mía, que pobreza. De tudo, ideias, conceitos. Se isto é o futebol do presente, façam fast forward se faz favor.

A segunda parte é igual nos primeiros largos minutos. Portugal sente-se cómodo, porque a Espanha não pisa sequer a área de Diogo Costa. Pelo contrário, está lejos, muy lejos. Pois claro que não, a Espanha joga como se fosse uma equipa da NBA. Exacto, a NBA é muito do mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer até ao quarto período. Depois, meus amigos, it's showtime. Calma, não exageremos, a Espanha não dá show, muito menos showtime. O que a Espanha faz é uma substituição que vira o jogo de uma ponta à outra. Bienvenido Williams Jr.

O miúdo, com tranças coloridas, é o Diogo Jota espanhol – à excepção da parte de espingardar com adversários e o árbitro. Williams guia a Espanha à vitória com um futebol vertiginoso, para a frente, sem cautelas nem caldos de galinha. Este sim, joga e não sai de cima. Braga, we’ve a problema. Williams mete o turbo à esquerda, Portugal afasta. Williams volta a meter o turbo, agora à direita, Diogo Costa defende. Williams é um quebra-cabeças, vale pelas outras dez múmias da Espanha. Vá, nove-e-meia: Carvajal merece uma menção honrosa por querer ser mais aventureiro.

Nem por acaso, o 0:1 é deles: Carvajal cruza da direita para o poste mais longínquo, Williams aparece a cabecear para o meio e Morata atira para a baliza deserta, enquanto Cancelo é batido pelo centro largo, Diogo Costa vai à bola já sem solução e Rúben Dias levanta a mão em típica situação de desespero do fora-de-jogo. Na linha lateral, Luis Enrique y sus muchachos vibram. Mais ao lado, Santos solta um palavrão seguido de um pá. Pois é, pá, assim não.

A bola vai ao meio. Vá, ainda faltam seis minutos. Santos mete João Félix, o pobre do miúdo é sempre chamado à queima como porta-estandarte de um erro sem reparo. No quadradinho seguinte, Ronaldo aparece isolado na área espanhola. E quê? O remate do capitão é travado pelo joelho de Unai Simon. Mais palavras para o ar, o teatro do costume. Que pobreza.

E a Espanha? Muita malta jovem, com pouco tiki-taka para segurar o jogo. Busquets enerva-se, às tantas, com tanta bola mal jogada. Morata também se passa, embora seja mais dialogante com os companheiros e lhes peça uma rabia mais cerebral que emocional. A partir daí, Portugal é engolido pelo seu sonho do empate e nunca mais atina. Os últimos segundos até são dolorosos, com as entradas provocadoras e sem bola de João Félix mais Danilo.

Portugal acaba o grupo em segundo lugar, atrás da Espanha e à frente de Suíça mais Chéquia. No seu currículo, três vitórias, um empate e duas derrotas. Em golos, 11 marcados e três sofridos, dois deles de Morata. Aaarghhhhhhh. Se o futebol português fosse uma planta, seria um mal-me-quer.

Com arbitragem do italiano Orsato, eis os actores principais e secundários no Municipal de Braga:

  • Portugal: Diogo Costa; João Cancelo, Rúben Dias, Danilo e Nuno Mendes; Rùben Neves (João Félix 90+2), William (Rafael Leão 78) e Bruno Fernandes; Bernardo (João Mário 73), Ronaldo (cap) e Diogo Jota (Vitinha 78); seleccionador Fernando Santos (português)
  • Espanha: Unai Simon; Carvajal, Guillamon (Busquets 46), Pau Torres e Gaya; Rodri, Soler (Pedri 60) e Koke (cap) (Gavi 60); Ferrán Torres (Williams Jr 73), Morata e Sarabia (Pino 60); seleccionador Luis Enrique (espanhol)
  • Marcador: 0:1 Morata (88)

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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