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Portugal. O aluno de 19 valores que só tirava 12 e agora até já chumba
Opinião Desporto 4 min. 15.11.2021
Mundial2022

Portugal. O aluno de 19 valores que só tirava 12 e agora até já chumba

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Portugal. O aluno de 19 valores que só tirava 12 e agora até já chumba

Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP
Opinião Desporto 4 min. 15.11.2021
Mundial2022

Portugal. O aluno de 19 valores que só tirava 12 e agora até já chumba

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
O onze de Santos nunca entra para ganhar, nunca joga o que sabe, nunca é incómodo, nunca é uma selecção ganhadora, nem quando ganha o Euro-2016.

O onze de Santos nunca entra para ganhar, nunca joga o que sabe, nunca é incómodo, nunca é uma selecção ganhadora, nem quando ganha o Euro-2016.

Portugal de Fernando Santos, é esse o assunto do dia. 2016, Europeu em França. O nosso grupo é a feijões. Melhor é impossível. Islândia, Áustria e Hungria, todas juntas, acumulam menos fases finais que Portugal. E o que fazemos? Três empates. Baaaaah. Passamos em terceiro, é uma novidade do primeiro Euro com 24 equipas (entre 51 concorrentes da UEFA).

Na fase a eliminar, uma figura destaca-se mais que todas as outras. É ele, Quaresma. Marca o decisivo 1-0 vs Croácia aos 117 minutos e ainda decide o desempate por grandes penalidades vs Polónia, nos ¼ final. Nas meias, Portugal ganha o primeiro jogo do Euro em 90 minutos, com 2-0. Segue-se a final, vs França. A jogar completamente fora, no Stade de France, perdemos o capitão Ronaldo aos 28 minutos, por lesão. Entra Quaresma, sempre ele. E aguentamos o 0-0 até ao fim. Devemos agradecer ao Patrício e ainda à bola ao poste aos 90+2, pelo suplente Gignac.

No prolongamento, agigantamo-nos com Nani, Quaresma e Raphaël em grande estilo. Um minuto depois de Raphaël atirar à trave num livre directo, aparece o golo da noite. Moutinho rouba a bola a Griezmann e entrega-a para João Mário. Daí para Éder. O nosso 9 aguenta a carga, avança destemido e despacha um pontapé forte, certeiro. Lloris estica-se. Nada feito, é golo. Um-zero. Vitória, glória, feriado. Finalmente um título, finalmente uma geração com a taça. É para continuar, claro.


TOPSHOT - Serbia's defender Strahinja Pavlovic (L) fights for the ball with Portugal's forward Cristiano Ronaldo during the FIFA World Cup Qatar 2022 qualification group A football match between Portugal and Serbia, at the Luz stadium in Lisbon, on November 14, 2021. (Photo by PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)
Portugal 1:2 Sérvia. Do you feel lucky, punk?
Pobre mais pobre não há: Portugal acaba o jogo com três centrais, dois trincos e é desviado para o play-off do Mundial-2022 por uma valente Sérvia com um golo ao cair do pano.

Ou não. O Mundial-2018 é pobre, com empate, vitória e empate na fase de grupos. O apuramento para os oitavos-de-final é sofrido. Se Taremi marca na cara de Patrício, adeus e até à próxima num grupo acessível com Espanha, Marrocos e Irão. É verdade, sim senhor, no mundo dos ses também podemos falar do penálti falhado por Ronaldo (ou, melhor, defendido pelo guarda-redes iraniano). Só que o lance de Taremi é no último minuto de descontos e não haveria tempo para dar a volta ao texto. Seja, adiante. Seguimos em frente, prontos a redimirmo-nos. Ou não. O Uruguai toma conta da ocorrência, 2-1 com bis de Cavani. Contas feitas, só uma vitória em quatro jogos.

Euro-2020 em 2021. A pandemia tem destas coisas. A UEFA organiza uma competição em 11 cidades de 11 países, entre Sevilha e Baku. A selecção apura-se em segundo lugar, atrás da Ucrânia. Mais um flop. No sorteio da fase final, apanhamos França, Alemanha e Hungria. É o único grupo de jeito, todos os outros cinco parecem-se com o fungagá da bicharada.

A viagem é um carrossel de emoções, porque entramos a ganhar (3-0 à Hungria), caímos na realidade (4-2 da Alemanha) e sobrevivemos no terceiro lugar (2-2 vs França). Venha daí a Bélgica, nos oitavos-de-final. Reina a esperança, desfeita pelo único remate deles à baliza. É o de Hazard, o irmão de Eden. Perdemos pela margem mínima e arrepiamos caminho para casa. Mais uma vez, só uma vitória em quatro jogos. E somos o único terceiro classificado a sair de cena à primeira.

De Sevilha até à Cidade do Futebol, uma horinha de avião. Nem isso. À espera dos jogadores, Marcelo Rebelo de Sousa. Há palavras de apoio, há discursos encorajadores, há o futuro no Mundial Qatar-2022. Há tudo isso, e também há a realidade. Nunca entra para ganhar, nunca joga o que sabe, nunca é incómodo, nunca faz o trabalho de casa, nunca joga para a frente. Nunca é uma selecção ganhadora, nem quando ganha o Euro-2016.

E continua sem o ser. A qualificação para o Mundial-2022 é outro flop. De exibições sem pés nem cabeça (como o 2:1 vs. Irlanda no Algarve) e também de resultados confrangedores (como o 0:0 em Dublin), ao ponto de perder o apuramento directo em casa quando só precisa de empatar e está a ganhar desde o segundo minuto. Flop atrás de flop atrás de flop, que pobreza franciscana.


As melhores imagens do Portugal-Sérvia
A inédita derrota de Portugal com a Sérvia por 2-1 fez cair a seleção das 'quinas' para os play-offs de apuramento para o Mundial2022.

E porquê? Ou melhor, como é que jogamos tão mal? Uyyyyy, isso agora é entrar num campo minado. Primeiro, a abordagem ao jogo é minimal-repetitiva, seja Alemanha ou Luxemburgo – e é sempre bom lembrar o arranque desta qualificação, em Turim, com autogolo de Medvedev a garantir um horrível 1:0 vs Azerbaijão, a selecção mais fraca do grupo. Depois, nunca jogam os melhores e disso é exemplo Bruno Fernandes no banco para o jogo decisivo vs Sérvia ou a ausência permanente de Félix no onze (só um jogo a titular em dez na qualificação) ou a pouca utilização de Rúben Neves. Finalmente, há as escolhas pouco/nada funcionais como Nuno Mendes à esquerda, o meio-campo para o jogo decisivo com Danilo – Moutinho – Renato ou a aposta constante em Palhinha.

Quando falamos de selecções de topo, e estamos certos quando nos julgamos de topo pela quantidade e qualidade absurda de jogadores, nunca nos aproximámos desse registo. Porque não repetimos o sucesso, somos só um episódio isolado. O título do Euro-2016 é um momento único. Tão único como o da Dinamarca em 1992 ou o da Grécia em 2004, com a agravante de criarmos mais recursos humanos por km2 que dinamarqueses e gregos.

(Autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico)

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