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Portugal em Braga, uma salganhada
Opinião Desporto 4 min. 27.09.2022
Liga das Nações

Portugal em Braga, uma salganhada

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Portugal em Braga, uma salganhada

Foto: AFP
Opinião Desporto 4 min. 27.09.2022
Liga das Nações

Portugal em Braga, uma salganhada

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Liga das Nações, sexta e última jornada do grupo 2. Em Braga, os dois candidatos esgrimem argumentos para passar à final four. Já lá moram Croácia, Holanda e Itália, falta só um, entre Portugal e Espanha. Basta um empate a Portugal, já a Espanha tem de ganhar (caso contrário, ainda acaba é em terceiro se a Suíça cumprir vs Chéquia).

Para fugir ao mundo dos ses, fazemos uma viagem aos cinco jogos da selecção portuguesa na Pedreira, obra (premiada) de Souto Mouro. O primeiro de todos é em 2004. Chove muito, muito mesmo. É um particular vs Itália e a equipa de Trapattoni escorrega no marcador bem cedo, logo aos cinco minutos, numa tabelinha entre Nuno Valente e Rui Costa. O lateral entra na área e engana Buffon com muita classe.

Está dado o mote para uma exibição cinco estrelas até aos 20 minutos, altura em que os italianos acertam a táctica e renovam o cinismo. Prova inequívoca dessa maneira de ser é o golo do empate, por Vieri, de cabeça, na sequência de um livre marcado sem que o árbitro tivesse apitado e a apanhar desprevenidos Figo (vira as costas à bola) e Paulo Ferreira (deixa-se antecipar pelo matulão do Vieri). 

Na segunda parte, o golpe da misericórdia num outro lance inenarrável: canto da esquerda, Miccoli marca-o ao primeiro poste, onde Boa Morte escorrega e Ricardo não chega à bola com o pé. Está feita a reviravolta, assegurada por Buffon com uma defesa apertada a remate de longe de Ronaldo.

Quatro anos depois, a selecção volta a picar o ponto em Braga. E que ponto, vs Albânia. Há zero a zero, há cem a cem. A música de Carlos Paião é engraçada, só que Portugal desafina em todas as notas. Bruno Alves é o primeiro a promover Beqaj como o melhor em campo. Seguem-se remates de Ronaldo (livre directo), Danny e Nani. Pelo meio, um cabeceamento de Hugo Almeida ao poste.

É muita fartura e Portugal não sai do indesejado 0:0, ainda por cima a jogar contra dez elementos desde a expulsão de Teli aos 42 minutos. A tudo isto alia-se o esbracejar de Ronaldo após uma perda de bola e consequentes assobios dos adeptos portugueses. No minuto seguinte (80’), o presidente federativo Gilberto Madaíl abandona tribuna VIP com a desculpa de ir à casa de banho.

Acaba zero-zero. Mais assobios. Sobretudo para Queiroz, o treinador que idealiza um onze sem extremo direito, com Nani e Quaresma no banco, e nem aparece na flash interview da TVI. Com uma boa desculpa. ‘Há muitos elevadores e escadas no estádio.’

Mais quatro anos, eis-nos em 2012. Segundo jogo da qualificação para o Mundial-2014 e o Azerbaijão a vender cara, muito cara, a derrota. Até ao intervalo, uma série de remates portugueses esbarram na competência superior de Agayev. Que guarda-redes, que exibição. Com jeito e alguma sorte, pois claro. Veja-se lá esta sequência de bolas nos ferros, só na primeira parte: Postiga à barra (18'), Moutinho à barra (23') e Postiga ao poste (45').

No total dos 45 minutos, qualquer coisa como 21 remates, cinco deles nos dois minutos de descontos. Que avalanche. O resultado, esse, é nulo. Em todo o seu esplendor. Após o intervalo, Portugal continua a carregar no acelerador. Agayev evita o 1:0 de Bruno Alves, aos 48', e Ronaldo acerta uma bola no poste, aos 50'. O domínio avassalador só dá finalmente um ar da sua graça por Varela, no seu primeiro toque na bola após substituir Miguel Veloso. Nem a perder o Azerbaijão de Berti Vogts se aventura por aí além, o objectivo é perder por poucos. Nada feito. Postiga faz o 2:0 e Bruno Alves, de cabeça, fixa o 3:0.

Braga, 2015. Para o decisivo teste do apuramento rumo ao Euro-2016, vs Dinamarca, o seleccionador Santos mexe no onze em relação ao 1:0 em Elbasan (Albânia) e tira Vieirinha, Pepe, Eliseu, Miguel Veloso mais Danny. Para os seus lugares, Cédric, Bruno Alves, Coentrão, Moutinho e Tiago. A mudança nem se nota, a equipa é mesmo um todo. Daí a quantidade de goleadores-heróis além de Ronaldo, como Éder (Itália 1-0), Raphäel (Argentina 2-1), Veloso (Albânia 1-0) e Moutinho (Dinamarca 1-0).

O seu golo é uma obra de arte, na medida em que tira três adversários da frente à entrada da área antes do remate fatal, junto ao poste direito de Kasper Schmeichel. Antes, Nani acerta na trave (41') e Bendtner assusta Patrício com uma bola ao poste esquerdo (47'). Empatados em azar, decide o génio de Moutinho. E, já agora, de Santos. Com ele, a selecção só sabe ganhar (seis seguidas) e sempre, sempre, sempre pela margem mínima. A própria qualificação para um Europeu a uma jornada do fim (o próximo jogo, em Belgrado, já não conta para o totobola) é um facto inédito – Otto comete essa proeza para o Mundial-66, imita-o Scolari no Mundial-2006.

O último jogo de Portugal em Braga é em 2018, um triste 2:2 vs Tunísia de preparação para o Mundial em que Santos estreia Rúben Dias. Aos 33 minutos, há 2:0. Golos de André Silva (roubo de bola de William e cruzamento de Quaresma) e João Mário (pontapé do meio da rua, na sequência de um canto da direita de Bernardo). Tudo vai bem. De repente, aos 37’, a Tunísia reduz por Badri, com um remate na passada. E o empate aparece aos 64’, por Ben Youssef a encostar à boca da baliza. Na baliza portuguesa, Anthony Lopes a fazer de Rui Patrício, ausente tal como Ronaldo, Gelson e Bruno Fernandes.

*Autor escreve ao abrigo do antigo AO. 

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