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Porto vs Benfica. Diga lá 33
Desporto 4 min. 24.12.2021
Taça de Portugal

Porto vs Benfica. Diga lá 33

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Porto vs Benfica. Diga lá 33

LUSA
Desporto 4 min. 24.12.2021
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Porto vs Benfica. Diga lá 33

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Golo supersónico de Evanilson aos 33 segundos orienta Porto para uma vitória categórica (3:0) na Taça de Portugal num triste espectáculo de futebol sem bola

Tondela, Portimonense, Leça, Sporting, Mafra, Rio Ave, Vizela e Porto ou Benfica?

(…)

É a Taça de Portugal, oitavos-de-final. Já há sete apurados, só falta o oitavo e último participante do próximo sorteio. Por isso, insistimos na ideia: Porto ou Benfica?

(…)

Antes disso, cara ou coroa para os capitães Otávio e André Almeida. A pergunta é da praxe, cortesia Fábio Veríssimo. A moeda vai ao ar e, abracadabra, o Porto escolhe campo, o Benfica bola. Soa o apito, o Benfica sai para trás. E recua, recua. O Porto ganha lançamento lateral, executado para a área. O Benfica continua na sua de recuar, recuar. O Porto avança, Taremi ganha a bola na pequena área, incomoda Helton Leite e Evanilson faz a recarga com êxito. Já está, um-zero aos 33 segundos.

(…)

Ya, 33 segundos. O Porto, favorito pelo factor casa e pela liderança na 1.ª divisão, marca cedíssimo e dá um tremendo golpe de autoridade num Benfica sem rei nem roque. O que se segue é um passeio do Porto alicerçado pelos golos de Vitinha (erro de Helton Leite) e bis de Evanilson (oferta de Luis Díaz). Aos 31 minutos, três-zero. Game over. E nem a expulsão de Evanilson nos descontos da primeira parte alteram o que seja, porque o Benfica da segunda parte continua longe da baliza de Marchesín e até é o Porto a criar a oportunidade mais flagrante com uma bola de Taremi ao poste (56’).

Entre jogos com reviravolta (Tondela, Sporting, Mafra) e decididos nas grandes penalidades (Portimonense, Leça e Rio Ave), o clássico é o único resolvido na primeira meia-hora. Mérito maiúsculo para um Porto em crescendo, forte como o aço. Mesmo sem Sérgio Conceição no banco, a cumprir o segundo jogo de castigo disciplinar, nem Pepe no onze, é uma equipa. Ponto. Coesa. Outro ponto.

Já o Benfica não é uma coisa nem outra, é tão-só um grupo de jogadores. Em dia sim, a coisa ainda funciona. Isso nota-se no 3:0 vs Barcelona, no 6:1 vs Braga. Em dia não, é um desastre completo. Sobretudo se sofre o primeiro golo. Isso nota-se no 1:0 vs Portimonense na Luz, no 3:1 vs Sporting na Luz e, agora, no 3:1 vs Porto no Dragão. É inadmissível como o clube mais rico e o plantel mais caro de Portugal consegue produzir tão poucachinho. Seja com Jesus ou com Deus, o adjunto de Jesus, também ele a cumprir um segundo jogo de castigo.

Sem os dois treinadores principais no banco, o foco do clássico incide por inteiro para os 22 artistas. E que artistas. Uns mais que outros. E é por estas e por outras que o futebol televisivo é cada vez mais um insulto para o adepto, por culpa das fitas e dos mergulhos dos jogadores, mais preocupados em sacar o cartão ao adversário do que em jogar propriamente à bola. É que ao vivo a malta ainda se diverte, sem repetições de quatro ângulos nem em slow motion. Agora em casa, a ver pela televisão, o futebol é uma palhaçada pegada. Já não basta a inovação das dez substituições (cinco para cada lado) para quebrar ainda mais o ritmo de um jogo, agora temos isto.

O isto é a queda vertiginosa do futebol-espectáculo em prol do futebol-wresteling. Bola, zero. A sério, é um clássico feio, sem classe nem ponta por onde se pegue. Primeiro só joga uma equipa a sério. Depois, aparecem com insultante frequência os agarrares de mãos, as palavras ácidas (também tu, Yaremchuk?), os toques maldosos aqui e ali (Taarabt, pá), os pontapés à socapa, os rebolares por faltas inexistentes (Luis Díaz, pá), os saltos para a piscina (Taremi, pá), os protestos de adjuntos de adjuntos, os desvarios de suplentes tontos-armados ao pingarelho. Se o Porto quisesse, se só se preocupasse em jogar à bola, metia uma goleada de mão cheia. Cinco. Ou mais. Porque o Benfica nunca, nunca, nunca mesmo, se encontra. É uma pobreza inaudita. Rios de dinheiro em treinador, jogadores e bola-que-é-bom? Zero. Nem com onze, nem com dez. Nada, é um gatafunho imperceptível. Apre.

Daqui a uma semana há mais, agora para a 1.ª divisão, novamente no Dragão. Com Conceição, de certeza. E Jesus? A pergunta está lançada, a ver se a resposta sai daqui a 33 segundos, tchan tchan tchan tchaaaaaan.

Sob o apito de Fábio Veríssimo, eis os actores principais e secundários do Dragão

FC PORTO – Marchesín; João Mário, Mbemba, Fábio Cardoso e Zaidu; Uribe, Vitinha (Toni Martínez 90+6), Otávio (cap) (Sérgio Oliveira 77) e Luis Díaz (João Marcelo 90+6); Evanilson e Taremi (Wendell 90+2)

Treinador Vítor Bruno (na ausência de Sérgio Conceição, suspenso)

BENFICA – Helton Leite; André Almeida (cap) (Lázaro 68), Otamendi, Vertoghen; Gilberto (Everton 46), João Mário (Pizzi 68), Weigl, Taarabt (Yaremchuk 46) e Grimaldo; Rafa e Darwin (Seferovic 57)

Treinador João de Deus (na ausência de Jorge Jesus, suspenso)

Marcadores 1-0 Evanilson (33 segundos); 2-0 Vitinha (7); 3-0 Evanilson (31)

Indisciplina expulsões do portista Evanilson (45+2, duplo amarelo) e do benfiquista Otamendi (90+4, vermelho directo)

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