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Porto-Braga. O regresso da jornada 8, e que regresso
Desporto 6 min. 30.09.2022
Liga portuguesa

Porto-Braga. O regresso da jornada 8, e que regresso

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Porto-Braga. O regresso da jornada 8, e que regresso

Foto: Hugo Delgado/Lusa
Desporto 6 min. 30.09.2022
Liga portuguesa

Porto-Braga. O regresso da jornada 8, e que regresso

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Esta sexta-feira, mais um capítulo no Dragão, para a 1.ª divisão. Para trás, uma história inigualável com início em 1977.

Sporting vs Benfica.

Benfica vs FC Porto.

FC Porto vs Sporting.

Nenhum destes três jogos atinge a importância de um FC Porto vs Braga. Calma, a malta explica: o dito jogo é o único entre portugueses a preencher finais de quatro competições entre Taça de Portugal, Taça da Liga, Supertaça e Liga Europa. Que luxo. Hoje, mais um capítulo no Dragão, para a 1.ª divisão.

Para trás, uma história inigualável com início em 1977. O Braga de Mário Lino chega à final da Taça sem apanhar uma única equipa da 1.ª divisão entre Campomaiorense (5:0), União Santarém (2:1), Olhanense (5:0), Almada (2:0), Famalicão (1:0) e Gil Vicente (0:0 + 4:1 no jogo de repetição).

Já o FC Porto de José Maria Pedroto só actua fora das Antas nos 64 avos (3:0 em Viseu). De resto, é um ver-se-te-avias entre Alba (8:0), Montijo (7:1), Aliados do Lordelo (9-0), Sporting (3:0), Fafe (3:0) e SC Braga (1:0).

Braga nas Antas? Isso mesmo. A final é nas Antas, entre a 28.ª e 29.ª jornadas do campeonato, a um 18 de Maio (curiosamente o dia de outra final entre os dois, a da Liga Europa-2011). É uma quarta-feira à noite. A hora está estabelecida há muito (21h30), o local ainda não.

À falta de clubes da zona centro, Porto e Braga puxam a final para o Norte. Nas conversações com a FPF, só há duas hipóteses: ou Antas ou Municipal de Coimbra (os únicos estádios com iluminação artificial). A decisão está prevista para uma sexta-feira, 13. Há quem esteja de olho em Praga, num perfeito 10 da romena Nadia Comaneci nos Europeus de Ginástica, e há quem esteja mais atento aos acontecimentos na Praça da Alegria, onde os dirigentes do Braga chegam a acordo com os do FC Porto para uma final nas Antas. Para espanto (e discórdia) dos adeptos bracarenses.

A confusão é imensa lá para os lados de Braga. E até motiva um comunicado da direcção do Braga no jornal Correio do Minho. Nada feito. Os adeptos estão de candeias às avessas e alguns (muitos) deles nem viajam até às Antas. O estádio apresenta então uma moldura humana aquém da expectativa.

Tal como o próprio jogo, decidido por Fernando Gomes aos 51 minutos. O solitário golo começa numa falta de Rodolfo sobre Manaca, contra-ataque de Duda, corte defeituoso de Ronaldo, cruzamento do mesmo Duda e remate vitorioso de Gomes.

A bola vai ao meio e toma lá disto. Um adepto bracarense chamado Joaquim Alves, de 27 anos, finta 200 polícias, 250 porteiros, 20 elementos do exército e cinco cães-polícia para desferir um valente soco na cara do árbitro Porém Luís. Durante cinco minutos, a bola não anda. Está parada, paradinha.

No balneário do Braga, só então é que o tal Manaca recupera os sentidos, já depois de substituído por Fernando. Reiniciado o encontro, o capitão Oliveira atira uma bola ao poste, aos 62’, no único lance digno de registo até final. O FC Porto levanta a quarta Taça da sua história, entregue pelo Primeiro-Ministro Mário Soares, e inicia um período dourado, prosseguido com o bicampeonato em 1978 e 1979.


Conta-me como foi da bola
Efemérides e histórias caricatas do futebol pelo jornalista Rui Miguel Tovar.

Passam-se uns anos valentes e já estamos em plena era do inédito penta, ao comando de Fernando Santos. A Supertaça ainda é a duas mãos, em dois caprichosos: 8 do 8 e 9 do 9. Em Agosto, o FC Porto ganha 1:0 nas Antas, obra de Zahovic. Em Setembro, o esloveno é expulso por Jorge Coroado ainda na primeira parte. 

Mesmo com dez, o FC Porto dá um golpe de autoridade vs Braga (finalista da Taça) com golo do suplente Capucho, substituto de Artur. A parte final do jogo é estimulante. O Braga empata por Formoso, aos 80’, e falha um penálti por Silva, aos 88’ (defesa de Kralj). O FC Porto sai a ganhar e levanta a supertaça no 1.º Maio.

O século XXI evidencia um Braga mais forte e a assumir-se como quarto grande. A campanha para o segundo lugar na 1.ª divisão 2009-10 causa sensação. Na época seguinte, o Braga de Domingos Paciência eleva a fasquia e chega à final da Liga Europa. Pelo meio, elimina Liverpool (em Anfield), Dínamo Kiev e Benfica (golo solitário de Custódio na segunda mão, na Pedreira). 

Em Dublin, o adversário é o FC Porto de Villas-Boas. Apenas um golo, aos 44 minutos, pelo colombiano Falcao, de cabeça, após cruzamento da direita do compatriota Guarín. Para se entender a força do plantel portista, um dos suplentes chama-se James, outro colombiano – autor de um hat-trick no jogo seguinte, vs Vitória SC, para a final da Taça de Portugal.

Taça de Portugal, Supertaça e Liga Europa, só falta a Taça da Liga. Ei-la em 2013, no Estádio Cidade de Coimbra. É o FC Porto de Vítor Pereira, ainda invicto na 1.ª divisão, tal como o Benfica de Jesus. É também o FC Porto de Abdoulaye Ba, um central senegalês em noite para esquecer. O homem vê o primeiro amarelo aos 17 minutos por atacar as pernas de Mossoró numa entrada absurda e, depois, é expulso aos 42’ com duplo amarelo por nova falta sobre Mossoró, já dentro da área. Chamado a bater o penálti, Alan engana Fabiano e o Braga ganha balanço para ganhar o primeiro título da era António Salvador, presidente desde Fevereiro 2003.

FC Porto vs Braga, que clássico. Mais ainda agora com as duas equipas em situações sui generis. O FC Porto em crise, até de identidade. Quem tudo vende, arrisca-se a isso e muito mais. Já o Braga respira saúde, desportiva e não só. A permanência de Ricardo Horta, na sequência de notícias diárias sobre a saída para o Benfica desde Junho até Agosto, passa uma mensagem e o querer do Braga em fazer história, em chegar lá acima, em atingir o patamar nunca alcançado: o título nacional. 

Se o melhor jogador (e melhor marcador de sempre) saísse para um clube de outra dimensão, seria apenas mais do mesmo. Como Ricardo se mantém, o Braga abre boas perspectivas e o resultado é, até agora, positivíssimo: seis vitórias e um empate (vs Sporting, logo a abrir) nas primeiras sete jornadas + liderança isolada na fase de grupos da Liga Europa, com seis pontos em seis.

Seja qual for o resultado de FC Porto vs Braga, o Benfica entra em Guimarães com o lógico desejo de prolongar o estado de graça. Para já, 13 vitórias em 13 jogos garantem-lhe o estatuto de invencível. Atenção, é o primeiro jogo do Vitória SC na ressaca do centenário de há uma semana. Atenção, muita atenção, o Benfica acumula sete vitórias seguidas em Guimarães desde um 0:0 em 2015, que curiosamente lhe garante o título de campeão, a uma jornada do fim, na última época da primeira era de Jorge Jesus. Ah pois é, longe vai o tempo em que o Vitória SC impõe a sua lei em casa ao Benfica – entre 1950 e 1962, por exemplo, faz seis vitórias e três empates mais 16:9 em golos, um mimo.

Calendário da jornada 8:

Sexta-feira

  • Sporting (8)-Gil Vicente (10)
  • FC Porto (3)-Braga (2)

Sábado

  • Vizela (15)-Portimonense (5)
  • Chaves (11)-Estoril (7)
  • Vitória SC (9)-Benfica (1)

Domingo

  • Rio Ave (13)-Santa Clara (14)
  • Paços (17)-Arouca (12)
  • Famalicão (16)-Boavista (4)

Segunda-feira

  • Marítimo (18)-Casa Pia (6)

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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