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Dancing Beijing
Desporto 4 min. 21.07.2021
Pequim 2008

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Jogos Olímpicos da China 2008
Pequim 2008

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Jogos Olímpicos da China 2008
Foto: Getty Images
Desporto 4 min. 21.07.2021
Pequim 2008

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Luís Pedro Cabral
Luís Pedro Cabral
Pela primeira vez na história dos JO, a China vencia, logo em casa. Um investimento nunca antes visto resultou no evento mais visto de sempre, onde Nélson Évora conquistou o ouro e Vanessa Fernandes a prata.

Desde a desagregação da URSS, a ordem do mundo tinha mudado, assim como a ordem olímpica. Os EUA tinham recuperado a hegemonia, mas a China, que dera sinais de vida já em Atlanta e em Sidney, nas olimpíadas de Atenas, em 2004, vincou a sua posição. Os EUA sagrar-se-iam vencedores (com um total de 101 medalhas: 35 de ouro; 39 de prata e 27 de bronze), mas no segundo lugar do pódium, com surpresa (ou talvez não), ficou a China (63 medalhas no total: 32 de ouro, apenas menos três que os norte-americanos; 17 de prata e 14 de bronze), relegando a Rússia para o terceiro lugar como potência olímpica. Sob um enorme coro de prostestos - por questões relacionadas com o regime chinês e a sua débil relação com os Direitos Humanos -, o COI anunciou que as Olímpiadas de 2008 teriam lugar em Pequim, no "covil" do gigante. Ou melhor, no "Ninho de Pássaro", epíteto do Estádio Nacional de Pequim. Ficou desde logo criada uma enorme expectativa no embate desportivo (nunca é só assim) com os EUA.

Os olhos do mundo concentravam a sua curiosidade, não apenas "voyeur", na República Popular da China, ainda imersa numa densa cortina, que não era de ferro, mas de CO2. Não se esperava outra coisa se não um evento magalómano. A China não afirmou coisa diferente de qualquer anfitrião na hora da promessa: iam ser os maiores JO de sempre. Em investimento, Pequim estabeleceu logo um recorde dificílimo de ultrapassar nos tempos que correm: 42 mil milhões de dólares. Daquilo que ia sendo dado a ver ao mundo, as infraestruturas olímpicas cresciam em Pequim como cogumelos, a um ritmo quase incompreensível para o mundo ocidental. Foram construídas 12 infraestruturas de raiz, outras 37 recuperadas para as Olimpíadas, a rede de metro passou para o dobro da extensão, o Aeroporto Internacional de Pequim tornou-se no maior do mundo. Foram ainda criados 59 centros de treino, para que nada faltasse aos atletas (10500 no total), para competir em 28 modalidades, em 302 eventos, mais um do que em Atenas. E, graças ao facto do COI ter aceitado uma série de novas nações, um recorde de delegações nacionais: 205 países representados.

A China, que tradicionalmente gosta da sua imensa sombra, decidiu, não sem laivos da igualmente tradicional censura, abrir as portas ao mundo. A Cerimónia de Abertura foi um enorme "wellcome to China" controlado. Só na China teve 840 milhões de telespectadores. Pelo mundo, 1,2 mil milhões. Os JO de Pequim foram acompanhados em directo por um total de 4,7 mil milhões de pessoas. Estas olimpíadas tiveram a particularidade, que não era inédita, de decorrer em diferentes geografias. As provas de hipismo, tal como já tinha acontecido em Melbourne (provas hípicas em Estocolmo) ou em Antuérpia (regatas nos Países Baixos), foram realizadas em Hong Kong.

Desportivamente, os JO de Pequim foram um absoluto sucesso. Foram estabelecidos 43 novos recordes mundiais e 132 novos recordes olímpicos. No cômputo geral, 87 nações conquistaram medalhas. Mas, mais uma vez, o grande herói olímpico foi um repetente: Michael Phelps, que estava verdadeiramente imparável, batendo os seus próprios recordes e o recorde do maior número de medalhas numa só competição olímpica. O nadador norte-americano conquistou nada menos que oito medalhas de ouro. Directamente da Jamaica, Usain Bolt, aka "Lighting Bolt", sagrou-se definitivamente como o homem mais rápido do planeta, batendo os recordes mundiais dos 100 e dos 200m.

Portugal enviou para Pequim um dos maiores contingentes olímpicos e, segundo Vicente Moura, presidente do COP, "uma das missões mais bem preparadas de sempre", com atletas de elite de quem se esperava muito, como Nélson Évora (triplo salto), Vanessa Fernandes (triatlo), Gustavo Lima (vela), Naide Gomes (salto em comprimento) ou Telma Monteiro (judo), entre muitas outras certezas e algumas promessas. Gustavo Lima esteve a um mero ponto da medalha de bronze em Laser (vela). No entanto, apenas Nélson Évora brilhou ao mais alto nível, conquistando o ouro. Assim como Vanessa Fernandes, que alcançou a medalha de prata no triatlo, uma das provas mais dura das Olimpíadas, em Pequim ou em qualquer parte do mundo.

Em Pequim, mandaram os chineses. A China conseguiu finalmente sobrepor-se aos EUA no ranking das medalhas, conseguindo mesmo o segundo melhor registo olímpico no número de medalhas de ouro (51 medalhas), feito só ultrapassado nas olimpíadas em que se registaram boicotes massivos.

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