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Paulo Lopes “O clube está acima das pessoas”
Desporto 8 min. 11.04.2018

Paulo Lopes “O clube está acima das pessoas”

Paulo Lopes é o novo presidente do RM Hamm Benfica

Paulo Lopes “O clube está acima das pessoas”

Paulo Lopes é o novo presidente do RM Hamm Benfica
Foto: Lex Kleren
Desporto 8 min. 11.04.2018

Paulo Lopes “O clube está acima das pessoas”

O novo presidente do Rapid Mansfeldia Hamm Benfica é o primeiro responsável máximo português da história do clube. Diz que a coletividade precisa de uma nova dinâmica, está aberta a todas as nacionalidades e acalenta o sonho de um dia poder disputar uma competição europeia.

Quais as razões que o levaram a candidatar-se a presidente do RM Hamm Benfica?

Tomei a decisão de avançar na última reunião de direção, durante a preparação para a assembleia geral. Sabíamos que Nico Zinsmeister [presidente cessante] não ia continuar e era importante encontrarmos uma solução válida para o substituir. No final da reunião, ele disse-nos que já tinha um candidato, mas escusou-se a revelar o nome e isso inquietou-me. No domingo em que fomos eliminados da Taça do Luxemburgo, frente ao Hostert, ele acordou em dizer o nome do candidato a presidente, mas eu e a maioria dos membros da direção não achámos uma boa opção. Depois de ter falado com a minha família e algumas pessoas, refleti bastante e então decidi candidatar-me.

O que é que pode dar ao clube?

Toda a força, dedicação, paixão e empenhamento. Tenho o apoio incondicional da minha família, amigos e membros da direção. No domingo, após a importante vitória (2-0) com o Rodange, falei com os jogadores e deixei-lhes uma mensagem de agradecimento e esperança. Muita gente veio dizer-me que quer ajudar o clube e isso deixa-me bastante entusiasmado e esperançado num futuro melhor.

Que ideias pretende colocar em prática com o novo elenco diretivo?

Uma das medidas que consideramos essenciais é dar maior visibilidade ao clube. O Hamm Benfica tem de ser mais popular e transparente. Vamos utilizar as redes sociais, e não só, para dinamizar o clube e ir à procura de patrocinadores e apoiantes. Temos um potencial enorme, sobretudo pela marca ’Benfica’ que está no nome. Existem muitos potenciais benfiquistas no país que têm de ser sensibilizados. Mas não só os benfiquistas. Também os luxemburgueses que moram em Cents, Hamm e nas imediações. O nosso clube está aberto a todos. Gostava que essas pessoas viessem apoiar o clube mais emblemático desta região. Atualmente temos cerca de 200 sócios pagantes, o que é ridículo. É fundamental aumentar esse número para 500, numa primeira fase, até ao final da época. No ano da fusão, em 2006, o clube estava na Promoção de Honra, escalão secundário do futebol luxemburguês, tinha cerca de mil sócios, mas depois tudo se foi esvaindo. Esta nova direção está empenhada em estreitar laços com os sócios e simpatizantes. Temos de ir ao encontro das pessoas e não ficar sentados à espera que as coisas caiam do céu. Vamos criar uma nova secção de eventos, cujo responsável será apresentado nos próximos dias. Ainda no domingo, no final do jogo, muitos dos sócios mais antigos nos pediram para organizarmos jantares temáticos, excursões a jogos internacionais e várias outras iniciativas em conjunto. Neste momento, temos quase dois mil seguidores no Facebook, mas queremos aumentar este número. O clube estagnou e adormeceu nos últimos anos. Temos de criar uma nova dinâmica, mas isso só será possível com a ajuda de todos.

Esteve algum tempo afastado do clube e regressou no ano passado. Já tinha a intenção de candidatar-se a presidente?

Afastei-me por várias razões. Além de algumas de indole privada, também não concordava com o rumo que o clube estava a tomar. Avancei com ideias que nunca foram colocadas em prática e, como algumas pessoas da direção não traziam nada de novo, entendi que seria benéfico fazer uma pausa. A doença da minha mãe e o tempo escasso disponível para a família também pesaram nessa decisão. Acabei por regressar, no ano passado, a pedido do Nico Zinsmeister, que me convidou para ocupar o lugar de vice-presidente. Este meu regresso coincidiu com o afastamento de algumas pessoas da direção, situação que me permitiu trazer gente nova para o clube que está a efetuar um excelente trabalho. Quanto à intenção de me candidatar à presidência, nem em sonhos pensava nisso...

Que principais mudanças vão verificar-se no elenco diretivo?

Vão entrar algumas pessoas novas para a direção e outras já entraram antes da assembleia geral, como por exemplo o novo tesoureiro e o responsável de marketing. Serão feitos, pontualmente, alguns reajustamentos no que respeita às funções de outros membros, mas o mais importante é que a direção trabalhe bem em conjunto e cada um coloque o que tem de melhor em prol do clube.

Quando o clube foi criado, o grande desejo era de que pelo menos os benfiquistas residentes no Luxemburgo apoiassem o clube e viessem ao estádio, mas isso não aconteceu. Porquê?

Também me coloco a pergunta muitas vezes. Essa foi sempre uma das nossas grandes lutas. Penso que os portugueses são mesmo assim. Quando se ganha, o entusiasmo é enorme e todos querem vir ao estádio, mas, quando se perde, as coisas mudam radicalmente. O clube necessita do apoio incondicional dos adeptos, não só quando se ganha, mas também quando se perde. Atualmente, já temos uma claque organizada – os ’Red Hammers’, a quem aproveito para agradecer pessoalmente o apoio. Eles vão a todos os jogos, mas temos de ser mais a dar força à nossa equipa. Temos de criar uma identidade forte com o apoio de todos os simpatizantes.

Que balanço faz de Nico Zinsmeister, o presidente cessante, enquanto responsável máximo do clube?

Positivo, sem qualquer tipo de dúvida. O Nico tem qualidades e defeitos como todos nós. Há uns que gostam, outros que não, mas é um homem que durante décadas deu muito ao clube em todos os aspetos. Este clube faz parte da vida dele. Foi jogador e depois dirigente e esteve sempre presente nos bons e nos maus momentos. Vai continuar a ajudar-nos e tenho a certeza de que ficará para sempre ligado à história do RM Hamm Benfica.

É sabido que os anteriores presidentes metiam dinheiro dos seus bolsos no clube. A situação vai repetir-se consigo?

Não. Infelizmente, não tenho capacidade para o fazer pessoalmente. Mas posso garantir que o clube vai ter novos patrocinadores e muita gente a ajudar.

Fala-se muito da rivalidade entre portugueses e luxemburgueses no clube. Como vai lidar com a situação?

Isso vai ter de mudar de uma vez por todas. É fundamental unir esforços porque o clube está acima das pessoas. Portugueses, luxembugueses ou de outras nacionalidades. Só com o esforço de todos é que conseguimos levar as coisas para a frente. Eu, sem os meus colegas de direção, patrocinadores e sócios, não consigo fazer nada. É importante nos nossos discursos trocarmos o ’eu’ para o ’nós’. As pessoas devem refletir sobre isso. Recebi muitas manifestações de apoio quando fui eleito presidente, por mensagem e nas redes sociais, mas apenas respondi a uma pessoa que me dizia que o clube, a partir de agora, ia ser ainda mais benfiquista. Expliquei-lhe que o clube é de todos aqueles que o quiserem apoiar. Todos serão bem-vindos.

Agora que o clube já assegurou praticamente a manutenção na Liga BGL, quais são as ambições para a próxima época?

O Hamm Benfica é um clube de elite e o primeiro objetivo é garantir continuamente essa presença entre as melhoras equipas do país. Esta época terminámos a primeira volta em terceiro lugar e a certa altura ainda sonhámos com a possibilidade de chegar a uma competição europeia, mas infelizmente não conseguimos. Se na próxima época conseguirmos um reforço financeiro para investir na equipa, poderemos rever em alta os nossos objetivos.

A ligação ao Benfica existe no papel, mas na prática, em termos desportivos, o Hamm Benfica nunca beneficiou dessas relações com a casa mãe. O que pretende fazer para mudar a situação?

O nosso objetivo é conseguir uma ligação mais forte com Lisboa. Sabemos que não é fácil, mas vamos tentar agendar uma reunião com os dirigentes do Benfica o mais rapidamente possível. É importante analisar, em conjunto, o que podemos fazer para melhorar e de certa forma efetivar as relações entre os dois clubes a nível social e desportivo.

Recentemente, alguns jogadores das camadas jovens têm integrado com regularidade a equipa principal. A aposta na formação do clube é para manter?

Sem dúvida. A comissão de jovens, os treinadores e o coordenador têm feito um excelente trabalho na formação. Existem alguns jogadores com grande potencial que já são cobiçados por agentes e clubes estrangeiros. Vamos integrá-los na nossa equipa principal para que possam, se possível, chegar a equipas profissionais, o que seria bastante rentável para o clube.

Numa das vezes em que esteve no Luxemburgo, o falecido Eusébio formulou o desejo de um dia poder ver o Hamm Benfica participar numa competição europeia. Acredita que será possível viabilizar este sonho?

Estou plenamente convicto de que um dia poderemos realizar esse sonho. O nosso clube possui um potencial enorme. Apesar de termos um dos orçamentos mais baixos da Liga BGL (200 mil euros), estivemos a um ponto do terceiro lugar que garante um lugar nas competições europeias. Se conseguirmos estabilizar a equipa, organizar melhor o clube e melhorar os recursos financeiros, acredito que, num futuro próximo, poderemos disputar uma eliminatória da Liga Europa.

O que falta ao Hamm Benfica para ser um grande clube?

O Hamm Benfica já é um grande clube, mas acredito que será ainda maior se, nas próximas épocas, dispuser de maiores recursos financeiros. Com uma melhor organização interna e um orçamento maior, poderemos trabalhar em projetos que vão catapultar o clube para patamares de qualidade superior.

Que mensagem quer deixar aos sócios?

Venham, tragam um amigo e apoiem o clube. Precisamos de todos para tornar o nosso RM Hamm Benfica maior. Neste momento somos a equipa mais representativa na cidade do Luxemburgo. Um dia, Paul Philipp, presidente da Federação Luxemburguesa de Futebol, disse que a nossa fusão foi a mais bem conseguida e que o nosso clube é uma referência no Grão-Ducado. E é, mas com a ajuda de todos seremos ainda mais fortes.

Á. Cruz


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