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Paixão pelo futebol é mais forte do que o vírus?
Desporto 5 min. 28.05.2020 Do nosso arquivo online

Paixão pelo futebol é mais forte do que o vírus?

Diogo Pimentel (Etzella Ettelbrueck 8)

Paixão pelo futebol é mais forte do que o vírus?

Diogo Pimentel (Etzella Ettelbrueck 8)
Foto: Christian Kemp
Desporto 5 min. 28.05.2020 Do nosso arquivo online

Paixão pelo futebol é mais forte do que o vírus?

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
Como vai ser o regresso à competição no Luxemburgo? O Contacto falou com jogadores, treinadores, dirigentes, patrocinadores e adeptos sobre as consequências da crise no desporto-rei.

A paralisação do futebol, na maioria dos campeonatos de todo o mundo, há mais de dois meses, coloca incertezas sobre o seu futuro, dentro e fora de campo, e o Grão-Ducado não é exceção. Sem saber como e quando a bola voltará a rolar, os bastidores preparam-se para as mudanças a todos os níveis, principalmente devido às dificuldades a nível financeiro

Diogo Pimentel, jogador português de 22 anos que acabou de trocar o Etzella pelo Fola, garante que é otimista por natureza. Cumpre à risca as precauções e joga à defesa contra a pandemia. Acredita que a situação vai melhorar e afirma que “a paixão pelo futebol é mais forte que o vírus.”

“É verdade que o futuro da modalidade, aqui ou em qualquer outro país, é uma incógnita. Com todas as limitações que estão a ser impostas, teremos que nos adaptar da melhor forma possível e retomar a nossa atividade”, defende.

“Vamos ter que viver, com as medidas de precaução impostas pelas entidades que gerem o futebol, também com uma possível diminuição de receitas e patrocínios, mas, no fundo, acho que pela grande ’fome’ de bola que temos vai valer a pena fazer sacrifícios.”

“Quem conhece o futebol sabe que o desejo de qualquer jogador é voltar a jogar e estar em campo, porque é aí que nos sentimos bem. Compreendo que a saúde vem em primeiro lugar e existe necessidade de serem tomadas medidas de proteção para todos, mas temos de olhar em frente e continuar a fazer aquilo de que mais gostamos”, precisa o jovem médio que nasceu em Beja e veio para o Luxemburgo com os pais quando tinha 8 anos.

“Estou ansioso por começar a treinar e a jogar. Preparo-me mentalmente para cumprir um sonho que é o de jogar o acesso à Liga dos Campeões, algo que marca um jogador para sempre e proporciona outra visibilidade. Estou bastante motivado e pronto para dar o meu melhor. Não escondo que o meu sonho é poder vir a ser jogador profissional e esse é o objetivo no qual me quero focar”.

Fosso entre clubes vai acentuar-se

Carlos Fangueiro, treinador de futebol que nas últimas temporadas orientou o Union Titus Pétange, teme que “nada volte a ser como dantes” e explica porquê.

“Este vírus é bastante imprevisível. Nunca tínhamos vivido uma situação destas e apesar de as coisas estarem a melhorar bastante, temos de regressar com cautela porque ainda não podemos declarar vitória sobre a pandemia”, lembra o jogador que também se insurge contra os jogos à porta fechada.

“Jogar sem ninguém nas bancadas é completamente desolador. Sem o calor do público que dá cor e emoção à competição, a motivação dos jogadores não pode ser a mesma”, vinca, e prossegue o raciocínio: “A crise veio enfraquecer todos os setores da economia e o futebol não é exceção. Se nas maiores Ligas os grandes clubes sentem dificuldades, imagine-se no Luxemburgo, onde o futebol é amador. Eu sou um viciado do futebol e não sei viver sem ele, mas tenho de concordar que a situação não está nada fácil.”

Sobre o capítulo financeiro, o treinador português que na próxima temporada vai assumir o comando do F91 Dudelange, foi perentório: “Excetuando uma ou outra equipa que têm patrocinadores com grande poder económico e aquelas que asseguram um lugar nas competições europeias, as outras vão andar a contar os tostões todo o ano”, refere, Fangueiro, alertando para outras consequências da crise financeira.

“Os valores dos contratos dos jogadores e treinadores vão baixar, porque se os meios financeiros forem escassos, a qualidade do campeonato ressente-se. Acredito que o fosso entre os clubes ricos e os pobres vai acentuar-se ainda mais e isso não será bom para ninguém.”

Elogia o Executivo grão-ducal na forma como tem gerido a crise sanitária e expressa o desejo de que os responsáveis encontrem a solução para que o futebol regresse aos estádios.

“Felizmente o Governo tem feito um excelente trabalho no que respeita à saúde no país. A situação está bem encaminhada e agora só falta encontrar as medidas certas para que o futebol regresse em força para a alegria de todos”.

Aposta na formação é a melhor opção para os clubes mais pobres

Tony Costa, dirigente do Hamm Benfica, alinha pelo mesmo diapasão de Carlos Fangueiro, mas vai mais longe do que o compatriota no que respeita a soluções para o futebol luxemburguês.

“Esta crise saninária veio enconstar ainda mais os fracos à parede. Os clubes que lutam diariamente para sobreviver vão ser obrigados a encontrar soluções porque nesta altura, a última coisa que certos patrocinadores vão fazer é meter dinheiro aos clubes. Por isso, a solução é recorrer à formação de jogadores, valorizá-los e trabalhá-los ao máximo”.

“É essa a grande aposta do nosso clube e a melhor solução para quem não se encontra propriamente a nadar em dinheiro. Se tivessemos um patrocinador que nos oferecesse jogadores, a música era outra, mas no Hamm temos de ser inteligentes e aproveitar da melhor forma os nossos recursos”, conclui o dirigente encarnado.

Futebol ainda sem datas para regressar no Grão-Ducado

Costuma dizer-se que futebol sem adeptos não é nada. Que o diga Carlos Fernandes fervoroso adepto do FC Differdange e já não sabe o que é um desafio no Luxemburgo há meses.

“Estar em casa tantas semanas é difícil, mas sem jogos ainda é mais. O que me incomoda é que a Federação Luxemburguesa de Futebol terminou o campeonato e ainda nem se sabe quando é que as equipas podem começar a treinar. Com as competições europeias por disputar, as dúvidas são muitas. Vamos ver quais as soluções que a nossa federação apresenta, mas acredito que nada será como antes”.

Em muitos países os campeonatos já acabaram, noutros continua-se a jogar. De todos os que pararam, a Alemanha é o único país onde já se regressou à competição, mas em várias das provas mais cotadas já se conhecem as datas para terminar as respetivas Ligas. Em Portugal, a elite do país regressa aos relvados a 3 de junho, mas no Luxemburgo tudo continua no segredo dos deuses. Até quando?

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