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Os sete penáltis amaldiçoados de Ronaldo
Desporto 2 7 min. 09.08.2022
Futebol

Os sete penáltis amaldiçoados de Ronaldo

Ronaldo beija a bola antes de marcar um penálti no jogo contra a França, na fase de grupos para o Euro 2020, na Hungria.
Futebol

Os sete penáltis amaldiçoados de Ronaldo

Ronaldo beija a bola antes de marcar um penálti no jogo contra a França, na fase de grupos para o Euro 2020, na Hungria.
Foto: Alex Pantling/EPA
Desporto 2 7 min. 09.08.2022
Futebol

Os sete penáltis amaldiçoados de Ronaldo

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Tudo o que sempre sonhou saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar. Por Rui Miguel Tovar.

Capítulo 16. Os sete penáltis de Ronaldo

Justiça lhe seja feita, recordes é com Ronaldo. Há os bons e os maus. E nem sempre temos de falar dos bons. Se Ronaldo é o líder destacado dos golos de livre directo na selecção, com 10, é-o também da marca de penálti, com 16.

Como ninguém contabiliza livres falhados, e sim penáltis, o texto de hoje é sobre os 7 penáltis falhados. Sete, o seu número. Coincidência? No lo creo, pero que los hay, hay – os penáltis falhados, quero dizer.

DINAMARCA, 1 SETEMBRO 2006

Ainda de ressaca pelo quarto lugar no Mundial, joga-se a feijões no Estádio do Bröndby. O seleccionador Scolari já olha para o Euro 2008 e estreia uma dupla do Sporting. A titular, Nani. Como suplente, Carlos Martins.

Atenção, Nani até marca um golo, e de canto directo – o único na história já centenária da selecção portuguesa. Fora isso, a Dinamarca é sempre superior e o resultado final surpreende pela quantidade de golos (4:2).

Aos 57', penálti para Portugal por falta do guarda-redes Sörensen sobre Ronaldo. Chamado a bater, Cristiano inicia um calvário inimaginável de sete penálti falhados. Este é quase à figura de Sörensen. Seis minutos depois, Ronaldo é substituído por Boa Morte.

TURQUIA, 2 JUNHO 2012

Que cambalacho. A uma semana do jogo de abertura do Euro 2012, a Turquia alimenta mais dúvidas que nunca sobre a equipa de Paulo Bento numa tarde/noite em que Portugal até nem merece perder pelo caudal de jogo ofensivo e pela mão cheia de oportunidades.

Os turcos aproveitam tudo. Na primeira parte, um golo no único remate à baliza: contra-ataque pela esquerda e Bulut antecipa-se a Coentrão na pequena área para o 1:0. Antes do intervalo, Ronaldo faz dois túneis bem bonitos, um a Altintop (41'), outro a Demirel (45'+1). Cada qual é meio golo, falta a outra parte.

Aos 52', Miguel Veloso e Bruno Alves passeiam a bola em zona proibida e permitem o roubo de Bulut para o 2-0. Aparece então Nani, a reduzir com um remate cruzado. No quadradinho seguinte, penálti de Emre sobre Miguel Lopes. Chamado a bater, Ronaldo atira e Demirel defende.

Continua a saga maldita do capitão, na primeira derrota da selecção na Luz desde a final do Euro-2004. Para acabar, o anedótico 3-1 na própria baliza: Ricardo Costa quer anular o autogolo de Pepe e confirma-o com uma bolada contra a barriga do número 3.

BULGÁRIA, 25 MARÇO 2016

Longe do apogeu dos anos 90 e sem chegar a uma fase final do que quer que seja desde 2004, entre Europeu mais Mundial, a Bulgária apresenta-se em Leiria com um esquema hiper defensivo, propício para a avalanche portuguesa.

Meu dito, meu feito. E o primeiro remate à baliza de Stoyanov surge aos 32 segundos, por Ronaldo. Nada feito. Sentem-se, incrédulos: será assim o jogo todo. Tanto Ronaldo como Nani têm três oportunidades flagrantes de marcar e zero golos. Aliás, Ronaldo até falha um penálti, bem como a recarga.

Pelo meio, a Bulgária marca pelo brasileiro Marcelinho, em dia de estreia. O homem atrapalha-se com a bola, atrapalha Vieirinha mais Pepe e ainda Anthony Lopes. Nasce assim torto e sem jeito o golo solitário de um jogo em que Santos lança pela primeira vez Renato Sanches, um jovem de tranças com 25 jogos nas pernas do Benfica de Rui Vitória. É ele a figura do jogo, a partir do momento em que um adepto (ainda mais jovem) invade o relvado e dá-lhe um comovente abraço.


Ronaldo em ação no jogo do grupo F, com a Alemanha, no jogo da fase de grupos para o Euro 2021.
As 14 maravilhas de Cristiano Ronaldo (em vídeo)
Tudo o que sempre sonhou saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar. Por Rui Miguel Tovar.

ÁUSTRIA, 18 JUNHO 2016

Fernando Santos muda o esquema e aposta em 4-3-3, com o capitão Ronaldo a 9. Do primeiro jogo vs Islândia, duas alterações: William por Danilo (o FC Porto perde o seu único representante) e Quaresma por João Mário.

A Áustria é incompetente em todos os sentidos e nem sabe sair para o ataque, a avaliar pelo chouriço do guarda-redes Almer contra o corpo do central Hinteregger aos 19' a resultar no sexto canto para Portugal.

A avalanche continua em ritmo non-stop e é confrangedor ver o 0-0 ao intervalo, sobretudo depois de Nani ter acertado em cheio uma bola no poste de esquerdo de Almer, aos 29'. Na segunda parte, é pior ainda. Dos quatro remates de Ronaldo à baliza, três só não entram por obra e graça do afoito Almer, em noite siiiiiiiiiiiiiim.

O outro é aquele penálti. O lance até é bem típico (bola para um lado, guarda-redes para o outro), o problema é que se intromete ali o poste. A última vez que tal acontecera num Europeu é em 2000, com o holandês Kluivert vs Itália. Porca miseria.

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

LETÓNIA, 13 NOVEMBRO 2016

A corrida para o Mundial 2018 mantém-se acesa e Portugal volta a dar que falar com uma exibição farta em golos. Perdidos e marcados, claro está. Começa bem, com um penálti marcado por Ronaldo, mal apitado pelo escocês Madden, uma vez que Nani aproveita um carrinho descuidado de Gorkas para cair na área sem contacto.

O segundo golo está à vista um par de vezes e só acontece aos 59 minutos, porque Ronaldo acerta no poste e ultrapassa Figo no ranking dos penáltis falhados (5-4). Aproveita a Letónia para sair da toca e silenciar o Algarve, com um potente remate do suplente Zjuzins na sobra de um ressalto em Fonte.

A reacção portuguesa é forte e imediata. Três minutos depois, Quaresma cruza e William completa, de cabeça, na pequena área, sem qualquer tipo de marcação – só para se ter uma ideia, o último golo de um sportinguista por Portugal remonta a 2011, via Postiga. Curiosidade? Também é no Algarve. Daí para a frente, só dá Portugal e cabe a Ronaldo mais Bruno Alves (outro golo de cabeça) o avolumar do resultado.

IRÃO, 25 JUNHO 2018

Última jornada da fase de grupos do Mundial 2018. Basta um empate a Portugal para seguir em frente, já o Irão precisa de ganhar. Nos bancos, Fernando Santos vs Carlos Queiroz – companheiros de equipa no Estoril de Mário Wilson no século passado, anos 70.

O jogo é insosso, Portugal nunca se sente confortável em campo. Mesmo assim, Ricardo Quaresma saca uma trivela na primeira parte e garante a vantagem. Aos 50 minutos, penálti sobre Ronaldo. O árbitro manda seguir, depois vai ao VAR e dá o dito por não dito. Ronaldo está contraído, nervoso. Atira para a sua direita, Ali Beiravand voa para a sua esquerda e apanha a bola em dois tempos. Exacto, Ronaldo é o único jogador a falhar penáltis em Europeus e Mundiais.

Nos descontos, o Irão também ganha um penálti e marca-o. Está 1:1 e Portugal não consegue arrumar a casa. É charutos lá para a frente, sem critério algum. Ainda nos descontos, Taremi (esse mesmo, ainda longe do Rio Ave e longíssimo do FC Porto) tem o 2:1 nos pés. Apertado por Cédric e com Patrício a sair da baliza, o avançado atira às malhas laterais.

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CRISTIANO RONALDO EM JOGO DE JUVENIS  NUM CAMPO PELADO EM 9/05/98
FOTO DO JORNAL DO SPORTING
Tudo o que sempre quis saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar
Histórias sobre o lado menos conhecido do jogador português. Por Rui Miguel Tovar.

REP. IRLANDA, 1 SETEMBRO 2021

É daqueles jogos de sentido único e só resolvido nos descontos com o 2:1 de Ronaldo. Antes, é um suplício. Para Portugal, claro. A falta de jeito da Irlanda com a bola incapacita a selecção portuguesa de jogar o que sabe. Vai daí, é um tratado de erros consecutivos entre maus passes, cruzamentos inenarráveis e decisões sem pés nem cabeça.

E tudo poderia ser mais fácil se Ronaldo tivesse concretizado aquele penálti aos 15 minutos, por falta de Hendricks sobre Bruno Fernandes. O árbitro esloveno Jug precisa de três minutos no VAR para se decidir. Depois há todo o teatro dentro da área, com os irlandeses a provocarem Ronaldo. Às tantas, o capitão dá uma galheta na cara a um dos prevaricadores. Ninguém vê, a não ser a câmara televisiva.

Quando finalmente soa o apito, Ronaldo atira ao canto e o guarda-redes Bazunu voa para uma defesa heróica.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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