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Os sete momentos de Cristiano Ronaldo no Sporting
Desporto 7 min. 11.08.2022
Futebol

Os sete momentos de Cristiano Ronaldo no Sporting

Ronaldo num jogo de juvenis do Sporting, em 2000.
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Os sete momentos de Cristiano Ronaldo no Sporting

Ronaldo num jogo de juvenis do Sporting, em 2000.
Foto: Lusa (Arquivo)
Desporto 7 min. 11.08.2022
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Os sete momentos de Cristiano Ronaldo no Sporting

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Tudo o que sempre sonhou saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar. Por Rui Miguel Tovar.

Capítulo 17. Os sete momentos no Sporting  

Há dias, a nossa Ronaldice é sobre os melhores golos da sua carreira e até dividimos em sete, o seu número de (quase) sempre. Escrevem-se tratados e misturam-se elogios para avaliar os sete melhores golos pela selecção portuguesa e os sete melhores como emigrante de luxo. Então e o Sporting?

Calminha jé jé, é hoje o dia. Em vez dos sete melhores golos de Ronaldo pelo Sporting, optámos pelos sete melhores momentos porque é mais pessoal e menos conhecido do grande público. Vamos lá? Desde o primeiro jogo até ao último. Ou seja, desde 11 Outubro 1997 até 6 Agosto 2003. Nesses cinco anos, quase seis, a magia de Ronaldo atravessa picos de genialidade, já a ameaçar um estilo peculiar.

TORREENSE, 16 MAIO 1998

Acredite, é o único título de Ronaldo no Sporting. E nem é um título nacional, só regional. De Lisboa, claro. O objectivo é alcançado na sua primeira época, em 1997-98. O início é majestoso, com o registo inacreditável de seis golos em tão-só 27 minutos vs Olivais e Moscavide (16:0). É a segunda jornada da primeira fase do regional de Lisboa, escalão infantil A, no dia 26 Outubro 1997.

No jogo seguinte, hat-trick vs Ponte de Frielas (13:0). E, depois, o primeiro golo no dérbi vs Benfica, numa derrota por 3:1. Ali pelo meio, uma ausência por lesão. Sabe como? Ronaldo é chamado para a selecção de Lisboa sub12 e contrai uma dor no músculo por ter estado a treinar os guarda-redes durante mais de meia-hora com remates à baliza.

Mais à frente, a qualificação para a final fase, juntamente com Benfica, Belenenses, Torreense e Estoril. O Sporting é o campeão a duas jornadas do fim e, depois, acaba o torneio sem derrotas (9-1-0) mais 54:6 em golos. Desses 54, Ronaldo acumula 10. Na festa do título, em Torres Vedras, um golo no 6:0. E, sim, também marca vs Benfica, um fora (2:2) e outro em casa (4:0).

COVA DA PIEDADE, 6 DEZEMBRO 1998

Já se sabe que isto dos números é sagrado para muitos jogadores. O mais mediático de todos é o 10. Mais que um número, uma imagem de marca. Basta ver os indiscutíveis dois melhores de sempre, Pelé e Maradona. Game over.

Quando chega ao Lar do Jogador no Estádio José Alvalade e começar a deslumbrar a partir do dia um, Ronaldo veste o 10. O melhor do pedaço, por inerência. Na época seguinte, em 1998-99, o treinador Luís Dias dá-lhe o 9 numa goleada vs Cova da Piedade por 6:1. E, na segunda volta, no campo da Cova da Piedade, o 7 torna-se o seu número.

É ele quem marca o primeiro golo dessa manhã, aos 7 minutos. Acaba 9:0 com quatro golos de Edgar Marcelino e o 7 de Ronaldo passa despercebido. Aliás, é uma época complicada para o jovem madeirense, cheio de saudades de casa e da mãe. Tanto assim é que joga menos que o habitual e até leva alguns castigos, como o de ficar sentado no banco de suplentes um jogo inteiro (vs Barreirense, no Barreiro). É a (dura) cultura da aprendizagem para amadurecimento total.


Ronaldo beija a bola antes de marcar um penálti no jogo contra a França, na fase de grupos para o Euro 2020, na Hungria.
Os sete penáltis amaldiçoados de Ronaldo
Tudo o que sempre sonhou saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar. Por Rui Miguel Tovar.

ESTRELA, 19 SETEMBRO 1999

Já é a terceira época no Sporting, a tal iniciada com uma proposta de trabalho do Benfica à mãe Dolores no sentido de pressionar Ronaldo a trocar de clube. O Sporting reage de pronto, através do pai desportivo Aurélio Pereira, e toma lá um novo contrato com melhoria no salário e mais passagens aéreas para o Funchal.

Já está? Nãããããã, há mais. Dois dias de assinada a renovação do contrato, Ronaldo é premiado com a braçadeira de capitão. É uma estreia e a verdade é um momento imperdível porque estamos a falar de alguém que é capitão do Manchester United, Real Madrid e, claro, Portugal. Tudo começa no Sporting, mais precisamente no campo número 2 do Estádio José Gomes, na Amadora, vs Estrela. O Sporting perde 3:2 e Ronaldo pica o ponto, de penálti.

ESTORIL, 26 NOVEMBRO 2000

Pormenor engraçado, a Coca-Cola patrocina os juvenis A do Sporting. A camisola com o número 7, essa, viaja de jogador para jogador sem ponto de referência. Até que se acomoda ao corpo de Ronaldo, já depois de um bis vs Elétrico Ponte Sor (3:1).

Duas semanas depois, mais dois golos, agora vs Estoril. E com a camisola 7. É um jogo mais especial da época. Pela vitória, sim, claro. Pelo bis, também, óbvio. O especial é a visita da mãe Dolores. Uma entre muitos espectadores nas imediações do Estádio José Alvalade, numa manhã de chuva insistente. Ao Jornal do Sporting, o herói do dia diria de sua justiça. ‘O campo enlameado dificultou a nossa missão, mas fomos humildade, trabalhadores e pacientes para chegar à vitória, muito especial pelos dois golos na presença da minha mãe.’

U. COIMBRA, 20 OUTUBRO 2001

O tempo avança e Ronaldo dá cada vez mais nas vistas, seja no Sporting, seja na selecção nacional. A época 2001-02 corre-lhe às mil maravilhas e joga pela primeira vez com a equipa sénior, a título oficioso, vs Atlético. Estamos a 15 Agosto 2001 e Bölöni está na bancada a curtir o momento de uma equipa com segundas linhas. Ronaldo entra ao intervalo e marca um golo – a figura do dia é Lourenço, com três, e o melhor em campo é Hugo Viana, lançado a 6 e rapidamente adaptado a 10.

Outubro é um mês grandioso. Começa no dia 9 com a estreia nos sub17 de Portugal, e com golo – de livre directo, vs Holanda (3:0 na Covilhã). Continua no dia 20, vs U. Coimbra, no campo do Brejão, em Sarilhos Pequenos, onde Ronaldo saca o golo mais rápido da sua vida, aos 40 segundos. A bola sai e, de repente, 1:0. Acaba 3:0, o capitão desse Sporting é um tal Miguel Garcia, posteriormente conhecido como o herói de Alkmaar pelo cabeceamento vitorioso aos 120 minutos-e-tal rumo à final da Taça UEFA.

ESTRELA, 7 ABRIL 2002

O contacto de Ronaldo com a equipa principal em Agosto 2001 dá-lhe estatuto e não só. Cristiano faz amigos e um deles é o avançado Niculae. Gravemente lesionado em Dezembro, a vida do romeno passa a ser de muletas e a acompanhar o Sporting de fora, como um espectador mais. Em Março 2002, assiste ao 1:0 vs Vitória FC, em Sarilhos Pequenos. O golo é de Ronaldo e dedicado a Niculae com uma corrida até ele.

Daí a um mês, quiçá o golo da sua vida. Bola de saída da segunda parte e golo. Assim, sem mais nem menos. Génio. Aurélio Pereira está presente e nunca mais se esquece. "De todos os golos do Cris, é o que mais me emociona." Nesse dia, o Sporting perde 5:4 vs Estrela.


CRISTIANO RONALDO EM JOGO DE JUVENIS  NUM CAMPO PELADO EM 9/05/98
FOTO DO JORNAL DO SPORTING
Tudo o que sempre quis saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar
Histórias sobre o lado menos conhecido do jogador português. Por Rui Miguel Tovar.

BENFICA, 3 MAIO 2003

É a única época de Ronaldo no plantel principal do Sporting, a de 2002-03. E entre as estreias na UEFA, 1.ª divisão e Taça de Portugal mais os cinco golos espalhados por 1392 minutos, há duas mágoas. A primeira é a de ter sido suplente não utilizado na Supertaça, em Agosto 2002, vs Leixões. A medalha pertence-lhe, sim, mas não é a mesma coisa. Nessa noite em que Quaresma até acaba como capitão de equipa, Bölöni faz entrar Danny, César Prates e Carlos Martins – no banco durante os 90 minutos, o guarda-redes Nuno Santos mais Pedro Barbosa e Ronaldo.

Se esta mágoa ainda vá, a segunda é que lhe bate mal. Já estamos em 2003, mais concretamente a 3 Maio. É dia de dérbi para a 30.ª jornada da 1.ª divisão. Com o Estádio da Luz em obras para o Euro-2004, o Benfica joga no Jamor como casa emprestada. O Sporting vai lá e ganha 2:1. Ronaldo é convocado e, depois, fica de fora dos 18. É então apanhado pela câmaras de televisão a chorar no chão. Nunca, até hoje, Ronaldo pisa o relvado do Jamor.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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